domingo, janeiro 17, 2021

Biólogo de São Paulo divulga livro gratuito para ensinar ilustração em grafite


Lucas Souza já foi premiado em concursos internacionais; obras retratam as belezas da fauna e flora em detalhes. Lucas Souza desenvolve obras com ilustração zoológica e botânica usando lápis de cor, grafite e nanquim
Lucas Souza/Acervo Pessoal
Numa folha qualquer, o biólogo de 23 anos Lucas Souza transforma aves, peixes, insetos e mamíferos em obras de arte. Do trabalho como ilustrador científico veio a busca por ampliar a divulgação dessa profissão e o contato das pessoas com a importância da conservação através da arte. Por conta disso, no projeto mais recente do ilustrador, um livro digital gratuito ensina técnicas básicas para os desenhos em grafite.
A ideia de elaborar o material surgiu através da bagagem adquirida por outros cursos feitos. Lucas, que sempre foi autodidata, percebeu mais adulto como o conhecimento teórico modificava sua relação com os traços e decidiu repassar algumas dicas diante da técnica dominada.
Ilustração do besouro C.ensifer foi feita através de observação do modelo real em tons de preto e branco
Lucas Souza/Acervo Pessoal
“Tentei fazer um material bem completo e sobre um conhecimento básico que, compartilhado de graça, iria ajudar muitas pessoas. As técnicas são muito parecidas para qualquer tipo de desenho e, por isso, a parte prática pode ser aproveitada por qualquer pessoa”, explica.
O livro digital ensina formas de se obter luz e sombra, de elaborar formas básicas, de variar as tonalidades e até traz instruções sobre os tipos de materiais usados. O download do material pode ser feito no próprio site do ilustrador, local onde ele também divulga os trabalhos de ilustração que demandam, em algumas situações, até meses para serem concluídos.
O e-book gratuito contém mais de 50 páginas com dicas, exercícios e instruções sobre ilustração
Lucas Souza/Acervo Pessoal
No final de novembro, a obra de Lucas Souza que retrata um araçari-de-bico-branco venceu o Festival Internacional de Imagem de Natureza (FIIN), de Portugal
Ilustração premiada de araçari-de-bico-branco demorou 120 horas cronometradas pelo artista
Lucas Souza/Acervo Pessoal
Desde criança, a trajetória de Lucas no desenho já havia sido traçada. Era muito pequeno quando desenhava carros, aviões e personagens de animação. Até por conta disso, a escolha entre ser piloto de avião, design de jogos ou até arquiteto esteve entre os dilemas com a chegada da vida adulta. A decisão pelo curso de Biologia como formação, porém, pareceu afastá-lo do ramo das artes.
“Foi um mundo novo, porque fui descobrindo a Biologia de uma forma muito mais aprofundada e estava gostando um pouco de tudo. Até que chegou o momento de fazer uma pesquisa para me formar. O tema era bioquímica e câncer infantil. Passava o dia no laboratório, fazendo experimentos, uma rotina bem monótona e, no final, percebi que aquilo não era para mim”, conta.
Arara-azul-grande foi retratada com lápis de cor junto ao crânio da espécie, ilustrado de forma digital
Lucas Souza/Acervo Pessoal
No refúgio dos traços e da criatividade, Lucas encontrou uma resposta para esse entrave. “Desenhei uma iguana em grafite e este foi o marco: decidi que era aquilo que queria fazer para a minha vida. Comecei a me dedicar muito mais e percebi que, com esse esforço diferente, poderia fazer desenhos muito legais”, relembra.
Diferentemente de outros tipos de desenho, a ilustração científica exige a fidelidade com o mundo real. “Esse tipo de ilustração é utilizada por um público que vai propagar um conhecimento, então o intuito é passar informação. Essa é a característica mais importante: fazer a asa de uma ave é mostrar as penas na organização, escala, proporção, quantidade e cores exatamente como são vistas na vida real”, descreve o ilustrador.
Cada uma das penas do gavião-preto demandou mais de dez cores para ser colorida
Lucas Souza/Acervo Pessoal
Atingir esse nível de fidelidade exige prática e esforço. Embora Lucas trabalhe há apenas um ano e meio na área, ele acredita que sua habilidade derive do hobby de infância. “Todos esses anos, observava objetos e tentava fazer igual ao que via e isso é praticamente uma regra da ilustração científica: você tem que sempre usar referências, modelos reais, fotografias”, explica.
Ensinar essas noções adquiridas intuitivamente foi um desafio e continua, ainda, como uma barreira a ser quebrada. “Ensinar é muito diferente de desenhar e esse é até um dos motivos para eu não ter feito um curso meu ainda, porque ainda quero aprender a ensinar para garantir que o curso será o melhor possível”, afirma.
Exercícios e técnicas estão dispostas no material gratuito disposto pelo biólogo ilustrador
Lucas Souza/Acervo Pessoal
Independente dos desafios, Lucas desde já pretende passar uma mensagem com as obras. “A ilustração científica, quando espalhada para o público, acaba tendo um efeito de conscientização, porque é muito comum alguém ver um desenho de uma espécie que não sabia que existia no país. Além disso, é muito importante divulgar a profissão em si e o valor que ela passa sobre conservar a natureza”.

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