terça-feira, março 2, 2021

Beija-flor faz ninho 16 vezes no mesmo lugar


A ave construiu o ninho no quintal de Carlos Dutra em 2016; frequência de reprodução é incomum e pode estar aliada às condições favoráveis do local. A cada reprodução a fêmea ‘reforma’ e aumenta o ninho
Carlos Dutra/VC no TG
O beija-flor-tesoura é um dos maiores e mais comuns colibris do Brasil. Encontrado em todo o Brasil, exceto em algumas regiões amazônicas, a espécie chama atenção pelas penas iridescentes e pela fama de briguenta.
Mas em Angra dos Reis (RJ), na casa do guia de observação de aves, Carlos Dutra, outro comportamento chamou atenção: a frequência que uma mesma fêmea se reproduz. “Ela vive aqui no quintal de casa há quatro anos, desde novembro de 2016, e essa é a 16ª reprodução dela”, conta o observador.
“Tudo começou com a instalação de um bebedouro para beija-flores a fim de atraí-los por perto. Pouco tempo depois ela apareceu e eu só descobri o sexo quando fui surpreendido ao vê-la construindo o ninho. Desde então ela vive aqui, saindo raríssimas vezes”, detalha Dutra, que registra cada detalhe das reproduções. “Fiz fotos, vídeos e anotações sobre as datas de postura, nascimento, saída do ninho e alguns retornos de filhotes, além de acontecimentos como queda do ninho, do filhote e abandono dos ovos”, diz
Fêmea de beija-flor-tesoura é monitorada pelo guia desde 2016
Carlos Dutra/VC no TG
Tamanha dedicação ao monitoramento dessa família numerosa rendeu descobertas sobre as aves. “Notei que a incubação dos ovos dura de 13 a 15 dias e que os filhotes permanecem por até 21 dias no ninho após o nascimento, se mantendo por perto por mais sete dias para serem alimentados pela mãe”.
Presente da natureza
Muito mais do que a oportunidade de estudar sobre a espécie, a presença constante da fêmea serviu de incentivo à profissão de Dutra. “Foi por causa dessa beija-flor que me tornei conhecido no meio da observação de aves, principalmente nas redes sociais. Tornei-me guia de birdwatching e recebi pessoas de vários países para fotografar a ave. Se hoje posso ousar dizer que sou conhecido, devo isso a ela, que me incentivou também a continuar”, conta o guia, que por incentivo da sobrinha apelidou a fêmea de ‘Flora’.
“A Carol, na época com 11 anos, ficava intrigada com a fato de eu ‘vigiar’ e falar com todos a respeito da tal beija-flor-tesoura. Quando disse ser uma fêmea, e antes mesmo de explicar sobre os substantivos femininos e masculinos, ela exclamou: ‘então é uma beija-flora, e não um beija-flor!’ Ouvindo isso decidi chamá-la de flora”, lembra.
Observador de aves monitora ninho de beija-flor-tesoura construído no quintal
“O mais legal disso tudo foi ter sido escolhido por ela. Foi ela quem quis ficar, foi ela que me ajudou, foi ela quem me mostrou tudo isso. Além de emocionante, é muito gratificante poder acompanhar todas essas ninhadas, por todo esse tempo. Nascem tão pequenos e indefesos, crescem, ficam fortes e saem do ninho”, revela Carlos.
Flora vem nos mostrar que dá pra amar, sem precisar prender. Não precisa prender em gaiola, basta alimentar, ou plantar uma árvore, ou flores, que eles virão e quem sabe você possa viver uma estória sensacional como essa
Entre as observações estão interações entre macho e fêmea
Carlos Dutra/VC no TG
16 reproduções em quatro anos: entenda
A frequência que ‘Flora’ reproduziu no mesmo ninho chama atenção: foram 16 reproduções, média de quatro por ano. “Em 2018 ela chocou cinco ninhadas, o que é incrível, já que na literatura consta que a espécie costuma dar duas crias por temporada. Um amigo levantou a hipótese de que aqui Flora encontrou as condições ideais como abrigo protegido das intempéries e parceiros disponíveis”, explica Carlos, que fez ainda outra observação curiosa.
“Ela reforma o ninho toda vez que vai chocar uma nova ninhada, motivo pelo qual o ninho está muito maior do que era no início”, diz.
O Terra da Gente já mostrou outra história parecida, em Altinópolis (SP), onde uma fêmea de beija-flor-tesoura se reproduziu 12 vezes no mesmo local. Na ocasião o biólogo especialista em aves, Vítor de Queiroz Piacentini, reforçou a hipótese de que o ambiente propício estimulou a reprodução da ave. “Tendo alimento disponível, as aves podem investir energia em ninhadas adicionais. E com anos recentes mais quentes, em média, é possível que as condições climáticas ideais para o beija-flor-tesoura (e os insetos dos quais ele se alimenta) tenham se estendido além da duração usual”, explica.

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