sábado, abril 17, 2021

Campinas tem 5º verão seguido com chuva inferior à média, e PCJ diz que situação pode preocupar se outono mantiver tendência


Metrópole encerrou estação com volume de precipitação acumulado de 624,5 mm, diz Cepagri da Unicamp. Outono teve início às 6h38 deste sábado (20) e vai até 21 de junho. Nuvens carregadas em Campinas; cidade encerrou verão com volume de chuva abaixo da média histórica
Luciano Calafiori/G1
Campinas (SP) encerrou o verão 2020-2021 com volume de chuva abaixo da média histórica pelo quinto ano seguido, de acordo com o Centro de Pesquisas Meteorológicas da Unicamp (Cepagri). Diante deste indicador da estação, que deu lugar ao outono às 6h38 deste sábado (20), o Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) diz que a situação pode ficar preocupante no âmbito do abastecimento, caso a tendência de redução continue até 21 de junho.
Variação histórica
Com estação instalada no distrito de Barão Geraldo, o Cepagri registrou volume de precipitação equivalente a 624,5 milímetros (mm) no verão, total que representa 53,8 mm a menos do que a média histórica de 678,3 mm. O resultado é praticamente idêntico ao de 2020, mas segue distante da quantidade de chuva registrada em 2016, quando o centro contabilizou 870,4 mm. Veja gráfico.
Os dados do Cepagri são verificados desde 1990. A pesquisadora Ana Ávila destaca que as temperaturas na metrópole ficaram dentro da média histórica, com variação entre 19,2ºC e 30,8ºC.
Segundo ela, a expectativa é de que o volume de precipitações no outono fique na média histórica, estimada em cerca de 162 mm, ou fique um pouco abaixo. Em 2020, o volume foi de 83 mm após Campinas ter o mês de abril com a maior estiagem em 130 anos, de acordo com dados do centro.
“O outono é uma estação em que a gente tem uma redução bastante acentuada das chuvas, comparadas ao regime de verão, que é praticamente 50% do total anual das chuvas […] A gente não tem uma previsão, com resultado muito confiável”, pondera a pesquisadora ao mencionar que as temperaturas esperadas para este período também permaneçam dentro da faixa histórica.
“O outono tem uma característica muito ainda do verão, e essa mudança normalmente acontece progressivamente com redução das temperaturas, já maio, a gente tem ondas mais frias e períodos mais secos com a baixa umidade relativa do ar. Essa é a característica do outono”, destaca Ana.
Possível preocupação
Segundo o coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad, a bacia hidrográfica administrada pela entidade registrou chuvas aproximadamente 12% menores que a média histórica do verão. Agora, a preocupação é com o índice de chuvas do outono, que pode definir o curso do abastecimento na região.
“Se, porventura, acontecer de chover no outono bem abaixo da média, nós podemos começar a ficar muito preocupados, porque o período seguinte é o inverno, que normalmente já é um período muito seco. […] Nós temos que estar sempre atentos, acompanhando e tomando medidas para amenizar e minimizar os impactos das poucas chuvas que possam acontecer”, destaca.
Saad afirma ainda que o Sistema Cantareira, um dos principais responsáveis pelo abastecimento da região, registra, atualmente, 54% de volume útil. “Se não fosse essa transposição que a Sabesp [Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo] implementou por conta daquela crise de 2014/2015, nós estaríamos hoje no Sistema Cantareira com em torno de 10 a 12% apenas, no máximo”, diz.
“O importante não é só o volume de chuva que cai, mas como essa chuva chega aqui. De repente você tem um volume acima da média histórica, mas choveu tudo em poucas horas do dia. Essa água não penetra no solo, não recarrega os lençóis freáticos […] A situação é de atenção para evitarmos entrar numa situação de alerta, então estamos procurando trabalhar para não ter necessidade de ações mais drásticas”, explica o coordenador de projetos.
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