terça-feira, dezembro 1, 2020

De dentro de casa, observadora registra ataque de gavião-miúdo a sanhaçu em Campinas (SP)


Regina Manzur ouviu a “luta” entre as espécies; imagens são fortes, mas refletem lei da natureza. Uma das maneiras de caça do gavião-miúdo é ficar em um poleiro escondido entre a vegetação para localizar presas como o sanhaçu-cinzento
Regina Manzur/VCnoTG
Em quarentena em Campinas (SP), a escrevente técnico judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo, Regina Brisolla Manzur, conseguiu flagrar uma cena forte e impressionante da natureza. A imagem de um sanhaço-cinzento capturado por um gavião-miúdo impressionou observadores de aves quando postada na internet. Mais de cem fotos foram obtidas em pouco mais de um minuto, antes que a ave de rapina voasse carregando a presa pelas garras.
O mais impressionante é que essa cena toda foi flagrada de dentro de casa. Quando a pandemia começou, em março, a escrevente tinha acabado de retornar de uma expedição em busca de aves do Nordeste brasileiro. Conciliando o trabalho com o hobbie, Regina tinha cerca de 17 mil fotos dessa viagem para tratar e editar durante a quarentena, mas com a passagem dos meses até mesmo essa tarefa foi cumprida.
Sanhaçu-cinzento resistiu de forma intensa ao ataque do gavião-miúdo; observadora não viu o desfecho
Regina Manzur/VCnoTG
O caminho era “passarinhar em casa” e, entre as 62 espécies diferentes flagradas, uma tarde de outubro garantiu à observadora a cena forte de seu acervo. “Estava trabalhando quando ouvi um barulho esquisito que parecia vir da árvore que fica em frente à minha casa. Saí na garagem com a câmera que fica sempre à mão, olhei para cima e vi um gavião. Era diferente, eu nunca tinha visto, mas suspeitei que fosse o gavião-miúdo”, conta.
A aposta estava certa! E, curiosamente, essa ave era um objetivo para Regina, que já tinha tentando flagrá-la antes. Por isso, ao detectar a espécie, começou a fotografá-la tão rápido que nem notou o detalhe principal. “Depois de fazer umas 50 fotos que percebi que tinha um sanhaçu-cinzento junto a ele e o som que tinha me chamado a atenção deveria ser do sanhaçu gritando”, descreve a observadora.
Embora seja uma ave de rapina pequena, gavião-miúdo não hesita em atacar até mesmo presas maiores
Regina Manzur/VCnoTG
“Eu fiz 150 fotos em um minuto e treze segundos, o tempo entre a primeira e a última foto”, conta a observadora de aves Regina Manzur
Ao avaliar os registros feitos com tanta empolgação, a emoção em visualizar a ave de rapina tão desejada deu lugar a outro sentimento: “tive pena do sanhaçu quando vi as fotos. Por mais que seja natural, é sempre triste ver um bicho ou ave sendo predado. Por um lado, eu queria que o sanhaçu escapasse e por outro, pensando no gavião-miúdo, não seria bom que ficasse sem o alimento. É a lei da sobrevivência na natureza!”.
Registro da tentativa de captura para predação foi feito perto do parque Hermógenes de Freitas Leitão, na região da Unicamp, em Campinas (SP)
Regina Mazur/VCnoTG
Regina não conseguiu ver o desfecho da “luta pela sobrevivência”. A ave voou levando a presa e deixou para trás uma observadora orgulhosa pela conquista do registro. Ela, que entrou para o mundo da observação de aves há três anos, pegou gosto pela prática após expedições em busca dos pássaros e foi descobrindo um novo universo. “Antes eu não acreditava que de certa forma a gente podia se comunicar com as aves. Também não imaginava que tinha gente que saía para fazer isso e não tinha ideia do que estava perdendo”, afirma.
O contato com os animais silvestres e até a tarefa de tratar as fotos e postá-las nos sites especializados agregam conhecimentos sobre as espécies. “O mais importante é que se aprende a respeitar a natureza e querer que os outros respeitem também. Quanto mais gente apreciar essa atividade, mais chances temos de conscientizar a todos sobre a importância da preservação dos nossos riquíssimos biomas”, conclui.
Gavião-miúdo voou levando a presa antes que a observadora pudesse saber o desfecho do “conflito”
Regina Manzur/VCnoTG

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