segunda-feira, maio 17, 2021

Beleza oculta: fotógrafo registra a magia dos cogumelos que brilham no escuro


Norton Santos fotografou fenômeno na região do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira em São Paulo. Fotos servem para compartilhar uma riqueza natural desconhecida pela maioria. Fotógrafo explorou matas do PETAR para registrar cogumelos brilhantes
Norton Santos
Explorar a natureza e captar imagens da biodiversidade já faz parte da rotina do Norton Santos, um cientista da computação apaixonado pelo mundo natural. A relação dele com o meio ambiente surgiu ainda na infância, quando colecionava figurinhas com fotografias de animais silvestres.
Mas há praticamente dez anos que ele mesmo se dedica em clicar, e filmar a vida selvagem. Nas andanças por todo o Brasil e até no exterior, as aves estão sempre em foco, mas mamíferos e especialmente primatas também roubam atenção dele.
Recentemente Norton descobriu a existência de cogumelos que brilham no escuro. O assunto aguçou o fotógrafo de tal forma que ele decidiu ir atrás deles na mata, para registrar e compartilhar com todos o fenômeno da bioluminescência. O território a ser explorado era a região do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) e da Caverna do Diabo.
Fungos bioluminescentes emitem uma luz verde diante da escuridão
Norton Santos
“Já visitei esse lugar várias vezes nos últimos anos, mas sempre com foco principal na fotografia de aves. Eu não sabia, até pouco tempo atrás, que era possível encontrar cogumelos bioluminescentes por lá. Fiquei sabendo através do meu grande amigo e guia Duco, sabendo do meu interesse por temas diferentes, ele me avisou sobre a existência desses cogumelos”, conta.
Antes de sair para a viagem em busca dos cogumelos, Norton pesquisou bastante sobre o assunto para se familiarizar com o tema, e mesmo assim quando viveu essa experiência, se surpreendeu ainda mais do que esperava.
“Eu pesquisei detalhes sobre eles, como tamanho e outras características, e agendei a visita. Foi uma experiência sensacional e única na vida poder ver à noite, fungos brilhando no escuro. Parece que estamos em outro mundo”, comenta.
Durante o dia espécies que brilham não são notadas a olho nu
Norton Santos
Mas se engana quem pensa que para fotografar esse fenômeno da bioluminescência basta chegar à mata a noite e sair clicando. São muitos os desafios pelo caminho e é preciso planejamento.
“O primeiro desafio é encontrá-los, pois podem ser muito pequenos e seu brilho pode não ser perceptível se a noite não estiver totalmente escura. Foi necessário escolher as noites mais escuras, preferencialmente sem a luz da lua, e permanecer longos períodos de tempo em total escuridão, para os olhos se acostumarem melhor”, pontua.
Além disso, para um fotógrafo de natureza conseguir uma imagem desejada é preciso preencher uma série de elementos e requisitos, o que também dificulta em um trabalho noturno.
Desafio do fotógrafo foi procurar um cenário ideal para os registros
Norton Santos
“O segundo desafio diz respeito à composição da foto, pois nem sempre o cogumelo encontrado está em um local limpo em que uma boa fotografia possa ser executada. Outro desafio refere-se ao próprio clima, vento e chuva podem inviabilizar qualquer tentativa de registrá-los”, afirma.
A região do PETAR abriga uma das mais ricas populações de fungos que brilham no escuro. E até 2002 não havia registro de nenhum deles. A maioria das pessoas que visitam a área nem sabem da existência deles, e até mesmo moradores locais desconhecem esse tipo de riqueza que ocorre ali.
Pensando em romper barreiras e levar conhecimento a todos sobre o assunto, o fotógrafo pretende contribuir com a divulgação a partir do trabalho captado.
Para observar fungos brilhantes é preciso optar por noites de lua nova
Norton Santos
“Acredito que os cogumelos bioluminescentes do PETAR e da Caverna do Diabo são um verdadeiro tesouro da natureza e que podem ser explorados com expedições de turismo sustentável. Vou ceder os registros fotográficos para contribuir com a educação e conscientização ambiental da população local, e para os bancos de dados das instituições de pesquisa locais, para estudo”.
A bioluminescência é carregada ainda de muitos mistérios e a intenção do Norton é poder ajudar a ciência a desvendar alguns deles.
Carlos Roberto Silva, conhecido como “Duco”, foi o guia local que acompanhou o Norton nessa busca pelos cogumelos. Ele teve contato com os fungos brilhantes há dois anos, e partilha do mesmo pensamento do fotógrafo. Além de acreditar que esses organismos possam movimentar um turismo diferente, o morador local pretende levar todo o conhecimento à população que mora na região que ainda desconhece a fauna e flora do próprio “quintal”.
“Meu objetivo é atingir a massa, mostrar essa riqueza principalmente para o povo que assim como eu nasceu e foi criado aqui, eu mostrei as imagens para algumas pessoas da comunidade e eles ficaram surpresos, a ideia é compartilhar o conhecimento com todos inclusive nas escolas”, comenta.
Bioluminescência é resultado de reação química
Norton Santos
Técnica e paciência
Fotografar os cogumelos brilhantes é um desafio e tanto para os fotógrafos e para Norton não foi diferente. “É preciso técnica diferenciada para poder captar o fenômeno da bioluminescência através de fotografias. O ambiente deve estar em completa escuridão, então o processo básico é o da longa exposição, onde o obturador da câmera fica aberto por longas durações que podem variar de alguns segundos até vários minutos, tornando possível que mais luz seja captada pelo equipamento.”
Para fazer os registros dos fungos, Norton contou com ajuda de outros recursos. “Essa técnica exige também a utilização de tripé e disparo remoto, e que os cogumelos estejam imóveis, para que a fotografia não fique tremida ou borrada devido ao movimento.”
No ambiente natural uma dificuldade é enxergar a melhor composição para retratar a cena. “O mais demorado foi encontrar situações e cenários que renderam boas fotos, pois nem sempre eles estão localizados em lugares de fácil acesso ou propícios para registro, devido ao seu tamanho pequeno e à presença de plantas, galhos, folhas e outros elementos no local.”, finaliza.
Pesquisador Cassius Stevani responde perguntas sobre os cogumelos brilhantes
Tesouros quase escondidos
No Brasil foram descobertas até agora 20 espécies de fungos bioluminescentes
No mundo existem aproximadamente 105 espécies de fungos que brilham
Entre os municípios de Iporanga e Apiaí, na região do PETAR, existe a maior concentração de cogumelos bioluminescentes do planeta
Dos 20 tipos de cogumelos brilhantes que temos no país, 1 ocorre na Amazônia, 1 no Piauí e 18 na Mata Atlântica sendo 13 deles encontrados no sul do estado de São Paulo
Veja também:
Espécies bioluminescentes iluminam florestas e oceanos
Região do PETAR é casa de ave rara

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