quinta-feira, dezembro 3, 2020

Observação de primatas em Unidades de Conservação passa a ser atividade regulamentada no estado de São Paulo


Prática é importante para incentivar conservação das matas e dos animais; técnicos e pesquisadores participaram da elaboração da lei. O muriqui-do-sul é considerado uma espécie em perigo.
Caio Ferreira – FiloGnu/Vc no TG
O estado de São Paulo é casa para 10 espécies nativas de primatas, dessas, seis estão ameaçadas de extinção. Fragmentação do habitat é a principal ameaça para esse animais, já que o desmatamento não só prejudica a oferta de alimento e abrigo, como também isola as populações.
Por isso, conservar as espécies em ambientes protegidos, como em Unidades de Conservação, é o objetivo de muitos pesquisadores que agora contam com o reforço: na última sexta-feira (23/10) a prática de observação de primatas foi regulamentada em todo o estado de São Paulo. “Essa conquista é muito positiva, porque a partir de agora conseguimos estabelecer normas para a atividade, respeitando a ecologia do animal e as populações dos primatas. A nova Portaria também estimula o desenvolvimento de outras atividades conservacionistas”, destaca o médico veterinário Pietro Scarascia, gestor do Parque Estadual Carlos Botelho.
Inicialmente, a ideia era regulamentar a prática de observação de primatas no Parque Estadual Carlos Botelho, no entanto, a equipe da Fundação Florestal optou por expandir o projeto a todas as Unidades de Conservação do Estado
Sagui-da-serra-escuro é endêmico da Mata Atlântica do sudeste do Brasil
Arquivo TG
O especialista explica a importância de práticas como essa para a conservação da fauna. “A partir do momento que temos conhecimento de determinada espécie, passamos a conservá-la, a ponto de adaptarmos práticas comuns, que aparentemente não tenham ligação com a conservação – como a destinação correta dos resíduos e o uso sustentável dos carros, por exemplo; até a forma de manejo de uma propriedade particular”, diz.
Ele destaca também a força que as atividades de observação exercem no ecoturismo e no desenvolvimento das comunidades locais, outro ponto importante na luta pela proteção das espécies. “Produtores rurais que antes desejavam expandir áreas produtivas, podem agora mudar de ideia e tentar trabalhar com ecoturismo. Essas atividades são ótimas alternativas para complementar a renda e, consequentemente, evitam a destruição dos ecossistemas”, completa.
O bugio é uma espécie arborícola de hábito diurno e crepuscular
Renato Paiva/VC no TG
Entenda a portaria
O processo de criação e aprovação do projeto contou com a participação de pesquisadores, gestores de parques, monitores, empresas de ecoturismo e técnicos ambientais que, juntos, determinaram as regras previstas na Portaria Normativa nº324/2020.
“Agora, as Unidades de Conservação que pretendem atuar com a observação dos primatas precisam se atentar às normas e determinar uma área dentro da própria UC que seja factível de executar a atividade”, explica Pietro, que destaca a necessidade de um apoio técnico para essa etapa.
“Pesquisadores e gestores ambientais devem auxiliar na determinação da área. O respaldo técnico e científico nesse processo é crucial para garantir que as populações de primatas não sejam afetadas”, completa.
É necessário um monitor para cada cinco ecoturistas
É permitida a entrada dos monitores ambientais nas UCs até três dias antes da atividade, com o objetivo de identificar a localização dos animais
O tempo de observação após o encontro com os primatas não pode ultrapassar três horas
Os ecoturistas devem realizar um cadastro para realizar a atividade de observação
É obrigatório comprar a imunidade contra Febre Amarela, por meio de carteira de vacinação
A atividade poderá estar sujeita à cobrança de ingresso para visitação pública nas Unidades de Conservação, que deverá ser pago à Fundação Florestal pelo site de venda online de ingressos ou no ato da entrada do ecoturista na Unidade de Conservação.
O mico-leão-preto é reconhecido como símbolo do estado de São Paulo
Katie Garrett/Arquivo Pessoal
Outro passo importante é capacitar os monitores que guiarão os visitantes durante as saídas de observação. “É importante que os monitores ambientais estejam preparados para exercer essa atividade, que é essencialmente monitorada”.
A capacitação conta com temas como introdução à biodiversidade, biomas e estratégias de conservação; características de ecologia, distribuição e comportamento dos primatas encontrados na área; métodos de observação de primatas a campo e equipamentos básicos para atividades de campo.
Pietro explica ainda que a regulamentação não torna a atividade obrigatória, mas facilita a inclusão da prática nos projetos de atuação não só de Unidades de Conservação estaduais, mas também RPPNs e UCs privadas.
Parques como o Parque Estadual Carlos Botelho, Parque Estadual Morro do Diabo e APA São Francisco Xavier já realizam atividades de observação de primatas
bugio preto
Alexandre Sá/TG
Primatas ameaçados
Na lista de primatas do estado de São Paulo que correm risco de extinção, o sagui-da-serra-escuro chama atenção por ser considerado uma das 25 espécies mais ameaçadas do mundo. “Além dele, o mico-caiçara também preocupa, já que a população é estimada em apenas 400 indivíduos, encontrados no Parque Estadual do Lagamar”, explica Edson Montilha, gerente da Fundação Florestal.
De acordo com o especialista, 60% das espécies paulistas sofrem algum tipo de ameaça. “Mico-leão-preto, bugio-ruivo, bugio-preto e muriqui-do-sul completam a lista”.
Além das 10 espécies nativas, o estado de São Paulo abriga ainda o sagui-de-tufos-pretos, espécie introduzida na região.

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