segunda-feira, maio 17, 2021

Educação e saúde impulsionam saldo positivo de 1 mil vagas de emprego em Campinas em março


Dados do Caged mostram que houve aumento na contratação de profissionais especializados. Para economista da PUC, apesar de números positivos, economia ainda depende da recuperação de outros setores, como a indústria. Carteira de trabalho
Mauro Pimentel/AFP/Arquivo
Campinas (SP) registrou saldo positivo de 1.044 vagas de emprego com carteira assinada em março, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo governo federal nesta quarta-feira (28). É o terceiro mês seguido com mais contratações com demissões, e o resultado foi impulsionado por contratações nas áreas de educação (443) e saúde (414).
Segundo a economista da PUC-Campinas, Eliane Navarro Rosandiski, a maior fatia das vagas criadas em educação foram no setor de educação infantil, que sofreu um grande volume de demissões em dezembro de 2020.
Para Eliane, os números são positivos e retratam, de certa forma, o cenário da pandemia vivido em março, com tentativa de retomada das aulas e também pela pressão na saúde, que necessitou da contratação de mais profissionais.
Isso pode ser corroborado pelo perfil das vagas criadas. Enquanto nos últimos meses a maior fatia de contratações envolvida trabalhadores com ensino médio completo, desta vez o maior volume foi de pessoas com ensino superior (618 vagas).
“É uma janela positiva de março, nesses setores, mas quando vamos para o comércio ou alguns serviços, como alojamento e alimentação, o desempenho ainda é ruim. Eles estão mais vulneráveis com esse movimento de fechamento e flexibilização”, pontua a economista.
Ainda na avaliação da economista, que integra o Observatório PUC-Campinas, apesar de apresentar números positivos, alguns setores precisam de uma retomada “mais substancial”. “O tombo da indústria foi muito grande”, ressalta.
Saldo de vagas por setores
Comércio: -137
Agropecuária: 8
Construção: 231
Indústria: 267
Serviços: 655
‘Proteção do emprego’
O relatório com os dados de março do Caged saiu no mesmo dia em que começou a vigorar a medida provisória que permite a redução da jornada e a suspensão dos contratos de trabalho, além da estabilidade no emprego para o trabalhador.
O Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda segue os mesmos moldes da Medida Provisória 936, convertida na Lei 14.020/2020, que vigorou por 8 meses no ano passado e atingiu quase 10 milhões de trabalhadores.
Governo relança programa de suspensão e redução de jornada; entenda como vai funcionar
Na avaliação de Eliane Rosandiski, a medida dá “um fôlego” para as empresas preservarem empregos, mas tal medida deve ser acompanhada de outras políticas, já que o consumo deve ser menor com a redução no valor e no alcance do Auxílio Emergencial em 2021, por exemplo.
“Estamos com uma economia mais fragilizada. Diferentemente do ano passado, o auxílio emergencial tem um valor bem mais baixo e para 2/3 das pessoas. Isso faz cair a demanda. Além disso, as empresas estão mais endividadas. A médio prazo, assim que essas medidas de proteção saírem, não há sinais de que a demanda vai ser forte o suficiente para manter esse nível de emprego”, completa.
Eliane Rosandiski, economista da PUC-Campinas
Fernando Evans/G1
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

Ultimas Notícias

Cidades da região de Campinas retomam vacinação contra Covid para grávidas e puérperas

Americana e Sumaré retomaram a imunização nesta segunda (17). Já Indaiatuba e Paulínia...

Filha de vítima de feminicídio em Piracicaba relata trauma do crime: 'saber que sou filha do assassino é difícil'

Crime ocorreu em 2019. Psicanalista diz que filhos de mulheres que foram mortas de forma violenta devem ter...

Santo Antônio de Posse aciona polícia após perder R$ 30 mil com furto de cabos que parou serviço de água; vídeo mostra crime

Câmera registrou momento em que furto é praticado por dois suspeitos, que ainda não foram localizados. Sem chuvas significativas há 71 dias,...

Trabalhar mais de 55 horas por semana aumenta risco de morte, diz estudo

O trabalho dignifica o homem, diz o ditado. Trabalhar demais, no entanto, pode levá-lo a uma morte prematura por doenças do coração ou um...

Trabalhar demais pode matar do coração ou de AVC, diz estudo

O trabalho dignifica o Homem, diz o ditado. Trabalhar demais, no entanto, pode levá-lo a uma morte prematura por doenças do coração ou um...
- Advertisement -