quinta-feira, dezembro 3, 2020

Entenda por que o urubu-rei é uma “majestade”


Ave é a maior entre as cinco espécies de urubu que ocorrem no Brasil. Espécie depende de áreas de floresta para sobreviver
Chico Escolano/TG
Na monarquia das aves brasileiras o urubu-rei (Sarcoramphus papa) carrega toda pompa e importância por ser o maior e mais colorido entre as cinco espécies de urubus que vivem no Brasil. Diferente dos “parentes” que apresentam plumagem totalmente preta, a ave desfila pelas florestas, bordas de mata, capoeira e savanas o corpo branco, com cauda e coberteiras pretas, pescoço alaranjado e íris branca.
Com até 81 centímetros de comprimento, possui asas com envergadura que chega a medir 1,8 metro. Para sustentar o porte, a espécie capricha na alimentação, baseada em carcaças de mamíferos como antas e capivaras, além grandes peixes, jacarés, serpentes e aves. “O título de rei é inspirado na ‘preferência’ que o urubu garante ao se alimentar das carcaças, já que o tamanho inibe a chegada de outras aves. Além do porte avantajado, ele é bem agressivo, inclusive com indivíduos da mesma espécie, então as aves não costumam disputar por comida com o urubu-rei”, explica o ornitólogo Willian Menq.
A preferência na refeição se dá também pelo bico mais forte do que o dos outros urubus, o que permite ser o único capaz de rasgar o couro de algumas presas.
A denominação urubu-rei segue a tradução literal do nome científico: Sarcoramphus papa pode ser entendido como “o pai dos comedores de carne podre”, pois Sarco é carne, ramphus é podre, e papa pode ser entendido como o pai.
Porte avantajado e agressividade garantem ao urubu-rei preferência na hora de se alimentar
Willian Menq/Arquivo Pessoal
Conhecida também como corvo-branco, urubu-real, urubutinga e urubu-rubixá, a espécie pode ser observada voando alto, sozinha ou aos pares, mas raramente em grupos. Para descansar, opta por árvores altas e paredões rochosos, local escolhido também para nidificar: coloca um único ovo que é incubado pela fêmea ou pelo casal por até 58 dias.
De plumagem preta, o jovem fica dependente do cuidado parental e só sai do ninho após mais de quatro meses. As cores típicas da espécie são conquistadas após os seis meses de idade, quando os tons branco e amarelados tomam conta. 
“Faxineiros alados” da natureza, urubus são vítimas da má fama
Conheça as cinco espécies de urubu que ocorrem no Brasil
Arte TG
Ameaças ao rei
A lista nacional de espécies ameaçadas de extinção não inclui o urubu-rei. No entanto, a ausência na listagem não é sinal de conservação. “Percebemos um declínio populacional grande em várias regiões do País, principalmente em estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde a ave é considerada rara”, destaca Willian.
O especialista explica que hoje a principal ameaça à espécie é o desmatamento e a perda de habitat. “Onde não há floresta não há urubu-rei, por isso, a degradação de florestas impacta diretamente na conservação da espécie, principalmente na Mata Atlântica”, diz.
Escalada ajuda na conservação do urubu-rei no Sul de São Paulo
O urubu-rei, o maior e mais belo urubu do Brasil, é destaque no acervo de fotógrafos de natureza
Paulo Couto/ Arquivo Pessoal
Menq reforça a necessidade de investir em pesquisas sobre a espécie, etapa importante para mapear a situação da ave no Brasil. “Hoje a prioridade de pesquisa é no monitoramento populacional: precisamos entender a saúde das populações de determinadas regiões do País, para termos dados concisos que podem ser importantes em futuras atualizações de listas vermelhas”.
“Outra questão é investigar se os urubus-rei estão sofrendo ou não com carcaças envenenadas, algo que a gente não sabe se acontece. Vemos casos assim em outros países onde os abutres morrem envenenados. Se isso acontecer aqui, o rei com certeza será a espécie de urubu mais impactada pela raridade e baixa densidade populacional”, detalha o especialista, que explica as características do envenenamento.
“Quando o gado ou mesmo um animal nativo se alimenta de alguma presa envenenada, ou de um fruto com pesticida por exemplo, ele adquire essa substância na biomassa e, ao ser predado, também contamina o animal, no caso o urubu”, finaliza.
Desmatamento e perda de habitat ameaçam a espécie em áreas de Mata Atlântica
Terra da Gente/Arquivo Pessoal

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