sábado, novembro 28, 2020

Campinas gera 543 empresas em setembro e registra 1º mês com alta na quarentena em relação a 2019


Número de companhias criadas em setembro é 11% superior a 2019, apontam dados da Jucesp. Com 280 fechadas, saldo foi de 263, o maior desde fevereiro, antes do início das medidas para conter o avanço da Covid-19. Campinas tem maior número de empresas criadas desde início da pandemia
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
Pela primeira vez desde o início da quarentena do novo coronavírus, Campinas (SP) registrou alta na criação de empresas no balanço mensal da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), em comparação com 2019. Setembro teve 543 novos negócios, um aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram 489.
Foi o mês com mais empresas abertas desde março; e o saldo também foi superior. Com 280 companhias fechadas, restaram 263, 42,9% a mais que em setembro do ano passado. Veja a evolução do cenário na cidade no gráfico abaixo:
Economista e professor da PUC-Campinas, Roberto Brito alerta que é cedo para celebrar e é preciso ter cautela. Os números são um alento, mostram melhora diante de retomada lenta e gradual da atividade econômica, mas revela a busca incansável e desesperada por sobrevivência na pandemia.
“Tem que levar em consideração a preocupação de grande número de pessoas tomando iniciativa empreendedora a partir de uma situação de necessidade. Isso também deve ser considerado como reflexo do desemprego no 1º semestre, mas também na atuação informal, da luta pela sobrevivência de parte dos trabalhadores brasileiros, que não encontraram a porta do mercado de trabalho aberta.”
Além disso, os dados tratam de dissoluções formais das empresas, fato que só é possível após a liquidação de dívidas.
“É possível que tenhamos empresas que tenham tido as portas baixadas e parado as atividades, mas que o fechamento formal não foi oficializado. Neste contexto, a gente tem uma armadilha estatística para ser ponderada.”
A dispensa do pagamento da tarifa para abertura de empresas – medida inédita adotada pela Junta Comercial na pandemia – vai até a próxima sexta-feira (23), e vale para todos os tipos jurídicos. Mas Brito acredita não ter sido esse o maior motivo pela alta nos índices de setembro.
“O governo brasileiro, desde 2019, vem atuando forte no processo de desburocratização, e isso tem sido importante para a atividade empreendedora. A eliminação da tarifa não é algo de fato que pesa na decisão e tomada de investimento. Isso pode servir como uma antecipação da ação para aqueles que estão decididos, mas não podemos falar que é indutor para abrir uma empresa.”, defende.
Entre abril e julho – meses mais críticos da pandemia do novo coronavírus na região – Campinas teve queda de 45% na criação de empresas, conforme noticiou o G1 em agosto.
Rua 13 de Maio, principal corredor de compras da área central de Campinas, com sinalização no chão para pedestres e maioria das lojas fechadas em junho.
Denny Cesare/Código19/Estadão Conteúdo
Opção para minimizar riscos
O levantamento da Jucesp, feito a pedido do G1, aponta que houve uma preferência na escolha dos empreendedores pelo tipo de empresa aberta em setembro. Veja o comparativo abaixo:
Em 2020: 70% foram Sociedades Limitadas, 18,8% Empresários Individuais, 10,3% Empresas Individuais de Responsabilidade Limitada (Eireli’s) e 1% de Sociedade por Ações.
Em 2019: o mesmo mês teve 37,6% de Sociedade Limitada, 33,3% do tipo Empresário Individual, 28,8% Eireli’s e 0,2% Sociedade por Ações.
Na análise do economista da PUC Campinas, o incremento em empresas de Sociedade Limitada se deve à união de esforços e habilidades para ter uma renda na crise econômica, à maior segurança para os investidores neste formato de negócio e à necessidade de buscar um sócio para somar o valor necessário para empreender.
“A Sociedade Limitada é a junção de dois ou mais proprietários através de elaboração de um contrato social. Você cria uma sociedade, a empresa deve responder exclusivamente por seus compromissos, diminuindo o risco de afetar o patrimônio daqueles que a abriram.”
“Existe um maior número de pessoas em situação de vulnerabilidade dando as mãos. Esse ‘exército’ de mão de obra ociosa, as pessoas estão buscando uma alternativa conjunta. É o primeiro grande motivador. O segundo é a orientação jurídica e contábil de tentar diminuir os riscos para aquele que é o investidor. […] No geral, o volume de investimentos é baixo.”, pontua Brito.
Recorde no estado
Apesar da pandemia, a Jucesp registrou recorde histórico de novos CNPJs no estado de São Paulo, com 23.205 empresas criadas “ultrapassando a marca alcançada no mês de agosto, que já havia sido considerada o maior número registrado desde 1998, 22.825”, informou a Junta.
“O número é relevante, pois mostra a tendência de crescimento na retomada da economia, sendo esta a quinta alta seguida na abertura de empresas em São Paulo desde abril.”, explicou o órgão.
E os próximos meses?
Roberto Brito acredita que a recuperação econômica do Brasil continuará lenta nos próximos meses. O momento é de redução nos recursos financeiros disponíveis, com o auxílio emergencial mais restrito e de menor valor se comparado aos meses anteriores. Passou de R$ 600 para R$ 300, conforme divulgação em setembro.
“Os próximos três meses vão sinalizar o menor volume de recursos injetados na economia pelo governo federal através do auxílio emergencial. A tentativa é que esse delta seja compensado com um aumento nas atividades comercial e de serviços em função da diminuição das medidas restritivas e da chegada do fim do ano.”
O economista ressalta que o maior problema pode estar no começo de 2021, com as tradicionais contas do início do ano, acertos de empresas e dúvidas em relação à continuidade da ajuda emergencial do governo federal.
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus
Arte/G1
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