sábado, janeiro 16, 2021

Campinas deixa de usar leitos Covid no Hospital Metropolitano, mas diz que pode 'reverter' vagas no SUS se demanda aumentar


Medida ocorre após anúncio do governador de São Paulo de decreto para que não ocorra desmobilização de UTIs diante de aumento de casos e internações no Estado. Balanço desta quinta (19) aponta que taxa de ocupação na cidade é de 56,5%. Leitos do Hospital Metropolitano, contratado pela prefeitura de Campinas (SP)
Fernanda Sunega/Prefeitura de Campinas
No dia em que o governador de São Paulo anunciou um decreto para que hospitais não desmobilizem leitos criados para atender pacientes com Covid-19 e suspendam cirurgias eletivas, diante do aumento de casos e internações pela doença em todo o estado, Campinas (SP) deixou de usar as vagas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de enfermaria clínica contratadas junto ao Hospital Metropolitano.
Apesar disso, a Secretaria de Saúde informa que de maneira geral, leitos do SUS Municipal “não foram desativados e podem ser revertidos”, e que assim como ocorre desde o início da pandemia, “todos os pacientes terão o atendimento garantido”.
Bloqueio no Metropolitano
Em nota, a prefeitura informa que o bloqueio ocorre por cautela, uma vez que precisou fazer o pagamento dos serviços via depósito judicial e, sem garantias que o Hospital Metropolitano possa arcar com o atendimento sem o dinheiro, decidiu por não enviar mais pacientes à unidade e transferir aqueles que lá estavam.
Integrado à rede municipal de saúde em junho, como reforço no tratamento de pacientes com Covid-19 em Campinas, o uso do Hospital Metropolitano foi possível após liminar garantir que o repasse de verbas da prefeitura fosse utilizado para realização dos serviços, e não o pagamento de dívidas trabalhistas da unidade hospitalar.
Um despacho da prefeitura desta terça-feira (17), no entanto, informava à Coordenadoria de Regulação o bloqueio de leitos disponíveis no Metropolitano, impedindo novas internações e cancelando transferências na qual o paciente ainda não havia deixado a unidade de origem.
O informe aponta que naquela data, 13 pacientes permaneciam internados na Enfermaria Clínica Covid-19 e outros cinco em UTIs exclusivas para o tratamento do novo coronavírus.
Em nota, a Prefeitura informa que cumpriu uma determinação judicial para que o valor do contrato com a unidade fosse depositado em juízo e, por cautela, a Secretaria de Saúde fez o bloqueio dos leitos pelo receio de que a unidade não possa mais arcar com o contrato após o pagamento em juízo.
Veja a nota na íntegra:
“A Prefeitura Municipal de Campinas informa que, em relação ao Hospital Metropolitano, está cumprindo uma decisão da Justiça do Trabalho para que seja depositado em juízo o valor do contrato com a unidade.
O bloqueio de leitos e transferência dos pacientes – que teve início na quarta-feira, dia 18 de novembro – se deu por cautela da Secretaria Municipal de Saúde em razão da possibilidade de que o Hospital Metropolitano não possa mais arcar com o contrato após o pagamento em juízo.
Ontem foram transferidos 14 pacientes para leitos na Casa de Saúde e Hospital Ouro Verde. Outros quatro pacientes ainda estão no Hospital Metropolitano e serão encaminhados hoje para outras unidades.”
Leito de UTI em hospital de Campinas ocupado com paciente em tratamento da Covid-19 em junho deste ano
Reprodução/TV Globo
Taxa de ocupação
Apesar de o bloqueio ter iniciado na quarta (18), o boletim divulgado nesta quinta (19) ainda contabiliza as vagas do Metropolitano. Segundo a prefeitura, isso ocorre porque as vagas “ainda estavam no processo de transição quando alimentaram os dados.”
O boletim mostra taxa de ocupação de 56,5% dos leitos exclusivos de UTI para pacientes com o novo coronavírus. De acordo com a prefeitura, 99 das 175 estruturas disponíveis nas unidades públicas e particulares da metrópole estão preenchidas, enquanto 76 estão livres.
Ocupação de leitos nesta quinta-feira:
SUS Municipal: são 73 leitos, dos quais 38 estão ocupados (52%) e há 35 livres;
SUS Estadual (HC da Unicamp): há 30 leitos, sendo 8 preenchidos (26,6%) e 22 vagos;
Particular: total é de 72 leitos, distribuídos entre 53 ocupados (73,6%) e 19 sem uso.
‘Reversão de leitos’
Questionada sobre as medidas anunciadas pelo governador João Doria, a prefeitura de Campinas, por meio de nota, informou que a Secretaria de Saúde aguarda a publicação do decreto.
De acordo com a administração, os leitos de UTI do SUS Municipal exclusivos Covid-19, que chegaram a 155 entre julho e setembro e atualmente são 73, “não foram desativados e a reversão pode ser feita a qualquer momento, de acordo com a necessidade”.
“Importante ressaltar que no âmbito do SUS Municipal os leitos não foram desativados e a reversão pode ser feita a qualquer momento, de acordo com a necessidade. Assim como vem acontecendo desde o começo da pandemia, todos os pacientes terão o atendimento garantido”, diz a pasta.
HC da Unicamp
Reprodução/EPTV
HC da Unicamp
Com a desativação do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) como unidade Covid-19, em outubro, o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp é o único vinculado ao estado com leitos para pacientes com o novo coronavírus na cidade, sendo referência para toda a região.
O HC da Unicamp que chegou a funcionar com 63 leitos de UTI exclusivos Covid-19 no ápice da pandemia, opera atualmente com 30 vagas, sendo que 22 estão livres segundo o balanço da prefeitura
“O HC da Unicamp manteve funcionando 63 leitos UTI exclusivo COVID. Desses 63, 37 foram credenciados e pagos pelo Ministério da Saúde e Secretaria de estado da saúde. Vigoraram de 10 de maio até 28 outubro. O custeio cobriu insumos, medicamentos e RH. Hoje o HC tem dois pacientes Covid intubados em nossa UTI Normal na área de isolamento. O hospital já preparou o documento para pedir novo credenciamento”, informa, em nota, a assessoria da unidade.
O G1 pediu informações relacionadas ao anúncio do governador, que incluía o cancelamento de cirurgias eletivas, mas a assessoria informou apenas que as questões serão tratadas em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (20).
Casos de Covid-19
Subiu para 1.351 o número de moradores de Campinas (SP) que morreram após complicações causadas pela Covid-19. O balanço epidemiológico divulgado pela prefeitura nesta quinta aponta dois novos registros de óbitos e mais 273 infectados, elevando para 40.981 os casos positivos.
Os novos casos contabilizados pelo governo municipal não significam, necessariamente, que ocorreram de um dia para o outro, mas sim que foram registrados no sistema no intervalo de 24 horas, após resultados de exames.
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus
Arte/G1
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