terça-feira, novembro 24, 2020

Defesa de suspeita de levar morto a banco contesta polícia e diz que certidão indica óbito no hospital


Advogada de Josefa Mathias afirma que documento e remoção do corpo pelo Samu são indícios de que aposentado não estava morto quando foi levado à agência em Campinas (SP), no dia 2 de outubro; prefeitura nega e delegado diz que indiciamento tem como base o laudo pericial, que comprova que escrivão estava morto havia 12 horas. Agência do Banco do Brasil, na região central de Campinas (SP), onde uma mulher levou um idoso morto para tentar sacar a aposentadoria dele
Reprodução/EPTV
A advogada da mulher suspeita de levar um idoso morto ao banco para tentar sacar a aposentadoria dele, em Campinas (SP), contestou, nesta terça-feira (20), a versão da Polícia Civil de que o aposentado estava morto havia 12 horas quando foi levado em uma cadeira de rodas à agência do Banco do Brasil.
O caso em investigação ocorreu no dia 2 de outubro. Segundo Andreza Carolina Dias Amador, o fato de Laércio Della Coletta ter sido removido pela ambulância do Samu, o não encaminhamento ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) e a certidão de óbito indicam que o idoso teria chegado vivo ao hospital, vindo a óbito depois.
“A certidão de óbito consta que ele morreu no pronto-socorro Mário Gatti. Eu não entendo muito dos procedimentos, mas geralmente quando uma pessoa falece em domicílio, ou na rua, eles não levam para o pronto-socorro. Eles ligam para a Polícia Militar e o corpo é encaminhado para o SVO. A gente vai apurar os fatos ainda”, disse, por telefone.
Andreza ainda afirma que Josefa de Souza Mathias, de 58 anos, e Laércio, um escrivão aposentado de 92 anos, mantinham uma relação estável desde 2009 e que, apesar de os dois possuírem apartamentos diferentes no mesmo edifício, o casal morava junto. “Ela estava morando com ele”, completa a advogada.
O que diz a prefeitura?
Em nota, a Rede Mário Gatti de Urgência e Emergência, responsável pelo Samu e atendimento hospitalar em Campinas, informa que o idoso chegou morto ao Hospital Municipal Mário Gatti, e que a transferência do corpo só ocorreu pois a ambulância que fez o atendimento não era uma de suporte avançado, que conta com médico, o único com autoridade para constatar o óbito.
A prefeitura reforça ainda que o corpo foi retirado pelo Instituto Médico Legal (IML), responsável por realizar o exame necroscópico, uma vez que o Serviço de Verificação de Óbito está fechado desde março, em razão da pandemia do novo coronavírus.
“A Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar esclarece que a morte do idoso foi constatada na agência bancária por uma equipe avançada do Corpo de Bombeiros. O Samu havia chegado ao local antes, com uma unidade básica, que não tem autonomia para constatar óbitos. Neste tipo de situação, a causa da morte precisa ser averiguada pelos órgãos competentes. Como o corpo já estava dentro da ambulância do Samu, foi levado ao serviço de saúde mais próximo, no caso o Hospital Mário Gatti, e retirado pelo Instituto Médico Legal (IML), como manda o protocolo. O Serviço de Verificação de Óbito está fechado em razão da pandemia”, diz o comunicado.
Josefa de Souza Mathias, suspeita de levar o idoso morto ao banco em Campinas (SP)
Reprodução/EPTV
Indiciamento
O delegado Cícero Simões da Costa, titular do 1º DP de Campinas, informou que o indiciamento de Josefa de Souza Mathias por tentativa de estelionato e vilipêndio (desrespeito) a cadáver é baseado no laudo pericial e nos depoimentos de algumas testemunhas. A mulher nega o crime.
Segundo Costa, ele deve concluir e relatar o inquérito ainda esta semana, ficando a cargo da Justiça determinar se aceitar ou não a denúncia contra Josefa.
O caso
O caso ocorreu em uma unidade do Banco do Brasil no dia 2 de outubro. Segundo o Boletim de Ocorrência, Josefa de Souza Mathias alegou ao banco que tinha perdido a senha de letras da conta do companheiro, Laércio Della Colleta, um escrivão aposentado e viúvo de 92 anos. Por isso, o banco informou ser necessário ir até a agência para fazer a prova de vida como medida de segurança.
Ao chegar na agência, na tentativa de apressar o atendimento, a mulher disse que o homem estava passando mal, e os bombeiros foram acionados para ajudá-lo. Foi quando eles constataram que o idoso não só estava morto, como o óbito teria ocorrido havia algum tempo.
Polícia Civil de Campinas ouve pelo menos dois depoimentos nesta sexta
Johnny Inselsperger/EPTV
‘Estado cadavérico’
Segundo o boletim de ocorrência, o Corpo de Bombeiros e o médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) notaram que ele estava em estado cadavérico e com inchaço nos pés.
O diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 2), José Henrique Ventura, afirmou que o laudo necroscópico apontou que o idoso já estava morto havia 12 horas quando foi levado à agência.
Ao constatar a situação, a equipe comunicou a Guarda Municipal, que estava perto da agência. Essa, por sua vez, acionou a Polícia Militar, que conduziu a mulher ao 1º Distrito Policial para registro da ocorrência. O corpo do idoso foi enterrado no dia seguinte.
Caso será investigado pelo 1º DP de Campinas
Reprodução EPTV
O que diz o Banco do Brasil
Em nota, o Banco do Brasil informa que “cumpriu todos os protocolos previstos no contrato de prestação de serviço com a fonte pagadora”.
A instituição ainda afirmou que não havia pendências com a conta do beneficiário, “apenas a falta das credenciais para acessar a conta e realizar o saque” e, por isso, foi necessária a presença dele na agência.
Veja a nota do banco:
“O Banco do Brasil atua para mitigar o risco de fraudes nos pagamentos de benefícios previdenciários com medidas como a identificação do cliente por meio de senhas, cartão e biometria. O BB esclarece ainda que a ocorrência registrada em uma de suas agências em Campinas, São Paulo, não tinha relação com prova de vida do INSS.
O Banco cumpriu, nesse caso, todos os protocolos previstos no contrato de prestação de serviço com a fonte pagadora, o que inclui a exigência de procuração ou a presença do beneficiário na agência”.
VÍDEOS: EPTV 1 desta terça-feira
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