quarta-feira, dezembro 2, 2020

Conheça o golfinho mais ameaçado do Brasil


Toninha (Pontoporia blainvillei) tem hábitos costeiros; captura acidental em redes de pesca é o maior desafio para a sobrevivência da espécie. As toninhas também são conhecidas como boto-cachimbo, boto-amarelo e golfinho-franciscana.
Daniel Danilewicz/Arquivo Pessoal
Entre o litoral do Espírito Santo, no Brasil, e a patagônia Argentina vive o golfinho mais ameaçado da América Latina. Acredita-se que apenas 25 mil toninhas ocorram em águas brasileiras e a captura acidental (quando o pescador não tem a intenção de matar o golfinho) é hoje a maior ameaça à espécie.
A toninha (Pontoporia blainvillei) foi descrita pela primeira vez em 27 de abril de 1844 pelos franceses Paul Gervais e Alcide d’Orbigny, mas cientistas apontam que sua linhagem exista há mais de um milhão de anos.
Com um “bico” longo e fino com mais de 200 dentes e um comprimento que atinge até 1,7 metros, as fêmeas são maiores que os machos e chegam a pesar 32 quilos. Possuem uma coloração que varia entre tons acinzentados, marrons e amarelados.
As toninhas são mamíferos marinhos pertencentes ao grupo Cetartiodactyla, que reúne animais como botos, baleias, golfinhos, toninhas, entre outros.
Arlaine Francisco/Arquivo Pessoal
Esses cetáceos, diferente de outros golfinhos, não costumam saltar e vivem em pequenos grupos. Pesquisas indicam que possam ser monogâmicos, formando casais durante pelo menos uma estação reprodutiva. A gestação dura cerca de 11 meses.
Os filhotes, que nascem na Primavera, mamam até os nove meses de vida. Outra diferença é que, apesar de ter hábitos costeiros e viver muito próxima da praia, logo atrás da zona de arrebentação das ondas, a toninha é tímida e raramente avistada.
O parente mais próximo da toninha é o boto-cor-de-rosa, que vive nos rios da Amazônia
Os filhotes começam, entre 4 e 6 meses de idade, a complementar a alimentação com outros alimentos como camarões.
Júlio Cardoso/Arquivo Pessoal
Criticamente Ameaçada
As toninhas são consideradas criticamente ameaçadas de acordo com a classificação brasileira que leva em consideração os dados de pesquisadores. As análises estimam um possível declínio de 50% da população.
Mas por que isso acontece? Antigamente os nascimentos dessa espécie superavam as taxas de mortalidade natural e havia um equilíbrio. Entretanto, a pesca apareceu e desregulou a equação biológica.
A pesca acidental é responsável por grande parte das mortes de toninhas.
Júlio Cardoso/Arquivo Pessoal
Esses golfinhos acabam se enrolando nas redes de pesca e não conseguem subir à superfície para respirar, morrendo asfixiados.
Estima-se que em torno de 300 mil golfinhos e baleias morram por ano pela pesca acidental
A degradação do habitat natural também prejudica a sobrevivência desses animais. A poluição, por exemplo, oferece grande risco à espécie à medida que as toninhas acumulam muitos contaminantes químicos em seus tecidos, como pesticidas e metais.
As toninhas vivem em grupos pequenos, com 2 a 5 indivíduo e possuem a nadadeira dorsal pequena e triangular e a nadadeira peitoral em formato de espátula.
Arlaine Francisco/Arquivo Pessoal
Como ajudar?
Conhecer as toninhas e compartilhar informações sobre esses mamíferos são formas de estimular a conservação e a ciência.
Saber a origem dos alimentos e consumir produtos de pescadores que seguem a legislação e contribuem com a pesquisa e conservação das espécies é outra maneira de ajudar.
Caso encontre uma toninha ou qualquer outro cetáceo na areia, é imprescindível comunicar instituições de pesquisa da região que podem recolher o animal e realizar estudos para um maior conhecimento das espécies.

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