segunda-feira, abril 12, 2021

Contra a ‘cegueira verde’, técnico em informática publica guia com fotos de plantas do centro mineiro


Geraldo Pereira estudou área da botânica de forma autônoma e criou acervo por mais de 5 anos. Flores do jenipapeiro ilustram a capa do livro “Flora do Centro Mineiro” em seus diversos estágios desde o botão até a flor já polinizada
Geraldo Magela Pereira/Acervo Pessoal
Assim como uma semente, cuidadosamente plantada e regada até que surjam os primeiros sinais do nascimento, a relação do técnico em informática Geraldo Magela Pereira com a natureza também sempre envolveu respeito e paciência. Observador de aves há quase oito anos, o amante da vida natural descobriu entre as passarinhadas que a biodiversidade também merecia um toque de atenção.
A constatação veio após sentir que áreas nativas estavam se tornando mais raras e que plantas comuns de serem observadas anteriormente pareciam difíceis de serem encontradas cada vez mais. “Percebi também que não só eu, mas a maioria das pessoas com quem convivo não faz ideia da fartura de plantas que temos ou está saudosista por não mais ver uma espécie que marcou algum momento a vida. Vi que resgatar isso era urgente. Então mudei o foco e comecei a catalogá-las, registrá-las”.
Espécies com importância cultural e econômica como o pequizeiro estão entre os destaques da obra
Geraldo Magela Pereira/Acervo Pessoal
Como uma prática quase instintiva, Geraldo mudou o foco das câmeras para as plantas e destinou a elas também um parcela de curiosidade e interesse. O resultado desse esforço se materializou em anotações, consultas a especialistas em redes sociais e compartilhamento das descobertas em um blog até que ele recebeu um convite de uma editora para transformar esse acervo em um material físico. O livro “Flora do Centro Mineiro – guia fotográfico de plantas nativas”, publicado no início deste mês, é a transformação desse projeto.
Cigarrinha é um planta nativa do Brasil que exibe as flores vermelhas durante o Verão
Geraldo Magela Pereira/Acervo Pessoal
Com mais de 300 espécies nativas, entre elas plantas raras ou mesmo ameaçadas, ilustradas por fotografias e informações em texto, o livro dá dimensão ao leitor da experiência do observador. “Fui aprender o básico sobre o assunto e aos poucos fui procurando me aprofundar, pois não era possível escrever sobre plantas sem delas sequer entender a anatomia. O processo criativo partiu deste aprendizado, grande parte dele mantendo contato com especialistas da área que muito solícitos e gentis se dispuseram a compartilhar comigo o conhecimento que têm”, explica o técnico em informática.
Planta conhecida como farinha-seca ou maria-pobre demandou alguns meses de visitas à árvore para que o observador conseguisse registro dos frutos abertos apresentando as três sementes características
Geraldo Magela Pereira/Acervo Pessoal
Riquíssima em natureza, a região central de Minas não poderia ser um cenário melhor para uma produção como esta. “Temos muitos e importantes cursos d’água como o Rio das Velhas e o Rio Paraopeba, atrativos turísticos como cachoeiras, o Cerrado e suas diversas formações, as Veredas cantadas na obra de Guimarães Rosa, os campos rupestres da Serra do Cabral e diversas áreas de Mata Atlântica”, descreve Geraldo Pereira.
Dar forma e imortalizar em fotos esse ambiente é apenas uma das iniciativas do observador que espera ainda deixar um legado para as gerações futuras que poderão conhecer a riqueza dessas áreas através das páginas do livro. Já pensando em um volume dois da obra, Geraldo sonha ainda em quebrar com um conceito que tem se tornado muito comum: a “cegueira verde”, a indiferença às plantas e à biodiversidade.
Quiabinho-do-campo esteve entre as plantas registradas por mais de cinco anos em inúmeras incursões em campo do observador, que voltou dezenas de vezes a um mesmo local
Geraldo Magela Pereira/Acervo Pessoal
Talvez assim as futuras gerações sejam estimuladas a analisar a natureza de forma curiosa e respeitosa. “Não é preciso ser acadêmico de ciências naturais para entender, cuidar e preservar. Estamos no país mais biodiverso do mundo e não raro nos surpreendemos com o quanto ainda é descoberto. O livro é um convite para que o olhar das pessoas se volte para toda esta riqueza natural”, reforça.
As plantas nos ensinam a ter paciência, aprendemos com elas que tudo tem o seu tempo. Não adianta querer atropelar etapas, da semente não surgirão frutos antes das raízes.
Cipó recebe o nome popular de mil-homens e apresenta mais de 60 espécies distintas no Brasil
Geraldo Magela Pereira/Acervo Pessoal

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