quarta-feira, maio 5, 2021

'Efeito Covid' eleva em 48% o total de mortes de moradores de Campinas no 1º trimestre de 2021


Por conta do coronavírus, número de óbitos por doenças infecciosas saltou do 9º para o 1º lugar na lista de causa de mortes no período. Campinas contabiliza 2.893 mortos por Covid-19 desde o início da pandemia
Osvaldo Furiatto
O impacto da Covid-19 elevou em 48% o número de mortes de moradores de Campinas (SP) no primeiro trimestre, segundo dados do Sistema de Informações de Mortalidade da Secretaria de Saúde. Foram 2.738 óbitos entre janeiro e março de 2021, contra 1.846 nos primeiros três meses de 2020, quando ainda surgiam os primeiro casos da doença.
Por conta da Covid-19, o total de óbitos por doenças infecciosas saltou do 9º para o 1º lugar na lista de causa de mortes no período, superando as ocorrências por doenças do aparelho circulatório que, pelo menos nos últimos 10 anos, são as que mais matam.
Desde o início da pandemia, a metrópole registrou 2.893 mortes de moradores por Covid-19. Dos 1.209 óbitos confirmados no primeiro trimestre de 2021 por doenças infecciosas, 1.017 tiveram como causa principal a doença.
Se por um lado o total geral de mortes subiu, os casos relacionados a doenças do aparelho circulatório, que incluem todas as do coração, por exemplo, apresentaram uma redução de 12,5% na comparação com 2020. Em relação ao câncer, houve queda de 23,7% nos óbitos como causa primária.
“Muitos dos óbitos por Covid-19 ocorrem em pessoas com fragilidade de saúde. O que podemos dizer é que algumas pessoas que morreram de Covid-19, talvez morreriam este ano de outras causas”, explica Juliana Nativio, coordenadora da Coordenadoria de Informações Epidemiológicas do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa).
‘Transparência nos dados’
Apesar disso, Juliana esclarece que há um trabalho, desde o início da pandemia, para garantir o máximo de transparência nos dados. Informações epidemiológicas são compiladas há décadas e ajudam a entender e estabelecer políticas públicas na área de saúde.
“A cada óbito de paciente com suspeita ou confirmação de Covid-19, é feito um trabalho bem rigoroso de identificação, para deixar esses dados os mais parecidos com a realidade. Eles são importantes para a gente que faz esse estudo ao longo dos anos, para entender a interferência da Covid e de outras doenças na mortalidade da população”, pontua.
Por conta da emergência sanitária, que suspendeu o Serviço de Verificação de Óbito (SVO), esse trabalho para identificar se a pessoa morreu por Covid-19 ou com a Covid-19 passa, prioritariamente, por uma análise detalhada de históricos médicos e de internação.
“Sem o SVO, temos que balizar em outras coisas e a investigação precisa ter mais pernas. Quando um paciente morre em casa, fazemos uma autópsia verbal com parentes, investigamos dados de saúde prévia, vamos ao Centro de Saúde da região ver se tem o histórico, analisamos a família, tentamos descobrir os sintomas que a pessoa poderia ter antes, para chegar ao resultado mais próximo”, conta.
Segundo Juliana Nativio, é esse trabalho que faz com que, ao longo da pandemia, algumas correções já tenham sido feitas na relação de mortos por Covid da prefeitura, além de inclusões tardias, somente após todos os dados apurados.
“Ouço muitas pessoas criticando, dizendo que acabaram todas as outras doenças, e é importante falar isso. As pessoas continuam morrendo com outras coisas que não a Covid-19, que é uma doença a mais que surgiu. No caso de doenças cardiovasculares, é uma variação pequena”, defende.
O Cemitério da Saudade, em Campinas
Osvaldo Furiatto / Arquivo Pessoal
Aumento de mortes x queda de nascimentos
No mesmo período em que registrou aumento no número de mortes, Campinas aferiu uma queda de 10,4% nos registros de nascimentos em cartórios, segundo o Portal da Transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen Brasil).
Registros de nascimentos em Campinas
1º trimestre de 2020
Janeiro: 1.622
Fevereiro: 1.481
Março: 1.530
1º trimestre de 2021
Janeiro: 1.330
Fevereiro: 1.238
Março: 1.582
Na avaliação da pesquisadora Tirza Aidar, do Núcleo de Estudos de População (Nepo), da Unicamp, enquanto o aumento de mortes evidencia o impacto imediato da pandemia, a variação no total de nascimentos precisa ser avaliada com mais cuidado.
“A diminuição dos nascimentos já estava ocorrendo em decorrência da contínua queda da fecundidade, número médio de filhos por mulher ao final do período fértil, e envelhecimento da população, quando o crescimento da população com 60 anos ou mais é maior que o da população em idade reprodutiva. Comparando o primeiro trimestre de 2020 com 2019, por exemplo, a queda foi de 13%”, explica.
Segundo a professora da Unicamp, é preciso um período maior para analisar os impactos da Covid-19 na natalidade. “Mesmo se parte dessa diminuição dos nascimentos seja devido ao adiamento dos planos reprodutivos em decorrência da crise sanitária, econômica e social na qual estamos imersos desde março de 2020, ainda é cedo para prever esses efeitos no médio e longo prazo”, diz.
Na opinião de Tirza Aidar, em um cenário otimista, com a aceleração da vacinação e o empenho da sociedade com cuidados preventivos, o número de óbitos e nascimentos pode voltar à tendência observada anteriormente à pandemia.
Envelhecimento da população
Apesar da combinação entre aumento de mortes e queda nos nascimentos no primeiro trimestre de 2021, a pesquisadora do Nepo não crê em mudança no processo de envelhecimento da população pelo qual o Brasil passa, apesar dos idosos serem, até o momento, a maior parte das vítimas da Covid.
Em Campinas, de acordo com o Painel Covid-19, as vítimas com mais de 60 anos representam 78,5% dos mortos pela doença em toda a pandemia.
“Considerando que os óbitos são em grande maioria de pessoas mais velhas, e que a natalidade já está em queda há alguns anos, não creio que haverá impacto significativo no processo de envelhecimento da população já em andamento. Segundo os Censos Demográficos, a proporção de população com 60 anos ou mais era de 6,4%, 13,2% e 17,5% em 1980, 2000 e 2010, respectivamente, em Campinas”, detalha a professora da Unicamp.
“Os efeitos serão sentidos somente se a crise sanitária e econômica continuar se agravando por muito mais tempo. Quero acreditar que isso não ocorrerá”, completa Tirza Aidar.
VÍDEO: veja o que é destaque na região de Campinas
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