domingo, janeiro 17, 2021

O impacto de saber que um voluntário teve um efeito adverso grave

8 de janeiro, 18h04: Há quatro meses fiz a primeira pesquisa sobre o que era mielite transversa, uma manifestação neurológica rara que afeta nervos da coluna diante de uma resposta imunológica exagerada. Esse quadro clínico foi detectado em um voluntário da vacina da parceria Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 e levou à interrupção temporária da pesquisa. Naquele mesmo dia de setembro havia falado com o médico Luis Augusto Russo, pesquisador principal do estudo clínico da Janssen-Cilag, sobre meu interesse em ser voluntária no projeto científico mais importante das últimas gerações: a busca por uma vacina contra o novo coronavírus.

Especialistas dizem que pausas em estudos de vacinas, como ocorreu com os imunizantes da Oxford e da própria Johnson & Johnson após uma “doença inexplicada” em um voluntário em outubro, são comuns, mas normalmente a opinião pública e leigos não acompanham tão de perto cada passo como acontece na pandemia de Covid-19. Hoje, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi informada de que um paciente brasileiro da pesquisa da Janssen apresentou, no dia 2 de janeiro, uma reação adversa grave. A farmacêutica diz que o evento não está relacionado ao imunizante.

Se eu, como voluntária, tiver um infarto ou for vítima de violência urbana, o caso será reportado à agência reguladora como um evento adverso grave não relacionado à vacina. Não sabemos o que de fato aconteceu com aquele voluntário porque os dados de todos os pacientes são confidenciais. Ainda assim, o episódio me deprimiu. Passei o resto do dia prostrada pensando no que poderia ter acontecido e se a pessoa estava bem. Se estava viva.

Como voluntária inscrita no programa Ensemble, do braço farmacêutico da J&J, cada revés com um participante da pesquisa me afeta profundamente. Nenhum voluntário é uma ilha isolada em um momento em que cultivamos, sem nem nos conhecer, uma solidariedade conjunta e o desejo de que a pequena ação de se propor a experimentar uma vacina em testes possa ajudar a colocar a vida, transmutada em caos em 2020, de volta nos eixos.

Continua após a publicidade

Ultimas Notícias

Twitter marca publicação do Ministério da Saúde como ‘enganosa’

O Twitter destacou hoje uma publicação do Ministério da Saúde como “informação enganosa”. Trata-se de uma mensagem sobre atendimento...

Bolsonaro vai a festa infantil sem máscara

O presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada na tarde deste sábado, 16, para ir a uma festa infantil no Clube Naval de...

CoronaVac: imunidade coletiva requer vacinação de 162 milhões, diz estudo

Cerca de 162 milhões de brasileiros, aproximadamente 99% da população “vacinável” contra Covid-19 no país, devem receber o imunizante CorovaVac, para que seja atingida...

Daria para ter evitado a tragédia no Amazonas

por Editorial de O Globo (16/1/2021) O pior aspecto da tragédia causada pelo novo coronavírus em Manaus é que ela era não apenas previsível, mas...

Acredite, se quiser

Este blog perguntou no Twitter: E aí? Melhorou o desempenho do governo Bolsonaro no combate à pandemia do coronavírus? Respostas de 9.316 leitores:   Melhorou muito – 58,8% Só...
- Advertisement -