sábado, janeiro 16, 2021

Menino atropelado ao vender balas para comprar videogame em Hortolândia recebe presente de estudantes depois de alta


Criança de 10 anos ficou 66 dias internada depois de ser atingida por uma moto em 28 de setembro – ela chegou em estado gravíssimo ao HC da Unicamp. Vaquinha realizou sonho do garoto. Letícia e Leonardo, estudantes de Educação Física da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp) em Hortolândia (SP), entregaram o videogame na última segunda-feira (7)
Arquivo pessoal
Uma vaquinha organizada por estudantes de Hortolândia (SP) realizou o sonho de um menino de 10 anos que, por pouco, não morreu ao tentar realizá-lo. Em setembro, acompanhado da tia, do irmão mais velho e de primos, o jovem vendia balas em um semáforo da Av. Santana para ajudar nas despesas de casa e comprar o sonhado videogame. No entanto, a criança acabou atropelada por uma moto e, em estado grave, lutou pela vida no HC da Unicamp, em um drama que durou 66 dias.
A alta ocorreu no dia 3 de dezembro e em casa, ainda em recuperação do atropelamento, ele recebeu o tão sonhado videogame. Motivo de alegria para ele e para os estudantes de Educação Física da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp) que se identificaram com a história e promoveram a iniciativa, que arrecadou o dinheiro necessário para o equipamento em pouco mais de um mês.
“A sensação que fica é difícil descrever. É um presente para ele, mas é algo bom para nós também. O que a gente espera é que essa colaboração sirva de exemplo e inspiração para outras pessoas. Que elas façam o mesmo para aqueles que precisam de ajuda.”, destaca Letícia Silva, uma das organizadoras da ideia.
O drama
66 dias. Este foi o tempo que durou a luta pela sobrevivência vencida pelo jovem de Hortolândia. O garoto foi socorrido pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar, ao HC, onde passou boa parte dos dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e encarou duas cirurgias. Relembre o caso na reportagem abaixo:
Menino é atropelado por moto em Hortolândia e socorrido em estado grave ao HC da Unicamp
Ao G1, a mãe do jovem, Marina Brito, relembrou os momentos de apreensão e angústia que viveu quando soube do acidente.
“Não conseguia acreditar. Mas quando cheguei perto dele, que eu consegui ver ele, vi que eu estava vivendo aquilo, ali eu não tinha mais chão, parecia que meu mundo estava acabando. Na hora em que eles falaram que o que tinha acontecido com o meu filho era muito grave, eu fechei os olhos e comecei a orar a Deus.”
Dentre os 66 dias passados, entre idas e vindas do hospital, Marina classifica todos como aqueles mais difíceis de sua vida. No entanto, um dia em específico, na visão dela, foi o mais desafiador.
“Todos os dias foram difíceis de ver seu filho ali. Os dias mais difíceis da minha vida foram esses. E no dia da [primeira] cirurgia… na hora em que vi ele, não podia fazer nada. Ele cheio de remédios para subir a pressão, porque a pressão tinha caído muito, e ele tinha perdido muito sangue.”, relembra.
A criança não corre mais riscos de morte, mas ainda enfrenta limitações físicas que o impossibilitam de fazer atividades cotidianas. Marina destaca a dificuldade de lidar com a situação, mas mostra esperança em que o filho irá se recuperar totalmente.
“A sensação que tenho é de impotência. Por mais que ele esteja bem e aqui comigo, o meu medo é o que virá pela frente. Lógico que tenho que agradecer muito, mas a sensação que tenho é de impotência porque ele quer andar, correr, brincar. […] Mas creio que Deus fará uma obra muito grande na vida dele. Uma das piores sensações é seu filho pedir para correr e brincar, e você não ter como ajudá-lo.”
Investigação
O G1 questionou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado sobre como estão as investigações do acidente. Em nota, a pasta disse:
“O autor do atropelamento foi identificado, e a responsável pela criança, ouvida. Ela foi orientada quanto ao prazo para representação criminal dos fatos, o que não ocorreu.”
Marina, mãe da criança, confirmou a informação e explicou que tentará, inicialmente, um acordo amigável com o homem que atropelou o filho.
No dia do acidente, a SSP chegou a informar que o motociclista, de 19 anos, foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) – o estado de saúde não foi informado na ocasião. O caso é investigado pela Delegacia de Hortolândia.
*Sob supervisão de Fernando Evans
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