segunda-feira, janeiro 18, 2021

Datafolha: cresce parcela que não quer se vacinar contra Covid-19

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado 12 mostrou que cresceu a parcela da população brasileira que não pretende se imunizar contra a Covid-19. O resultado se dá justamente na semana em que o desenvolvimento da vacina ganhou as manchetes mundo afora – já em aplicação no Reino Unido, foi pelo governo dos Estados Unidos e deve chegar em breve ao Brasil, caso os testes se mostrem seguros.

Segundo a pesquisa, 22% disseram que não pretendem se vacinar, enquanto 73% querem participar da imunização e 5% disseram não saber. Na consulta anterior, realizada em agosto, apenas 9% se mostraram contra a vacina e 89% a favor.

A pesquisa foi realizada entre 8 e 10 de dezembro com 2.016 brasileiros adultos em todas as regiões e estados do país, por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O Datafolha informou que a resistência à vacinação variou pouco nos recortes de sexo, idade, escolaridade ou renda mensal. A diferença é mais significativa quando se considera a confiança no governo atual: 33% dos brasileiros que dizem sempre confiar em Jair Bolsonaro optaram por não se vacinar; o número cai para 16% entre os que “nunca confiam” no presidente.

A pesquisa foi realizada em meio à disputa entre o presidente e o governador paulista, João Doria (PSDB), que anunciou a importação, a fabricação e até data de início da imunização (25 de janeiro de 2021). Doria assinou acordo em junho com a farmacêutica chinesa Sinovac para produção da vacina Coronavac, em parceria com o Instituto Butantan, centro de pesquisa ligado ao governo paulista.

O Datafolha mostrou, no entanto, que a população brasileira tem muito mais resistência a uma vacina desenvolvida pela China do que a um imunizante produzido por Estados Unidos, Inglaterra ou Rússia.

Apenas 50% dos entrevistados disseram que não tomariam a vacina chinesa, 47% se mostraram a favor e 3% não opinaram. Uma vacina americana é a que tem maior aceitação (74%), seguida por Inglaterra (70%) e Rússia (60%).

A confiança em uma vacina produzida pela China cresce conforme a renda (72% dos que ganham mais de 10 salários mínimos) e escolaridade —65% dos que têm ensino superior dizem que tomariam o imunizante chinês. Todos, porém, tem mais abertura a uma vacina americana.

A pesquisa Datafolha apontou ainda que a maioria dos brasileiros (56%) quer que a vacina seja obrigatória para toda a população, enquanto 43% são contrários à ideia – assim como presidente Bolsonaro.

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