domingo, março 7, 2021

Estudo da Unicamp com cidades de SP indica que adoção de isolamento social maior não gerou desempenho pior na economia


Pesquisa definiu modelo matemático para avaliar o efeito do isolamento tanto no número de casos e mortes quanto na economia, a partir da geração de emprego e arrecadação de ICMS, entre março e junho de 2020. Movimentação intensa no Centro de Campinas em imagem de agosto de 2020
Karen Fontes/Código19/Estadão Conteúdo
Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, com base em dados de 104 municípios paulistas para o período de março a junho de 2020, projeta que a implantação de isolamento social mais severo em uma cidade gera efeito positivo no número de casos e mortes por Covid-19, mas não causaria resultado econômico pior se comparado a outra que adotou medidas menos rígidas.
A pesquisa, publicada na revista científica Plos One, também aponta que o isolamento social é mais eficiente para reduzir os casos e mortes quando ocorre de forma regionalizada. Ou seja, ele perde a eficácia se um município adere à medida com rigor, mas as cidades vizinhas não.
Membro do grupo de pesquisadores, o doutorando em Teoria Econômica do Instituto de Economia (IE) da Unicamp Luiz Gustavo Fernandes Sereno explica que foram colhidos dados de isolamento dos 104 municípios que, juntos, representam 91% dos casos de Covid-19 registrados no estado naquele período.
Para combinar com o resultado econômico, os pesquisadores utilizaram a arrecadação do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) de cada município (a verba é repassada pelo governo estadual) e o resultado da geração de emprego divulgada pelo Ministério da Economia — o saldo entre as contratações e demissões.
Por meio de um modelo matemático criado para avaliar quais fatores influenciam nas mortes e casos de Covid-19 e também no efeito econômico da pandemia, eles concluíram que, em média, o isolamento social reduz o número de casos e mortes, mas não foi verificada influência na economia — considerando que a pandemia, por si só, gerou uma crise econômica.
Segundo a pesquisa, houve uma queda geral na arrecadação de impostos, mas não foi encontrada relação entre o índice maior de isolamento com um desempenho econômico pior. Ou seja, não houve indícios de que cidades com isolamento mais rígido tiveram resultados piores na economia do que aquelas que adotaram medidas mais flexíveis.
“A estratégia para entender foi: vamos ver exatamente o que influencia no número de casos e de óbitos por habitante, e nos chegamos à conclusão de que, quanto maior o isolamento social, menor é o número de mortes, em uma média de para cada 1% que você aumentava o isolamento social, tinha em torno de 215 mortes a menos para esse município. Isso em média”, explicou o pesquisador.
“Agora nós vamos ver se esse isolamento também vai influenciar no emprego e no imposto, que é a atividade comercial, e isso não se verificou. Não é estatisticamente significante da forma que é para casos e óbitos. Então a gente que vê que há o impacto na saúde (…) no entanto, isso não significa que vai piorar a economia”.
Vista aérea da Unicamp, em Campinas
Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
Como os pesquisadores com um modelo que traça cenários por meio das médias do grupo de municípios, não há resultados específicos de cada cidade. Isso dependeria, segundo Sereno, de encontrar bases de comparação para cada um dos municípios.
Além dos dados econômicos das cidades, o estudo também utilizou números como o percentual de pobreza; de casas sem acesso à água encanada; de pessoas que vivem em domicílios com média maior do que duas pessoas por quarto; e de domicílios cujo chefe da casa tem 65 anos ou mais.
“Essas variáveis foram selecionadas porque representam vulnerabilidade. A vulnerabilidade da pobreza, a falta de acesso à água significa problema para higienização, a superpopulação dos domicílios limita o isolamento, sobretudo se uma casa tem mais de duas pessoas por quarto e se uma pessoa precisa ficar isolada; e casas na qual que dependem de uma pessoa maior de 65 anos porque essa pessoa tem que estar ativa”, explicou Sereno.
Isolamento regionalizado é mais eficaz
A pesquisa também indicou que o isolamento social, quando feito de forma conjunta em uma região, tem mais eficácia.
“Nos comparamos dois cenários: o que aconteceria com o município se epidemia fosse controlada na vizinhança; [e] o que aconteceria com município se epidemia não fosse controlada na vizinhança. O resultado é que o isolamento perde muito a eficácia se a epidemia não for controlada na vizinhança”, explicou o professor da Unicamp, Alexandre Gori Maia.
Com a conclusão desta etapa em São Paulo e publicação do artigo, a pesquisa avança para utilizar dados de todo o país, explica o professor.
“Estamos trabalhando com as estimativas para o Brasil. Já temos resultados preliminares que serão apresentados em congresso científico”, informou.
Além de Maia e Sereno, fazem parte do grupo de pesquisadores Letícia Marteleto, da Universidade do Texas e Cristina Guimarães, da USP. O estudo faz parte de um projeto do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde.
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