quarta-feira, novembro 25, 2020

MP-SP protocola denúncia e pede a prisão do nutrólogo Abib Maldaun Neto

O Ministério Público de São Paulo denunciou nesta quinta-feira, 05, o nutrólogo Abib Maldaun Neto pelos crimes de violação sexual mediante fraude e requisitou à Justiça a prisão preventiva do médico. Maldaun Neto é acusado de ter abusado 15 vezes de uma mesma mulher durante consultas na clínica particular que mantém no bairro dos Jardins, zona nobre de São Paulo. Ele também foi denunciado por ter violado outras oito mulheres diferentes.

Os abusos relatados pelas vítimas no processo datam de 2012 a este ano. O pedido de prisão preventiva, portanto, tem como objetivo impedir que o médico continue praticando os crimes. A solicitação também foi feita para evitar ameaças às vítimas que oficializaram a denúncia contra o nutrólogo.

Ao todo, 23 mulheres procuraram o Ministério Público para denunciar Maldaun Neto, mas nem todas seguiram com o processo. Muitos dos casos também prescreveram, como um relato que remetia a um crime cometido em 1997.

O médico já foi condenado em segunda instância a dois anos e oito meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de violação sexual mediante fraude cometido contra uma paciente em 2014. A sentença e os relatos de novas vítimas foram revelados por VEJA no dia 18 de setembro. Após a repercussão, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) cassou o registro do nutrólogo.

Maldaun Neto é um médico conhecido entre celebridades e políticos. O trabalho do nutrólogo com a medicina ortomolecular lhe rendeu reconhecimento internacional e honrarias como a Medalha Anchieta, a maior condecoração concedida na cidade de São Paulo. No Instagram, constam participações em programas de TV e fotos com personagens conhecidos, como os apresentadores Celso Portiolli e Ratinho.

O especialista teve sua conduta questionada a partir de uma acusação feita em 2014. Segundo a denúncia, Maldaun Neto perguntou sobre a vida sexual da paciente durante a consulta, pediu a mulher que tirasse as roupas e introduziu os dedos em sua vagina. Ao final, abraçou a vítima e disse que ela que poderia conside­rá-lo como um amigo. “Quando cheguei em casa, esfregava o meu corpo com muita força no banho e repetia em voz alta que aquilo não tinha acontecido”, afirmou a acusadora, que não quis se identificar, a VEJA. Foi esse processo que levou à condenação do médico em segunda instância, por 3 votos a 0, em julho deste ano. Ele nega ter cometido os crimes.

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