sexta-feira, março 5, 2021

Campinas suspeita que variante de Manaus esteja em circulação e pede ao Lutz análise de pacientes


Em coletiva nesta quarta, prefeitura trata momento atual como ‘complicado’, e vê possível circulação da nova cepa, além do aumento da taxa de reprodução do coronavírus de 1 para 1,2, como motivos para pressão na rede de saúde; prefeito envia ofício ao estado solicitando abertura de leitos com urgência. Arte Coronavírus
Comunicação/Globo
O aumento de casos, internações e mortes por Covid-19 faz Campinas (SP) suspeitar que uma nova cepa do coronavírus esteja circulando no município. O fato, aliado ao aumento na taxa de transmissão de 1 para 1,2, explicaria o atual momento de pressão da rede de saúde, classificado como “muito complicado”. Para tentar identificar se a culpada é a variante de Manaus (P.1), a prefeitura solicitou ao Instituto Adolfo Lutz autorização para coleta de amostras para sequenciamento genético.
A ideia é analisar pacientes com casos graves, com menos de 40 anos e vítimas de reinfecção para saber se eles foram infectados por essa nova variante.
Atrelado a isso, o prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), informou que irá enviar um documento ao governo de São Paulo detalhando a situação e solicitando
informou nesta quarta-feira (17) que irá enviar um documento ao governo de São Paulo solicitando que o estado “faça sua parte” no combate à pandemia e amplie a oferta de leitos com urgência.
Cepa de Manaus
Uma das hipóteses para o aumento de casos na cidade está relacionada com a possível circulação da variante de Manaus (P.1), que é mais transmissível. A Vigilância de Campinas identificou o primeiro caso em uma idosa de 78 anos que chegou em Campinas no dia 14 de janeiro, num voo direto de Manaus (AM).
A mulher desembarcou já com sintomas da Covid-19. O caso foi identificado pelas autoridades de saúde do Aeroporto Internacional de Viracopos, a mulher foi levada direto para uma unidade de saúde e depois internada em um hospital da rede particular, onde permaneceu até dia 25 de janeiro.
Segundo Andrea Von Zuben, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), toda a rede de contatos dessa paciente foi monitorado, como as filhas, o local de internação e os passageiros que teve contato, sem identificar, nessa situação, novos contatos.
“Porém, começamos a achar que houve sim transmissão dessa variante em Campinas, talvez não por esse pacientes, mas por outra que não tivemos conhecimento”, pontuou.
Abertura de leitos
Dário Saadi enfatizou que no atual cenário a abertura de leitos pelo SUS de gestão estadual é muito importante não só para a metrópole como para toda a região, e que “só o município não suporta a pressão”.
“O estado teria de abrir o máximo de leitos que puder, colocar em operação os 13 do HC da Unicamp, que já foram prometidos. No auge da pandemia, Campinas chegou a ter 150 leitos municipais e 93 do governo do estado. Agora estamos com 107 e o estado permanece com 17 há meses”, disse Dário.
Mesmo sem a sinalização de recursos estaduais ou garantia de abertura de vagas, a prefeitura informou que deu início a programação de ampliação de vagas na cidade, tanto em UTIs Covid como em leitos de enfermaria. Nesta quarta, a taxa de ocupação é de 82,8%.
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Sérgio Bisogni, presidente da Rede Mário Gatti de Urgência e Emergência, informou que 21 novas vagas de enfermaria para tratamento de pacientes com Covid-19 serão abertas na próxima segunda-feira (22), e que outras 24 estruturas, previstas para a UPA Anchieta Metropolitana, devem ser instaladas entre 15 e 18 dias.
Com relação a vagas de UTI Covid, o secretário de Saúde, Lair Zambon, destaca que as possibilidades atuais de ampliação passam por contratações com o setor privado. Nas conversas estão previstas a compra de sete leitos na Irmandade Santa Casa, quatro junto ao Hospital Vera Cruz (que poderia oferecer ainda mais quatro de enfermaria) e entre três e cinco UTIs no Samaritano.
“Esses leitos que o Lair falou estão nos ofícios que enviamos ao governo, para mostrar onde seria possível comprar. Não vamos esperar o dinheiro chegar, porque estamos no processo já para abertura. Mas ressalto que só o município não suporta”, complementou o prefeito.
Taxa de transmissão
Na coletiva, Andrea Von Zuben também destacou que a cidade apresentou um aumento “preocupante” na taxa de transmissão de 1 para 1,2, que mostra a capacidade de gerar novos casos, e que apresenta uma tendência de aumento.
Na prática, taxas acima de 1 mostram um certo descontrole da pandemia. No panorama atual, um grupo de 100 pessoas com o coronavírus pode contaminar outras 120 pessoas. E isso cresce em progressão geométrica.
“Isso ocorre provavelmente porque está tendo uma transmissão exacerbada, provocada por pessoas que ficam muito próximas, em ambientes fechados, sem máscara, sem as medidas corretas de higiene”, pontua Andrea.
Gráfico mostra variação da taxa de transmissão do coronavírus em Campinas (SP); índice está em 1,2 atualmente
Reprodução/Devisa/Prefeitura de Campinas
Aglomerações
Mesmo diante do cenário de pressão por leitos Covid na rede pública de saúde, o prefeito de Campinas descarta adotar medidas restritivas além do previsto no Plano SP de flexibilização da quarentena – a cidade encontra-se na fase amarela.
Segundo a prefeitura, as ações que serão intensificadas são as fiscalizações como as realizadas durante o período de carnaval para coibir aglomerações, principalmente em festas e com consumo de bebida alcóolica.
“O que nós temos feito, e isso foi evidente no carnaval, são operações evitando aglomerações, festas. Vamos endurecer ações nessas situações, que é onde ocorrem as transmissões”, defendeu Dário.
Para Andrea Von Zuben, apesar da cobrança por medidas do poder publico, “o problema é que a população não está mais aderindo às medidas”, e que sem essa colaboração com o distanciamento social, uso de máscara e assepsia das mãos de forma correta, os casos continuarão aumentando.
“A maior transmissão ocorre nesses ambientes, em que há exposição por longo tempo e sem máscara. Se a população não colaborar, não adianta. Atualmente, tem festa que informa o endereço do local uma hora antes para tentar burlar a fiscalização’, completa.
Ação da Guarda de Campinas (SP) interrompe festa clandestina na madrugada deste domingo (14)
Guarda Municipal de Campinas
Vacinação
Na coletiva a prefeitura também abordou a questão da vacinação contra a Covid-19, que segue ativa na cidade para idosos com mais de 85 anos e com a aplicação da 2ª dose em profissionais de saúde.
Segundo Andrea Von Zuben não há, no momento, cenário para interromper a campanha para o público-alvo atual, como ocorre em alguns municípios da região, como Sumaré (SP) e Paulínia (SP), mas que há risco, sim, de suspender a progressão da campanha e o atendimento de moradores a partir de 80 anos caso não cheguem mais doses.
“Tínhamos estimado 6,3 mil idosos com mais de 85 anos e estamos próximo disso, estamos com um número pequeno de doses, mas deixamos vagas abertas para esses idosos. Pelo mapeamento que temos, faltam alguns, de algumas regiões. Agora, se não vier lote na semana que vem, não vamos ter para vacinar os que tem entre 80 e 84 anos”, explica.
Vacinação de idosos com mais de 85 anos começou nesta quinta em Campinas
Helen Sacconi/EPTV
O que diz o estado?
O G1 entrou em contato com o governo de São Paulo após o prefeito de Campinas informar, em coletiva, o envio do documento cobrando a abertura de leitos na cidade. O texto será atualizado assim que o governo se posicionar.
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