quarta-feira, março 3, 2021

Covid-19: Campinas atingiu índice de isolamento de 40% ou mais só em 11 dias desde o início de 2021


Medida perdeu força na cidade com o avanço da pandemia, mas casos e mortes subiram em 2021. Infectologista aponta necessidade de usar máscaras corretamente e não promover aglomerações. Vista aérea de Campinas
Reprodução / EPTV
Listado como uma das medidas para frear o avanço do novo coronavírus nas cidades, o isolamento social foi perdendo força em Campinas (SP) com a evolução da pandemia. A metrópole do interior de São Paulo, que registrava índices entre 43% e 59% nos primeiros meses de quarentena, ainda não conseguiu superar os 48% em 2021. Além disso, em apenas 20,75% dos dias deste ano, houve adesão maior que 40%.
De 1 de janeiro até esta segunda-feira (22), somente em 11 dias o Sistema de Monitoramento Inteligente de São Paulo (Simi), mantido pelo governo do estado, apontou percentuais maiores que 40% em Campinas [veja nos gráficos abaixo].
Enquanto isso, os números da pandemia crescem. Após uma melhora entre setembro de novembro de 2020, os registros de novos casos e mortes em dezembro e no começo deste ano voltaram a subir, o que gerou pressão no sistema de saúde, que atingiu 100% de ocupação dos leitos de UTI Covid-19 no fim de semana.
Mesmo com abertura de 11 novos leitos, a rede municipal continua no limite nesta terça.
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Como resposta ao recrudescimento da pandemia, Campinas (SP) adotou, a partir desta terça-feira (23), medida mais restritiva no período noturno. De 21h às 5h, apenas serviços considerados essenciais poderão funcionar. A “fase vermelha noturna” vai vigorar até o início de março, mas pode ser estendida se a situação não melhorar.
Longe do ideal, mas há saída…
A infectologista da Unicamp Raquel Stucchi explica que a taxa de isolamento ideal seria em torno de 70%, mas é difícil alcançar esse índice sem medidas muito restritivas.
“Se você for ver taxa de isolamento, o ideal seria em torno de 70%, mas isso fica muito difícil a hora que você praticamente todas as áreas, durante o dia pelo menos, operando abertas. As pessoas tendo que se deslocar para trabalhar, então fica muito difícil manter uma taxa de isolamento”.
Ao comparar com o início da pandemia, Raquel lembra que parte considerável das empresas adotou o home office e, agora, muitas retomaram as atividades. Soma-se a isso o cansaço da população com a quarentena e as orientações contrárias às medidas sanitárias de parte dos governantes.
“Agora a realidade é bem diferente. Mesmo as empresas, a maior parte delas estão voltando até com reuniões presenciais aqui na região, então fica difícil você manter uma taxa de isolamento. E ao mesmo tempo você tem também a manutenção de orientações, principalmente de governo federal, que ainda mantém um discurso contra isolamento, o presidente acha que aglomerar tudo bem, que não precisa de máscara, e as pessoas que acabaram se cansando”.
Apesar da dificuldade em alcançar índices ideais de isolamento, Raquel defende que o uso de máscaras confeccionadas de forma correta, o distanciamento social (que significa não promover aglomerações) e a higiene das mãos, quando feitos de forma eficaz e rigorosa, podem servir para bloquear transmissão.
Políticas públicas e conscientização
Sem vacinação rápida e com o sistema de saúde pressionado pela alta demanda e escassez de profissionais, a infectologista insiste que somente as medidas sanitárias podem evitar que a situação piore.
No entanto, é preciso que os governos municipais também promovam políticas eficazes, como a ampliação do transporte público para evitar aglomeração em ônibus. “Quando a gente cobra da população que faça certo, temos que cobrar dos gestores municipais que façam a sua parte no sentido de que tenham um planejamento adequado de transporte urbano, que você tenha um maior número de ônibus para que as pessoas não fiquem esperando um tempão do ladinho do outro”.
“Nós estamos longe de vacinar, estamos com sistema de saúde colapsando em termos de leitos, em termos de insumos e de profissionais de saúde, inclusive. Então realmente a gente tem que insistir muito na conscientização das pessoas em relação ao que cada um deve fazer e com a falta de entendimento das pessoas, mais uma vez não sobra muitas alternativas que não medidas mais restritivas que vão penalizar fortemente a economia”.
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