segunda-feira, março 1, 2021

Casa onde menino foi acorrentado em barril tinha alimentos em armários e na geladeira, diz laudo


Perícia no imóvel da família foi feita em 30 de janeiro, dia em que garoto de 11 anos foi resgatado pela PM em Campinas. Peritos encontraram cascas de banana dentro do barril, que tinha abertura de 36 centímetros. Barril onde menino de 11 anos foi acorrentado em Campinas
Fantástico
O laudo da perícia feita na casa onde um menino de 11 anos foi acorrentado dentro de um barril no Jardim Itatiaia, em Campinas (SP), aponta que havia alimentos guardados tanto no armário quanto na geladeira da família. Os peritos também encontraram cascas de banana e uma colher de plástico dentro do tambor. Segundo a Polícia Militar (PM), o jovem era alimentado com estas cascas.
A abertura feita no barril tem dimensões de 36 por 36,5 centímetros. A perícia foi realizada em 30 de janeiro, mesmo dia em que o garoto foi resgatado pela PM. Ele tinha mãos e pés acorrentados, estava debilitado e com sinais de desnutrição. Para os policiais, ele contou que comia cascas de frutas e fubá cru. Tinha sede e fome quando pediu ajuda.
Dois dias depois do crime, a casa foi invadida e vandalizada. Móveis, alimentos e objetos diversos foram revirados [veja fotos abaixo].
Casa onde menino era mantido acorrentado em barril foi invadida e vandalizada por vizinhos, em Campinas (SP)
Wagner Souza/Futura Press/Futura Press/Estadão Conteúdo
Família que dividiu quarto de hospital com criança cita amizade após resgate
Alimentos e brinquedos
De acordo com a perícia, a casa tinha eletrodomésticos, roupas, calçados e brinquedos. Os armários e a geladeira estavam abastecidos com alimentos. Havia, também, água limpa para animais domésticos.
O barril onde o garoto foi acorrentado estava em um corredor no lado esquerdo da casa. A área não tem telhado. O tambor tem 90 centímetros de altura por 56 de largura e ficava sob uma cobertura de fibrocimento, além de uma manta.
O laudo também indicou a presença de correntes e um cadeado fixados no barril. O documento foi assinado em 3 de fevereiro e arquivado no Sistema Gestor de Laudos da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).
O G1 tentou contato com o Instituto de Criminalística, mas as ligações não foram atendidas. A reportagem também enviou e-mail para a SSP e aguarda retorno. O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Campinas.
Jardineiro chamou polícia
Jardineiro e morador de uma viela próxima da casa onde residia a família do menino encontrado acorrentado dentro do barril, Ivanei Queirós da Silva foi quem chamou a polícia após se deparar com o garoto pedindo ajuda.
Ele lembrou que as agressões eram recorrentes, mas não imaginou que a situação se agravaria a esse ponto.
“Apanha praticamente todos os dias. Tanto a mãe como o pai falavam pra ele não chorar, pra não gritar. Então, ele tinha que apanhar calado. Sofrer ali calado.”.
Ivanei Silva, jardineiro que encontrou menino torturado em barril em Campinas
Pedro Santana/EPTV
Silva conseguiu pelo muro chegar ao garoto, percebeu forte cheiro de urina e fezes, disse que chamaria ajuda, registrou as imagens com um celular. Ele pediu que a Polícia Militar enviasse o máximo de viaturas possível, urgentemente, porque havia uma criança pelada acorrentada a um barril.
“Falei pra eles mandar o máximo de viatura possível, que não seria nem urgente, seria mais que urgência, porque tinha uma criança acorrentada, dentro do barril, pelada.”.
Menino de 11 anos resgatado pela polícia em Campinas após sofrer tortura acorrentado a um barril
Reprodução/EPTV
Após o resgate e os dias hospitalizado para passar por exames e tratar a desnutrição, o menino de 11 anos recebeu alta e foi encaminhado para uma instituição de acolhimento em Campinas, uma medida excepcional prevista pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). Por todo o país – e até fora do Brasil – houve uma mobilização de ajuda ao garoto. Centenas de roupas e brinquedos foram doados.
“Um alívio de saber que ele tá bem. Que ele vai passar a ter uma vida decente, que toda criança merece.”, diz o jardineiro.
O pai, a madrasta do menino e a filha dela, de 22 anos – que estava em casa vendo televisão quando a polícia chegou – foram presos preventivamente por tortura e omissão. O caso também é acompanhado pelo Ministério Público.
Prisão de até 10 anos por tortura e perda da guarda: veja possíveis punições para pai que mantinha criança acorrentada em barril
Área onde criança era mantida, em Campinas
Polícia Militar
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