terça-feira, maio 18, 2021

Dia da Anta: como está o filhote que nasceu no RJ após 100 anos de extinção da espécie


‘Curumim’’ completou um ano em 2021 e é filho de antas reintroduzidas na Reserva Ecológica de Guapiaçu em 2017; nova geração de animais do estado pode ter até outros novos membros. Como está a primeira anta nascida no Rio de Janeiro após 100 anos da extinção da espécie
Em janeiro de 2020, nasceu a primeira anta de vida livre do estado do Rio de Janeiro após um centenário de extinção da espécie. O pequeno “Curumim”, filho de antas reintroduzidas por pesquisadores do Projeto Refauna na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), foi flagrado por câmeras instaladas na mata e, desde esse primeiro contato, passou a ser monitorado constantemente. Passado um ano desde seu nascimento, o jovem já acumula histórias tristes, de superação e até pode não ser mais o único filhote dessa nova geração de antas!
Todo o monitoramento dele foi feito de forma remota. Através das armadilhas fotográficas, os pesquisadores avaliavam o estado de saúde e até tentavam descobrir mais detalhes sobre o animal. É o que explica Maron Galliez, professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e coordenador Projeto Refauna: “esse período de cuidado com o filhote gera muito estresse para a fêmea e, por isso, evitamos nos aproximar. Assim, fomos saber o sexo do filhote apenas meses depois, pois não queríamos capturá-lo”.
Registros através de armadilhas fotográficas também mostraram a diminuição das estrias, comuns aos filhotes de antas
Projeto Refauna/Acervo
As imagens constataram que o pequeno era um indivíduo macho e, assim, ele foi batizado por votação online e recebeu o nome de “Curumim”. A palavra de origem tupi designa, de modo geral, as crianças, mas não demorou muito para que o filhote tivesse que se adaptar diante de uma situação que exigiu muita maturidade. “Quando tinha oito meses, a mãe dele foi atropelada por um motociclista. Foi muito triste, mas também foi interessante observar que, a partir disso, o Curumim passou a andar muito com o pai”, relata Maron.
Ainda em fase da amamentação, mas já acostumado com a alimentação com frutas e vegetação, o pequeno soube superar a perda da mãe e foi surpreendido pela conquista de uma nova amizade. “Em outubro de 2020, soltamos uma outra fêmea na área e ela se juntou ao pai do Curumim. Eles formaram um grupo, o que protege ainda mais o filhote, que está com um ano e três meses, de predadores como uma onça-parda, por exemplo”, conta o pesquisador.
Jasmim e Valente, pai de Curumim, desenvolveram uma boa relação e isso permitiu que o grupo se protegesse
Projeto Refauna/Acervo
A expectativa é que o Curumim continue crescendo e se desenvolvendo sob a proteção do grupo. Apenas ao completar 18 meses, período em que atinge a maturidade sexual, é possível que parta para uma vida mais independente. “O pai tende a expulsá-lo de sua área de vida e o Curumim pode se instalar num local próximo. Com dois anos, ele já começa a reproduzir e nossa expectativa é que dê origem à segunda geração de antas de vida livre do estado do Rio de Janeiro”, torce Maron.
Tem filhote aí?
Os pesquisadores já encontraram, em outra área onde antas foram reintroduzidas, pequenas “marcas de esperança”. Patinhas semelhantes à de filhotes se tornaram indícios de que o Curumim pode não ser a única anta de vida livre após os 100 anos da extinção delas no Rio de Janeiro. “Não podemos confirmar que nasceu um novo filhote, porque ainda não temos imagens, mas já acumulamos muitas evidências”, afirma Maron.
A chegada de um bebê é um sinal de vitória no trabalho dos pesquisadores, já que o processo de reintrodução dos indivíduos adultos tenta recuperar um status de conservação muito comprometido pelo desmatamento, fragmentação florestal, contaminação desses animais por agrotóxicos e até atropelamentos, como ocorreu com a mãe de Curumim.
Primeira imagem de Curumim foi obtida após alguns meses de seu nascimento quando passou pelas armadilhas fotográficas
Projeto Refauna/Acervo
As equipes da Refauna e da REGUA conseguiram, junto à empresa de eletricidade e à prefeitura, a instalação de quebra-molas, postes de iluminação e placas de sinalização buscando evitar novos acidentes no local
O sucesso no processo de reintrodução das antas no RJ deve-se também à área escolhida. A Reserva Ecológica de Guapiaçu está situada dentro do Mosaico Central Fluminense, um conjunto de unidades de conservação que protege o terceiro maior remanescente de Mata Atlântica do país.
Com o auxílio do Projeto Guapiaçu III, patrocinado pela Petrobrás Socioambiental, a equipe da Refauna está conseguindo monitorar e acompanhar os passos das antas reintroduzidas na reserva. Para Nicholas e Raquel Locke, presidente e vice-presidente da REGUA, as pequenas etapas obtidas no trabalho com esses animais já alimentam muita esperança quanto ao estado de conservação deles.
Veja registros flagrados pelo Projeto Refauna de antas que foram reintroduzidas no Rio de Janeiro
“Estamos no início dessa caminhada e fazendo todo o possível para aumentar a proteção das florestas, restaurar áreas degradadas para aumentar a cobertura florestal e sensibilizar as comunidades do entorno do ganho ambiental da reintrodução da espécie”, conta o casal sobre o projeto.
11 antas foram introduzidas na área, mas 4 não resistiram e, até hoje, confirma-se um único nascimento. Assim, 8 antas estão na natureza no momento e o objetivo é alcançar o total de 50
Dia da Anta e o símbolo “Curumim”
O maior mamífero herbívoro do Brasil tem um dia só para ele. O Dia Internacional da Anta, celebrado em 27 de abril, reforça a importância de conservar essa espécie no mundo todo e apresentá-la à população de forma que sejam reconhecidas suas atuações ecológicas.
As antas são consideradas “jardineiras das florestas” por dispersarem na área onde habitam sementes que consomem. Também são responsáveis por podarem ramos e folhas quando se deslocam, controlando as espécies da flora mais abundantes. Assim, um novo filhote de anta é a expectativa de manter esse controle e garantir que a vida da espécie se torne cada vez menos vulnerável.
Dispersão de sementes e interação com besouros são os próximos passos da pesquisa com as antas reintroduzidas no Rio de Janeiro
Projeto Refauna/Acervo
“Esse animal é fundamental para o funcionamento da floresta e o Curumim é um símbolo de esperança de um mundo ambientalmente mais consciente, sadio e de uma natureza mais funcional. Ele representa a primeira geração de antas que nascem na natureza no Rio de Janeiro em 100 anos e a comunidade de Guapiaçu vai colher os frutos do contato com elas”, conclui Maron.
O nascimento do Curumim ainda nos emociona, nos alegra e nos incentiva para continuar com o nosso comprometimento na conservação e restauração da bacia do Rio Guapiaçu, agora o lar das antas após mais de cem anos de ausência
Curumim se tornou um símbolo de uma espécie com relevante papel ecológico
Projeto Refauna/Acervo

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