segunda-feira, abril 12, 2021

Com aumento de internações, Campinas enfrenta dificuldades para ampliar leitos de UTI Covid


Nº de internações pela doença nos sistemas público e particular cresceu 41% na metrópole entre janeiro e março deste ano. HC da Unicamp vive cenário de 100% de ocupação, diz coordenador. Campinas tem aumento no número de leitos de UTI Covid, mas registra ocupação de 90,16%
Diante do aumento de internações em decorrência da Covid-19, Campinas (SP) enfrenta dificuldades para ampliação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) exclusivas para tratamento da doença. A burocracia envolvida na contratação de novos leitos, porém, não acompanha o ritmo acelerado da pandemia.
Segundo apuração da EPTV, afiliada da TV Globo, de janeiro a março deste ano, o número de internações pelo novo coronavírus nos sistemas público e particular cresceu 41% na metrópole. No início de janeiro, eram 187 internados em UTIs; já na primeira semana de março, o número passou para 263.
De acordo com o pneumologista Renato Gullo, os pacientes que evoluem para um quadro grave da doença não podem esperar pela liberação de um leito porque, devido à insuficiência respiratória, necessitam de monitoramento constante e ventilação mecânica.
“Uma coisa leva à outra, ou seja, esse indivíduo tem uma baixa da sua resposta cardiológica, do musculo cardíaco, então esse indivíduo necessita de assistência ventilatória, cardiológica e circulatória […] Eu acredito que um indivíduo desses vai ter que ter umas cinco, seis pessoas habilitadas para comandá-lo durante toda essa jornada”, explica Gullo.
Pressão nas UTIs
Na manhã desta quarta, a metrópole viveu um colapso na área da saúde após registrar falta de leitos de UTI Covid e também para outras doenças. Durante a tarde, a taxa de ocupação sofreu uma leve queda e passou para 90,16%.
O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), explica que, mesmo diante de um cenário preocupante, a ampliação de leitos no município ainda é um processo que demanda diversos recursos, tanto humanos quanto financeiros e estruturais.
“O hospital de campanha não tem estrutura para ter leitos de UTI. Para você montar um leito, você tem que ter a estrutura física, com cama, com equipamentos, respirador, monitor, e profissionais. Desde de limpeza, enfermagem, médicos, fisioterapeutas, é uma equipe multidispclinar. Isso não é fácil e não é de uma hora pra outra que você consegue”, afirma Saadi.
Prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), explica dificuldades estruturais para contratação de leitos
Reprodução/EPTV
HC da Unicamp
Em entrevista à EPTV nesta quarta-feira (3), o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, garantiu até fim de março abertura de mais 14 leitos de UTI para pacientes com Covid-19 na cidade. Os leitos garantidos para Campinas fazem parte do pacote de 339 estruturas de UTI anunciadas pelo governador João Doria (PSDB), no início da tarde, para diversas regiões do estado.
No Hospital de Clínicas da Unicamp, mantido pelo estado, há 30 leitos exclusivos para pacientes diagnosticados com a doença, dos quais 22 estavam ocupados nesta quarta. Segundo o coordenador de UTI de Emergências Clínicas do HC, Thiago Martins Santos, a situação é pior do que aparenta.
“Eu posso dizer que nós estamos com 100% da capacidade por conta disso: se eventualmente tem algum leito disponível, esse leito é rapidamente ocupado, porque a situação dos pacientes com Covid dentro do hospital é muito crítica. Nós estamos trabalhando com capacidade plena”, destaca.
Redes particular e privada de Campinas enfrentam superlotação nos leitos de UTI Covid
Reprodução/EPTV
Rede particular
A preocupação em desafogar as UTIs também afeta a rede particular de saúde, e não só para pessoas diagnosticadas com Covid-19. A pressão aumenta por causa de pacientes que acabaram evoluindo para casos graves de outras doenças e, por isso, precisam de atendimento com urgência.
“Você precisa fazer hoje uma cirurgia de câncer de próstata? Precisa porque é câncer. Você precisa fazer a cirurgia de um aneurisma cerebral? Precisa, porque o aneurisma pode estourar amanhã. Existe uma demanda reprimida do ano passado, de abril até setembro os volumes [das cirurgias] caíram muito e as pessoas seguraram”, analisa o diretor-presidente do Hospital Vera Cruz, Erickson Blun.
Por conta dessa demanda, a ocupação de leitos não Covid na rede particular já é de 90%. “Hoje, nós temos dedicado 56 leitos de UTI Covid, dos quais nós temos 53 hoje ocupados. Nós temos uma parceira com a prefeitura, onde temos um contrato com 14 leitos de UTI, e todos esses leitos estão ocupados neste momento”, finaliza Blun.
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