domingo, maio 9, 2021

Campinas atinge em 2021 número de mortes por Covid-19 em menos da metade do tempo de 2020


Metrópole registrou 1.525 óbitos pela doença em 120 dias; no ano passado foram precisos 278 dias para chegar a 1.509 mortes. Campinas contabiliza 3.034 mortes por Covid-19 até esta segunda-feira (3)
Osvaldo Furiatto
Com os casos confirmados no boletim desta segunda-feira (3), Campinas (SP) superou, em menos da metade do tempo, as mortes registradas durante 2020. Relaxamento com as medidas para bloquear a transmissão do vírus, circulação de uma variante mais transmissível e ritmo de vacinação aquém do ideal são apontados por especialistas como o motivo para que os primeiros quatro meses de 2021 tenham sido os piores da pandemia na metrópole.
Das 3.034 vidas de moradores de Campinas perdidas para a doença, 1.509 delas ocorreram entre 28 de março e 31 de dezembro de 2021, um intervalo de 278 dias. Agora, foram outras 1.525 entre 1º de janeiro e 1º de maio de 2021, um espaço de 120 dias.
E boa parte dessas mortes ocorrem entre março e abril de 2021, os mais mortais da pandemia. Juntos, registram 1.101 óbitos.
Para Raquel Stucchi, médica infectologista da Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, os dados servem para alertar que a pandemia ainda não acabou e que qualquer descuido pode piorar ainda mais esses indicadores.
“A pandemia não acabou, o vírus não foi embora. Nós tivemos os piores quatro meses em números de casos e óbitos, muito por conta do descuido de uma maneira geral, com aglomerações, sem uso de máscara ou distanciamento, além da presença de uma variante, a P.1, que transmite muito mais fácil”, pontua.
Valéria Almeida, médica infectologista que coordena a Vigilância Epidemiológica de Campinas, destaca que o cenário é a soma de vários e não de um um único fator, e que os números servem para mostrar o impacto que houve no sistema de saúde.
“O número de casos aumentou muito em um período curto de tempo. Este ano, já tivemos 70% dos casos que tivemos em 2020. Isso acaba impactando os serviços de saúde, que acabam tendo uma demanda extrema”, ressalta Valéria.
Flexibilização
Mas apesar dos números elevados de óbitos e casos, Campinas, assim como todo o estado de São Paulo, entrou na terceira semana da fase de transição do Plano SP, que define as regras para abertura das atividades econômicas durante a pandemia de Covid-19. Houve ampliação do horário de funcionamento de comércios e serviços, mas com limitação de 25% da capacidade.
Na avaliação de Valéria Almeida, os indicadores atuais apontam um controle da transmissão na cidade há mais de duas semanas, o que permite, com certa segurança, esse movimento de flexibilização.
“A gente já teve uma queda de casos antes da reabertura (da economia). Verificamos que a taxa de transmissão está em torno de 1, às vezes menos de 1, e esses dados permitem saber que estamos com controle da transmissão. Mas apesar da flexibilização, é importante a população gerenciar os riscos, não se expor a riscos desnecessários”, explica.
Tanto Valéria quanto Raquel reforçam a importância dessas medidas de prevenção, como o uso de máscara, higiene adequada e distanciamento social.
“Se a gente se descuidar agora, vai incorrer nos mesmos erros do ano passado e do começo deste ano. A decisão da flexibilização pode ser entendida como tudo está melhor, o que acaba facilitando a transmissão”, ressalta Raquel Stucchi.
Profissional de saúde manipula dose da vacina CoronaVac, contra Covid-19, em Campinas, no interior de São Paulo, nesta sexta-feira (12)
LEANDRO FERREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Vacinação contra a Covid-19
Um ponto importante para que os números não continuem aceleram nessa velocidade seria a ampliação da vacinação contra a Covid-19, ainda aquém do ideal. Enquanto houve transmissão elevada do coronavírus, a professora da Unicamp alerta para o risco do surgimento de novas variantes.
“As variantes só surgiram porque deixamos o vírus circular muito, não usando máscara, ficando próximos uns dos outros, não higienizando. Mas a lentidão da vacinação também facilita”, pondera Raquel.
“A vacinação poderia ser mais ampla, seria mais adequado. Mas mesmo com a vacinação, é preciso saber que vamos conviver com o vírus. As pessoas vão precisar saber gerenciar os riscos para que possa tudo voltar a uma certa normalidade, o que não vai ser tão rápido”, completa Valéria.
VÍDEO: veja o que é destaque na região de Campinas
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