segunda-feira, novembro 30, 2020

Dia do Pantanal: o que temos a aprender com o bioma que resiste em meio às cinzas


Crônica reflete sobre os incêndios que marcaram a maior planície alagável do mundo e como a situação traz reflexos importantes para futuro do domínio natural. Áreas atingidas pelo fogo no Pantanal já apresentam sinais de resiliência
Terra da Gente
Em 12 de novembro é celebrado o Dia do Pantanal, a data é um momento oportuno para refletir sobre a importância da biodiversidade desse domínio natural e tudo o que ele representa para o nosso país.
Você provavelmente nunca ouviu falar tanto do Pantanal como neste ano e, infelizmente, o motivo para tamanha repercussão nacional e internacional era trágico: um incêndio de grandes proporções. Os dados atuais do território devastado pelas chamas impressionam e batem recordes: são mais de 4 milhões de hectares queimados.
Mesmo apresentando esses números exacerbados, para muita gente ainda é difícil compreender o impacto do fogo que se alastrou na maior planície alagável do mundo. Mais do que esses elementos, o que chocou boa parte da população foram imagens do cenário apocalíptico enfrentado pela comunidade local, pantaneiros, fazendeiros, proprietários de pousadas, voluntários e brigadistas que atuaram na linha de frente do combate para defender o bem mais precioso que tinham.
Mais de 4 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo
Terra da Gente
Foram meses de caos e luta contra as chamas. Muitas vezes labaredas de mais de quatro metros tomavam conta de algumas áreas e claro que era impossível combatê-las. Outra luta desumana era contra o fogo subterrâneo. De uma maneira geral, os combatentes iam para a guerra não para apagar os focos de incêndio em si, já que na grande maioria das vezes a situação era incontrolável, mas o objetivo era amenizar o estrago e evitar que a situação se proliferasse.
Demorou, mas o fogo cessou, pelo menos em partes. Ainda hoje existem pontos que continuam queimando, mas são minoria perto do cenário inicial dessa catástrofe ambiental.
Quem visitar o Pantanal mato-grossense ou sul mato-grossense verá por enquanto uma paisagem “pós-guerra”, onde as cinzas e as marcas do fogo predominam no território. Mas não é preciso um olhar muito refinado para notar que mesmo em um cenário aparentemente sem vida, a natureza está presente e em algumas áreas já renasce.
Guia fotografou fêmea de onça-pintada com filhote no Pantanal (MT)
Ricardo Casarin
No Pantanal Norte, por exemplo, é possível avistar a riqueza da fauna local, seja na Estrada Parque Transpantaneira, e até mesmo em ilhas de alimentação montadas por voluntários nos arredores do percurso. No Parque Estadual Encontro das Águas que teve mais de 80% do território atingido pelo fogo também é possível ter encontros emocionantes. O local abriga a maior densidade de onças-pintadas do mundo, são cerca de 8 onças a cada 100 km², enquanto na Amazônia por exemplo estima-se 4 animais a cada 100 km². Nos últimos meses avistamentos do maior felino das Américas, inclusive de fêmeas com filhote, trouxeram esperança para todos.
Não se sabe, por enquanto, quais são os verdadeiros impactos do incêndio à fauna e flora pantaneira. Muitos animais morreram, alguns ficaram feridos e outros tiveram uma segunda oportunidade ao receberem cuidados de veterinários voluntários que atuavam no resgate aos bichos.
Já a flora é um caso a parte. Foi atingida de forma avassaladora. O estrago foi gigantesco, muitas áreas tiveram a cobertura vegetal totalmente queimadas. Vale lembrar que o Pantanal está na confluência com outros domínios naturais como Amazônia, Cerrado e Chaco, isso significa que cada parte atingida sofre também um tipo de impacto e o processo de recuperação em cada um deles será distinto.
Após as primeiras chuvas vegetação verde já começa a surgir em área atingida
Terra da Gente
Muitas áreas passarão por uma sucessão ecológica, mas é difícil saber quantos anos, décadas ou até mesmo séculos serão necessários para a natureza se recuperar completamente. Novas espécies começaram a surgir em alguns locais após as primeiras chuvas e, aos poucos, outras consequentemente aparecerão, porém o desenvolvimento deve ser mais lento. É difícil até para pesquisadores apontarem o reflexo do fogo e também como será a recuperação local, mas a natureza trará tais respostas.
O incêndio florestal de 2020 foi uma das maiores tragédias enfrentadas pelo Pantanal nos últimos anos? Sim! Isso significa que o Pantanal morreu? Não! Mesmo que ele seja considerado um dos menores domínios naturais do Brasil com cerca de 150 mil km², e isso represente 1,7% do nosso território, o Pantanal é um dos locais mais ricos em biodiversidade do nosso país. Não à toa recebe o título de Patrimônio Natural Mundial pela UNESCO e Reserva da Biosfera. Talvez hoje não seja de fato um dia para se comemorar, mas sem dúvida é a hora de refletir.
O Pantanal está vivo e para mantê-lo vivo é preciso união, juntar forças para proteger esse grande tesouro que dá sustento a famílias, movimenta a economia e guarda grandes joias da nossa natureza.
Ao todo 29% da área total do Pantanal foi atingida pelo incêndio
Mario Friedlander/ Acervo Pessoal
As chamas que devastaram até agora cerca de 29% da área total não são maiores do que o amor que move internamente cada um dos envolvidos que seguem lutando para salvar a região.
O incêndio assusta, fere uma área por fora e muita gente por dentro, tão surpreendente quanto ver como as chamas propagavam rapidamente, era notar a grandeza das pessoas mesmo diante de uma situação trágica. O fogo destruiu áreas, mas uniu muita gente em prol de um bem maior. Moradores locais, voluntários de todo o Brasil e pesquisadores não mediram esforços para proteger a vida pantaneira e eles comprovaram que a união faz a diferença e que juntos somos mais fortes.
Não podemos ignorar as perdas e as feridas causadas pelas chamas nesse ano, elas são marcas que jamais serão esquecidas, escreveram um capítulo terrível e triste, mas que podem e devem servir de lembrança para não se repetir e, sim, nos motivar a traçar um final feliz para a natureza e, consequentemente, nós mesmos.
Mesmo em meio a destruição é preciso manter a esperança na recuperação do Pantanal
Ernane Júnior

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