quarta-feira, novembro 25, 2020

Cateto 'aposentado': resgates e superação marcaram a vida do animal


Agora “avô”, o cateto decidiu morar próximo à sede dos técnicos, em Matão (SP); 12 catetos já foram soltos na natureza através de projetos de recuperação de biodiversidade. Depois de reabilitado, animal foi solto em área monitorada e formou família
Fernando Magnani/Arquivo Pessoal
Este velhinho tem uma história de vida intensa: foi órfão criado por mãos humanas e passou por centros de triagem de animais. Quando solto sofreu um ataque de predador do qual escapou muito machucado. Recuperado, foi solto novamente em outra região, onde conseguiu constituir família com filhos e netos. Agora recolheu-se à tranquilidade de sua aposentadoria, passando o bastão de líder para seu filho mais velho.
Esse trecho parece até um conto infantil, mas é na verdade o relato do biólogo Fernando Magnani, que há mais de 15 anos atua com projetos de recuperação de biodiversidade no estado de São Paulo. O “cateto aposentado” é um dos muitos indivíduos que foi reabilitado e solto pela equipe do especialista, mas carrega uma história curiosa e cheia de detalhes.
“O animal foi encontrado sozinho, ainda filhote, na região de Minas Gerais, próximo a Juiz de Fora. Depois de passar um tempo no Centro de Triagem, foi solto em uma área adaptada para a prática, mas de cara sofreu uma tentativa de predação. Ele voltou por conta própria até o recinto, todo machucado, com a perna quebrada. Nós achávamos que não conseguiria se recuperar”, conta Magnani.
Logo após a primeira soltura o cateto retornou à sede de reabilitação com muitos ferimentos
Fernando Magnani/Arquivo Pessoal
Para a surpresa dos técnicos, o cateto resistiu aos ferimentos e foi encaminhado a um novo centro de triagem. “A veterinária praticamente o ‘reconstruiu’ e a recuperação foi tão boa que pudemos soltá-lo novamente, em outra área”, diz.
A segunda tentativa de retorno à natureza, dessa vez em Matão (SP), foi bem sucedida: o animal logo formou família, teve filhotes e até netos. “Ele literalmente chegou à idade avançada e se ‘aposentou’. Parece que a missão foi cumprida, porque há um tempo ele saiu de perto do grupo e voltou a frequentar a sede da área de soltura: adotou um cantinho por conta própria, onde passa a maior parte do dia”, completa o biólogo.
Devido à grande semelhança com o javali, a espécie é comumente chamada de porco-do-mato
Fernando Magnani/Arquivo Pessoal
De volta ao lar
De acordo com Fernando Magnani, projetos de reabilitação e soltura de catetos são importantes para o equilíbrio das matas. “Essa prática nos permite reestabelecer padrões naturais e reestabelecer a cadeia alimentar, pois a espécie é presa de animais de grande porte e predadora de espécies menores. Além disso, por se alimentar também de frutos, é uma ótima dispersora de sementes, ajudando a reflorestar o ambiente”, explica.
O processo é longo e conta com várias etapas de soltura. “Os animais são transferidos para uma área cercada. Depois de um tempo as cercas são removidas e os animais ficam com livre acesso à região, que segue sendo abastecida diariamente com alimento. Naturalmente os catetos deixam de frequentar a área cercada e se adaptam ao ambiente natural. De qualquer maneira, mantemos alguns comedouros, como alimentação suplementar, garantindo que encontrem recursos para sobreviver”, completa o biólogo, que destaca também a etapa de monitoramento.
“Após a soltura monitoramos os animais e as populações que são formadas com o tempo. Esse monitoramento é feito através de armadilhas fotográficas e visualização de campo, principalmente”, completa.
A equipe de Magnani já reintroduziu 12 indivíduos em diversas áreas autorizadas pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente para receber os animais. “Chamamos de ‘Área de Soltura e Monitoramento de Fauna’. O programa realizado com proprietários rurais que possuem áreas com potencial de reintrodução”, diz o especialista, atua também com a reintrodução de araras-canindé na cidade de Araras (SP), e reintrodução de antas em Descalvado (SP).
Espécie não corre risco de extinção, mas sofre com a perda de habitat
Fernando Magnani/Arquivo Pessoal
Catetos
Chamados popularmente de porcos-do-mato, os catetos (Pecari tajacu) medem e 80 a 106 centímetros de comprimento e podem pesar até 30 quilos. O corpo é castanho-acinzentado, com faixa branca no pescoço, característica que ajuda a distingui-lo do queixada, cuja mancha branca vai da mandíbula até a parte de cima do focinho.
Presente em todos os biomas brasileiros, exceto no extremo Sul do País, a espécie não consta na lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção, no entanto, as populações sofrem com a perda de habitat.
No período reprodutivo nascem geralmente dois filhotes, que mamam por aproximadamente seis semanas
Fernando Magnani/Arquivo Pessoal
Acostumados a viver em grupos numerosos, os catetos são territorialistas, costumam ser ativos no período da manhã e no final da tarde e adoram rolar na grama.
Onívoros, se alimentam de plantas verdes, raízes, frutos e sementes, além de pequenos vertebrados e invertebrados.

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