segunda-feira, abril 12, 2021

Anfíbios do Itatiaia: pesquisadores buscam espécies desaparecidas desde a década de 70


Duas já foram redescobertas, entre elas a rã que foi vista pela última vez em 1957 no Parque Nacional. Conheça a rãzinha-verrugosa-da-serra-de-Luederwaldt, uma das espécies redescobertas
Exclusiva da Serra da Mantiqueira, mas pouco conhecida pela comunidade científica: esse é o status da rãzinha-verrugosa-da-serra-de-Luederwaldt (Holoaden luederwaldti). De nome complicado e ocorrência comprovada nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o anfíbio foi redescoberto no Parque Nacional do Itatiaia, em Itamonte (MG), onde era tido como possivelmente extinto.
“A rã foi encontrada no dia 14 de fevereiro, depois de 64 anos desaparecida. Até então, os únicos registros da espécie na região eram de 1951 e 1957”, explica um dos pesquisadores responsáveis pela descoberta, Paulo Garcia.
Exemplar raro de rã é achado por cientistas da UFMG mais de 60 anos desde a última descoberta
Espécie ‘Holoaden luederwaldti’ é conhecida popularmente como rãzinha-verrugosa-da-serra-de-Luederwaldt
Paulo Garcia/ICB/Divulgação
O único exemplar foi fotografado e retirado amostras para estudos genéticos em laboratório pelos especialistas do Departamento de Zoologia, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O procedimento é crucial para identificar se o indivíduo teve contato recente com populações da espécie encontradas no sul da Serra da Mantiqueira. “Essa informação é muito importante, pois caso não haja contato recente, é possível que essa população seja isolada das demais. Se isso for comprovado, teremos uma espécie com subpopulações sem fluxo gênico, o que indica um maior nível de ameaça para a rã”, detalha.
A região será monitorada para verificar se outros indivíduos ocorrem no local. Medidas de conservação serão propostas para o PARNA Itatiaia a partir destes dados. Mas ainda é cedo para definir quais seriam as medidas tomadas
Não há informação suficiente sobre a espécie para determinar o status de ameaça
Renato Gaiga/Arquivo Pessoal
Desaparecidos do Itatiaia
A redescoberta da rãzinha é fruto do projeto “Diversidade desaparecida – Procura de espécies de anfíbios consideradas desaparecidas no Parque Nacional do Itatiaia”, desenvolvido em 2019 e conduzido com recursos do The Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund – uma Fundação que promove a conservação de espécies em todo o mundo liderada pelo príncipe herdeiro de Abu Dhab.
“O objetivo é procurar por espécies de anuros que estão desaparecidas no Parque, uma das unidades de conservação mais bem estudadas do Brasil, casa para diversas espécies de anfíbios que deixaram de ser registradas a partir da década de 1970”, explica Garcia, que junto à pós-doutoranda Bárbara Zaidan, coordena o projeto.
A rã foi encontrada no dia 14 de fevereiro, depois de 64 anos desaparecida
Paulo Garcia/ICB/Divulgação
Inspirado no interesse de pesquisadores em contribuir para a preservação dos animais e das populações, o plano inicial era contemplar duas espécies, Holoaden bradei e Paratelmatobius lutzii. “No entanto, expandimos o projeto para abranger outros seis anfíbios exclusivos da região. Isso se deu à medida que nos atentamos também à carência de registros deles na região”, destaca.
“Essas espécies são categorizadas, em geral, como deficientes de dados. Isso se deve à falta de informações sobre os anfíbios, um dos motivos que tornam trabalhos como esse tão importantes”, completa o pesquisador.
Holoaden bradei e Paratelmatobius lutzii estão listadas na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como “Criticamente em Perigo”
As demais estão categorizadas como deficientes em dados em diversas listas e na IUCN, devido à carência de dados e registros
Da lista de anfíbios procurados no Itatiaia, duas espécies já foram redescobertas: Hylodes regius e Holoaden luederwaldti. Os encontros renderam ainda o flagrante de uma espécie ainda não descrita cientificamente. “Além de ser um sinal positivo sobre a capacidade da região em abrigar espécies ameaçadas, esses encontros são indícios de que o esforço amostral das pesquisas é necessário para avaliar o real status de conservação dos animais”, reforça Paulo.
Cada saída de campo dura, em média, seis dias e conta com o trabalho de quatro pesquisadores, por aproximadamente oito horas por dia
A importância da etapa de buscas é tanta, que os especialista optaram por registrar inclusive os esforços que não resultaram em encontros, chamados de esforço amostral negativo. “São informações importantes para que, quando os pesquisadores forem discutir os critérios de ameaça das espécies, eles tenham o entendimento de que houve um esforço na busca por elas e, mesmo assim, não foram encontradas”, finaliza.
A espécie também foi registrada em Sapucaí Mirim (MG), no fim de 2019
Renato Gaiga/Arquivo Pessoal
Você de novo?
Quem também pôde garantir registros raros da rã Holoaden luederwaldti foi o herpetólogo Renato Gaiga, em novembro de 2019, durante um levantamento de fauna em Sapucaí Mirim (MG). “Eu e minha equipe conduzimos o levantamento de anfíbios para um projeto de conservação chamado Águas da Mantiqueira, financiado pela Fundação Toyota e FUNDEPAG, com o intuito de mapear a biodiversidade local e traçar planos de conservação para as nascentes. Faço esse trabalho desde 2017, mas só no fim de 2019 consegui registrar a rã”, diz.
Três indivíduos da espécie foram flagrados por Gaiga em uma floresta exclusiva de áreas de altitude, a aproximadamente dois mil metros de altura, que normalmente fica coberta por neblina.

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