terça-feira, dezembro 1, 2020

Consórcio PCJ compara estiagem atual com crise hídrica de 2014 e lança novo alerta de emergência


Volume de chuva 25% menor do que o ideal nesse ano afetou todas as cidades que fazem parte da bacia PCJ. Municípios da região já enfrentam racionamento e decretaram estado de emergência ou calamidade hídrica. Com estiagem, Consórcio PCJ determina alerta emergencial de restrição no consumo de água
O Consórcio da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) emitiu um novo alerta de emergência por causa do risco de desabastecimento de água na região. Já é o segundo em menos de dois meses.
O volume de chuva 25% menor do que o ideal nesse ano afetou todas as cidades que fazem parte da bacia PCJ, de acordo com a entidade, que compara o cenário de estiagem atual ao de 2014, quando houve a crise hídrica.
“Algo que nós esperávamos, que eram chuvas, elas não ocorreram, ou ocorreram na ordem de 1,5 milímetro. Então fizemos o segundo alerta para que a sociedade realmente consuma dentro da normalidade, nem uma gota de água a mais”, explica Francisco Lahoz, secretário executivo do Consórcio PCJ.
De acordo com o PCJ, a situação é pior para as cidades que não dependem do Sistema Canteira. O risco é faltar água para os moradores por causa da dificuldade em captação em rios e represas.
Em Cosmópolis (SP), os reflexos da estiagem podem ser vistos ao longo de toda a represa do Pirapitingui, a única responsável pelo abastecimento da cidade. Hoje, ela está só com 10% da capacidade. Os bancos de areia estão aparentes e a água está escura porque se misturou com a lama do fundo da represa.
Represa do Pirapitingui, em Cosmópolis
Jefferson Barbosa/ EPTV
A prefeitura declarou estado de emergência por causa da estiagem. A cidade ainda não decretou racionamento, mas a consequência da represa seca já chegou em alguns bairros. Moradores relatam desabastecimento.
“Foi de uma vez. Até a hora que eu saí de casa não tinha água”, conta a dona de casa Ednalva Campos
“E roupa para lavar? E quem tem criança?”, questiona a dona de casa Maria Aparecida
Para captar mais água da represa, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) já fez duas obras emergenciais. Um equipamento foi instalado pra aumentar a vazão, mas mesmo assim ainda não é suficiente.
Para abastecer toda a cidade, é necessário retirar 900 metros cúbicos por hora e hoje são captados cerca de 500.
“Eu posso responder pelos 28 anos que eu trabalho no departamento de água: nunca vi uma situação desta”, diz o secretário de Saneamento Básico de Cosmópolis, Alexandre Francisco de Almeida.
Segundo a prefeitura, a única saída para melhorar o nível da represa é uma chuva volumosa. Enquanto ela não vem, o pedido é para que a população economize.
“Pelo menos 40% do que a população gasta precisaria ser economizado e, também, eu preciso de chuva para o manancial se recuperar e voltar à minha produção normal”, acrescenta Almeida.
Moradores pegam água de fonte em Artur Nogueira, que enfrenta racionamento
Jefferson Barbosa/ EPTV
Em Artur Nogueira (SP), a prefeitura decretou estado de calamidade hídrica por dois meses e fez racionamento.
Santo Antônio de Posse (SP) também está na mesma situação. Os moradores enfrentam racionamento desde o mês passado e, a partir de agora, o rodízio nos bairros passa a ser feito todos os dias da semana. São 18 horas de abastecimento e 30 sem água nas torneiras.
São Pedro (SP) decretou estado de emergência pela dificuldade de captação. Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP) também passam pelo mesmo problema.
Santo Antônio de Posse enfrenta racionamento desde o mês passado
Jefferson Barbosa/ EPTV
Falta investir em alternativas, diz consórcio
Para o Consórcio PCJ, faltam investimentos em alternativas pra não depender só da chuva.
“Se o lençol freático não for recarregado o suficiente agora, o reflexo negativo vem no ano seguinte. Por isso que temos que concluir os reservatórios de Pedreira e Duas Pontes, em Amparo, do Piraí, em Salto, construir reservatórios municipais, incentivar o uso de bacias de retenção na zona rural e de cisternas na zona urbana”, elenca Lahoz.
“A gente vê várias pessoas que não está tendo consciência. Você vê lavando carro, calçada e não tem necessidade de fazer isso. Então, a gente tem que se conscientizar mais”, diz a vendedora Eliana Barbosa.
O que dizem poder público e empresa de saneamento
As prefeituras de São Pedro e Cordeirópolis e também a empresa responsável pelo abastecimento em Limeira disseram que não há risco de faltar água. Mas a situação é de alerta e pedem para que os moradores economizem.
O Departamento de Água e Energia Elétrica, do governo do estado, disse que a construção da barragem de duas pontes, em Amparo (SP), continua paralisada por causa de uma decisão da Justiça Federal e que já recorreu. Sobre a barragem de Pedreira (SP), disse que as obras estão em andamento e devem ser concluídas em 2022.
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