terça-feira, março 2, 2021

Com 113 mortes por Covid em Campinas, fevereiro já supera dezembro e infectologista da Unicamp vê 2ª onda em ascensão


Médica condena desrespeito às regras de distanciamento por parte da população. ‘A sociedade não pode pagar esse preço alto pela falta de cidadania’. Ação da Guarda de Campinas (SP) interrompe festa clandestina na madrugada deste domingo (14)
Guarda Municipal de Campinas
O momento de pressão da rede de saúde de Campinas (SP), classificado como “muito complicado” pelas autoridades, pode ser traduzido em números. A cidade já registrou 113 mortes por Covid-19 em fevereiro, superando o total de óbitos de dezembro (112), mês em que a 2ª onda da pandemia começou a tomar forma. Para a médica infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp, o atual cenário, de desrespeito às regras sanitárias e circulação de uma variante do coronavírus, mais transmissível, indicam que essa onda continuará em ascensão.
Raquel, que também é consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que essa explosão de casos teve início com as festas e confraternizações de final de ano, e que, considerando o que foi visto no carnaval, tende a crescer ainda mais.
“Se você pegar os dados de Campinas, a maior parte dos novos casos é da população mais jovem, enquanto os óbitos seguem maiores em pessoas com mais de 60 anos e com comorbidades. A maior parte daqueles que saíram tem até 40 anos, volta para casa, passa para os parentes e esses se agravam e internam”, alerta.
A infectologista pondera que o desrespeito às regras de distanciamento não é uma exclusividade brasileira, mas vê a realização de festas clandestinas como uma grande obstáculo nessa luta para combate da pandemia.
“A sociedade não pode pagar esse preço alto pela falta de cidadania, falta de responsabilidade das pessoas”, diz.
‘Alternativa para o Brasil’
Apesar do tom crítico com a parcela da população que tem se aglomerado e negligenciado o uso de máscaras e medidas de higiene, Raquel Stucchi defende que o poder público teria de ser mais ativo e encontrar modelos de gestão, em conjunto com outros atores da sociedade civil, para o problema diante das características brasileiras.
“A gente sabe que tem a questão da economia e isso depende de gestão. Seria preciso que prefeitos, empresários, sindicatos e outros representantes se unam para encontrar uma alternativa para o Brasil, que não é a da Dinamarca, não é a da Nova Zelândia”, afirma, citando países que são considerados bem sucedidos no combate da pandemia.
A infectologista da Unicamp Raquel Stucchi
Reprodução / EPTV
Variante de Manaus
Além da parcela da população que relaxou ou abriu mão dos cuidados sanitários, Raquel Stucchi vê na circulação de novas variantes do coronavírus um outro fator que impulsiona o aumento de casos em Campinas e região.
Após registrar um caso da variante de Manaus (P.1) em uma idosa de 78 anos, a Vigilância Sanitária de Campinas pediu autorização ao Instituto Adolfo Lutz para coletar amostras e realizar sequenciamento genético de casos graves, de pacientes com menos de 40 anos e vítimas de reinfecção, na tentativa de confirmar se essa cepa, mais transmissível, circula pela cidade.
Para Raquel Stucchi, não há dúvidas que tal variante esteja circulando “em tudo quanto é lugar”, sendo que a sorte é que ela “não mudou o tamanho do vírus”, ou seja, a doença causada por essa nova cepa é, ainda, a mesma do novo coronavírus.
“Se o novo coronavírus, ‘lerdinho’, demorou dois meses para sair da China e estar em todos os continentes, porque uma variante mais ‘acelerada’ não está em tudo quando é lugar? Para mim, não tem nenhuma surpresa ter mais de uma variante circulando entre nós”, afirma.
Nesse contexto, a preocupação da especialista é que a demora por medidas efetivas de controle da pandemia, a principal delas sendo uma vacinação em massa, permita a mutação do coronavírus para uma nova versão mais perigosa.
“Essa lentidão da vacina é coerente com tudo o que foi feito de enfrentamento da pandemia no Brasil. Tudo errado desde o começo. Essa lentidão é ruim por vários motivos, que passa por não garantir a 2ª dose no prazo adequado, não imunizar os idosos e grupos prioritários e por permitir que o vírus fique transmitindo mais e mais, aumentando as chances de novas mutações, até uma que possa causar uma doença mais grave”, explica.
A médica da Unicamp completa ressaltando que Israel mostrou, com a aplicação da vacina em grande parte da população, que é possível controlar a pandemia.
“Estão dando chance para isso [uma mutação mais grave] acontecer.”
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