segunda-feira, abril 12, 2021

Equipe especializada da polícia ouve empresário que ameaçou Lula com arma em vídeo; homem foi liberado depois


DHPP foi até a cidade de Artur Nogueira registrar o depoimento do empresário José Sabatini, de 70 anos, numa delegacia da cidade, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ele foi ouvido na quarta-feira (17) e responde por ameaça, incitação ao crime, calúnia, porte ilegal e disparo de arma de fogo. Lula foi ameaçado pelo empresário José Sabatini, de Artur Nogueira, em vídeo com arma; Polícia Civil de SP investiga o caso
Amanda Perobelli/Reuters e Reprodução/Redes sociais
Uma equipe especializada da Polícia Civil foi na quarta-feira (17) até o interior de São Paulo ouvir o homem que gravou um vídeo ameaçando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, com uma arma. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (18) ao G1 pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado.
O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) deixou a capital e foi até Artur Nogueira registrar o depoimento do empresário José Sabatini, de 70 anos, numa delegacia da cidade. Ele foi ouvido na presença de seu advogado e acabou liberado em seguida.
Como o caso está em segredo de Justiça, a pasta da Segurança não confirma o que o empresário alegou em sua defesa. Também não há informação se a arma dele foi apreendida. Sabatini também não havia sido localizado pelo G1 para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem.
“A Polícia Civil do Estado de São Paulo instaurou inquérito para apurar os fatos. A equipe da 1ª Delegacia de Proteção à Pessoa, do DHPP, identificou um suspeito em Arthur Nogueira. Ele foi ouvido ontem (17/03) na delegacia do município e liberado. As investigações prosseguem e demandam sigilo”, informa a nota divulgada pela SSP sobre o caso.
Inicialmente, um delegado de Artur Nogueira havia dito na quarta-feira ao G1 que Sabatini tinha sido levado pelo DHPP para depor na sede do departamento na capital. Mas nesta quinta-feira a pasta da Segurança informou que o depoimento ocorreu numa delegacia da cidade onde o empresário mora, no interior paulista.
Uma equipe do DHPP composta por delegado e investigadores procurava o homem desde domingo (14), quando os advogados de Lula e do Partido dos Trabalhadores denunciaram o caso ao Ministério Público (MP) e ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que determinou que a polícia investigue o caso.
Além da ameaça ao ex-presidente, o empresário é investigado pela suspeita de incitação ao crime e calúnia contra Lula, mais porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo. Segundo policiais ouvidos pela reportagem, Sabatini ainda não teria sido indiciado por nenhum desses crimes.
Homem aponta para a arma e ameaça o ex-presidente Lula em vídeo que circula nas redes sociais
Reprodução/Redes sociais
No vídeo postado por Sabatini nas suas redes sociais no último sábado (13), o empresário aparece atirando contra alvos e depois xinga e ameaça Lula, dizendo “você vai ter probrema [sic], hein, cara”, enquanto aponta a mão para a arma.
Na filmagem, ele aparece com uma camiseta azul com o nome do Brasil e a bandeira do país enrolada na cintura. O homem usa óculos escuros, abafadores de som nos ouvidos e luvas.
Na gravação, ele acusa Lula de supostamente desviar R$ 84 bilhões do fundo de pensão dos trabalhadores e pede a devolução do dinheiro. Além disso, fala que não deixará o ex-presidente transformar o Brasil “numa Venezuela”.
Sabatini já foi membro da presidência da Associação Comercial e Empresarial de Artur Nogueira (Acean). Procurada pelo G1, a instituição não quis comentar o caso, mas confirmou que é Sabatini quem aparece no vídeo investigado pela polícia.
A empresa dele é uma indústria hidráulica na cidade, que também não quis se posicionar.
A deputada Gleisi Hoffmann agradeceu a Doria e ao procurador de Justiça por tomarem providências sobre as ameaças que Lula recebeu
Reprodução/Twitter
Para deputados petistas, que denunciaram Sabatini ao Ministério Público e a polícia, ele é possivelmente um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
No domingo (15) passado, dia seguinte à gravação, bolsonaristas protestaram em algumas cidades de São Paulo pedindo a prisão de Lula e o fim das medidas restritivas de Doria para controlar a pandemia de coronavírus no estado.
Na terça-feira (16), a Justiça de São Paulo proibiu Sabatini de continuar divulgando o vídeo com ameaças a Lula nas redes sociais na internet ou por qualquer outro meio.
Na decisão, o juiz diz que, em caso de descumprimento, o homem será condenado a multa de R$ 1 mil por dia.
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