terça-feira, abril 13, 2021

Conheça a tiriba-grande, ave inofensiva que é 'manchada de sangue'


Espécie da mesma família das araras, papagaios e periquitos encontra-se ameaçada de extinção. A tiriba-grande é a mais rara entre as tiribas brasileiras.
João Rafael Marins/Arquivo Pessoal
O Brasil possui uma das maiores diversidades de psitacídeos (grupo do qual fazem parte as araras, papagaios e periquitos) do mundo. Embora muitos deles estejam ameaçados de extinção e corram risco de desaparecer, o Brasil ainda faz jus ao título de “Terra Papagalli” – Terra dos Papagaios – um dos primeiros nomes pelo qual nosso país foi conhecido.
Os observadores de aves brasileiros sabem que, independente do lugar, é praticamente impossível não surgir algum psitacídeo em uma manhã de passarinhada. Se o ambiente visitado for alguma área de floresta mais pujante é bem provável que entre as espécies observadas esteja alguma tiriba. Com 18 espécies registradas no Brasil, as tiribas formam um dos grupos de psitacídeos com maior riqueza de espécies no país. Todas pertencem ao gênero Pyrrhura, palavra que tem origem no grego e significa “cauda cor fogo”, uma referência à face inferior da cauda avermelhada presente na maior parte das tiribas.
Tiriba-grande é uma das preciosidades que ocorrem no sul da Bahia
Devanir Gino/ TG
Além da cauda de “fogo”, as tiribas compartilham outras características. O tamanho relativamente pequeno, entre 21 e 30 cm dependendo da espécie, e a cauda longa, fazem lembrar os periquitos. Vivem em bandos, geralmente entre 6 e 20 indivíduos, que voam rápido e agilmente por entre as copas das florestas e que poderiam passar despercebidos se não fossem a voz aguda e barulhenta que sempre acompanha os bandos.
Na Região Sudeste, a tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis) é a espécie mais comum, podendo aparecer até dentro de grandes cidades, desde que haja parques bem arborizados. Já outras espécies são mais raras e estão presentes na lista de desejos de muitos observadores de aves.
Já se passaram mais de 15 anos, mas até hoje me lembro bem da minha empolgação na primeira vez que observei uma das mais raras das tiribas brasileiras, a tiriba-grande. Foi durante uma passarinhada no Parque Estadual do Desengano, no norte do Estado do Rio de Janeiro, onde eu encontrei um bando com cerca de 8 indivíduos se fartando em uma goiabeira.
Fazendo jus ao nome, a tiriba-grande é a maior de todas as tiribas e, na minha opinião, uma das mais belas. Seu nome científico, Pyrrhura cruentata, é bem curioso. Já aprendemos o que significa Pyrrhura, então vamos decifrar agora “cruentata”. A palavra tem origem no latim, e significa “manchado de sangue”. (Não por acaso, cruel é alguém que se satisfaz com sangue e cru é algum alimento com sangue). Apesar disso, a tiriba-grande não é nenhum predador e o nome é uma referência a grande mancha vermelha em forma de coração que a espécie carrega no ventre e cuja coloração de fato parece sangue.
Tiriba-grande ocorre em matas de tabuleiro e é espécie ameaçada
Luciano Lima
É uma exclusividade da Mata Atlântica. A espécie vive apenas na Bahia, Espírito Santo, leste de Minas Gerais e no norte do Rio Janeiro. Não bastasse a sua distribuição geográfica restrita, seu habitat também é bastante específico, vivendo somente em florestas de baixada, geralmente abaixo dos 200 metros de altitude.
A destruição de grande parte do seu habitat natural tornou a tiriba-grande ameaçada de extinção, sendo classificada como “vulnerável” na lista mundial de espécies ameaçadas. Além disso, a espécie também é alvo do tráfico ilegal de animais silvestres. Apesar do seu nome científico “inofensivo”, cruel é o Homo sapiens, que coloca espécies como a tiriba-grande em risco de desaparecer para sempre.
Luciano Lima é biólogo, ornitólogo e consultor do Terra da Gente.

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