quarta-feira, maio 5, 2021

Flagrante de manta-gigante viraliza na internet


Vídeo que circula diz que gravação ocorreu no Rio de Janeiro. Mas especialista esclarece que, na verdade, registro foi feito no Caribe há pelo menos 10 anos.
Vídeo de manta-gigante viraliza na internet
Nas últimas semanas o vídeo acima viralizou em aplicativos de mensagem e perfis da internet. Com algumas diferenças, grande parte das legendas dizia que o flagrante era de uma raia-gigante que, acompanhada de um tubarão, passava por uma plataforma de petróleo em alto mar na região de Búzios (RJ). Vendo as imagens, o que você acha? É verdade ou mentira?
“O vídeo é verdadeiro e de fato mostra uma jamanta (Mobula birostris) de cerca de seis metros de envergadura. Só que ele foi feito há pelo menos 10 anos na República de Trindade e Tobago. Além disso, quem acompanha a raia não é um tubarão, mas provavelmente uma rêmora bem grande”, explica o especialista em mantas Guilherme Kodja, que lidera o projeto “Mobulas do Brasil”.
Saiba como chamar as raias do gênero Mobula.
Arte TG
Kodja conta que recebeu mensagem de mais de 70 pessoas, inclusive da Europa e dos Estados Unidos, que também ficaram intrigadas com o flagrante. “Engraçado que há cerca de dois anos aconteceu a mesma coisa com o mesmo vídeo, só que em uma proporção infinitamente menor. Hoje tudo se compartilha muito rápido e o pior, ninguém checa nada antes de repassar o conteúdo”, confessa.
De qualquer modo, com a verdade esclarecida, o vídeo é uma ótima oportunidade para chamar atenção para a maior espécie de raia do mundo, que infelizmente está em risco de extinção, segundo a última classificação da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). “De acordo com as pesquisas, estima-se que em três gerações desse animal, o que dá basicamente 87 anos, mais de 75% da população de jamantas, desapareça dos oceanos”, lamenta o especialista.
O pesquisador Guilherme Kodja, embaixo de uma Raia Manta Negra, de 7,2 metros de envergadura, após fazer medição a laser do indivíduo.
Acervo Guilherme Kodja
Raia-manta Oceânica
Das 11 espécies de raias do gênero Mobula existentes no mundo, as duas maiores são conhecidas e separadas, desde 2009, como raia-manta oceânica (Mobula birostris) e manta-de-recife (Mobula alfredi). Enquanto as de recife são um pouco menores e habitam apenas o Oceano Pacífico e o Oceano Índico, as oceânicas estão espalhadas pelo Planeta, podendo chegar a oito metros de envergadura e pesar mais de duas toneladas.
“Ao contrário das espécies menores, as jamantas não possuem ferrão. São animais impressionantes, totalmente inofensivos, que chegam a viver mais de 40 anos e possuem, proporcionalmente, ao seu tamanho, o maior cérebro entre todos os peixes”, conta Kodja que já mergulhou inúmeras vezes com o animal em várias partes do Planeta.
O Brasil é casa para sete espécies de raias mobulas, entre elas, a jamanta.
O projeto Mobulas do Brasil (membro da rede internacional de pesquisa Manta Trust) acompanha as mantas há quatro anos na região de Ilha Bela. Só no ano passado, 12 foram avistadas.
Vivem cerca de 1/3 da vida próximo à superfície da água onde descansam e também se alimentam filtrando plâncton e zooplâncton, mas também são capazes de comer pequenos crustáceos e peixes de coluna d’água. Apesar de serem animais solitários, se encontram em determinadas épocas do ano para o acasalamento. “É interessante explicar que as jamantas têm uma taxa de fecundidade baixíssima, com uma gravidez que dura em média 12 meses e resulta no nascimento de apenas um filhote”. O mergulhador acrescenta ainda que pode demorar anos até que a mesma fêmea engravide de novo.
Até hoje nunca ninguém conseguiu registrar o nascimento de uma manta-gigante na natureza
Para se proteger de grandes tubarões e até de orcas, a espécie usa uma estratégia interessante. “Elas são muito grandes e resistentes. A pele é capaz de se regenerar depois de mordidas dos predadores. Assim, um tubarão ou uma orca pode morder grande parte do corpo onde não estão concentrados os órgãos vitais, que a manta possivelmente vai conseguir escapar e sobreviver grande parte das vezes”, esclarece Kodja.
A jamantas chegam a viver por mais de 40 anos.
Guilherme Kodja/Arquivo Pessoal
Mas nenhuma estratégia é suficiente quando o maior predador é o homem. Por ser um animal filtrador, as jamantas sofrem com o micro plástico e com a poluição das águas. Fora o lixo, a medicina oriental e a pesca dizimam as populações da espécie. “Na Ásia a pesca predatória é financiada por um mercado de medicamentos feitos com partes da manta que prometem combater desde hipertensão até a melhora na circulação do sangue, nada comprovado. Fora isso, muitas morrem nas redes de pescadores que estão a procura de outras espécies, mas acabam matando o animal sem querer”, diz o especialista.
Desde 2013 é proibida a pesca, transporte e consumo de qualquer espécie de raia do gênero Mobula, no Brasil.
Por mais estranho que possa parecer, a exploração comercial do turismo pode ser a salvação da espécie, à medida que a renda gerada por mergulhos monitorados é muito mais rentável do que a venda dos medicamentos. “Pesquisas afirmam que o lucro gerado por uma jamanta no comércio de medicamentos é de cerca de 550 dólares, enquanto o mesmo animal pode gerar mais 1 milhão de dólares ao ano no turismo de mergulho, que inclui passagens aéreas, estadias, restaurantes, equipamentos, etc. Se os governos e empresas investirem na atividade certa, mais renda vai ser gerada e mais mantas serão salvas”, finaliza Kodja.

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