sábado, fevereiro 27, 2021

Flagrante raro mostra cobrinha-cipó se alimentando em Cunha (SP)


‘Echinanthera cephalostriata’ é exclusiva da Mata Atlântica; nenhuma espécie do gênero é venenosa. ‘Echinanthera cephalostriata’ foi flagrada comendo uma rã-do-folhiço.
Luciano Lima
A expressão “olha por onde pisa” não só ajuda a evitar tombos e machucados, como também evita acidentes com vários animais pequenos da natureza.
Foi exatamente prestando atenção nos próprios passos que o biólogo Luciano Lima se surpreendeu com uma serpente enquanto fazia uma trilha na cidade de Cunha (SP).
“Eu estava passarinhando próximo ao Parque Estadual da Serra do Mar Núcleo Cunha quando percebi um movimento bem próximo ao meu pé e logo olhei pra baixo e vi que era uma cobra pequenina. Prestei atenção para tentar identificar a espécie e vi que ela estava carregando o lanche na boca. Não perdi a oportunidade, fotografei e deixei ela seguir o próprio caminho”, conta.
Os anfíbios são as principais alimentos da dieta da cobrinha-do-cipó.
Luciano Lima
Dentre as mais de 400 espécies de serpentes que ocorrem no Brasil, a estrela do flagrante é uma Echinanthera cephalostriata, conhecida popularmente como cobrinha-cipó, corredeira-do-mato ou papa-rã.
São répteis pequenos, que atingem no máximo 40 centímetros, exclusivos da Mata Atlântica e não ameaçados de extinção. “Mesmo sendo uma serpente comum em áreas de mata preservada, esse tipo de registro é raro pois, em geral, os animais têm uma capacidade muito grande de camuflagem e passam despercebidos aos olhos humanos”, explica Eletra de Souza, bióloga e doutoranda em Ecologia pela Universidade de São Paulo.
Assim como todas as outras cobras do gênero Echinanthera, a cobrinha-cipó não é venenosa e não representa nenhuma ameaça aos seres humanos.
A Mata Atlântica abriga uma rica fauna de serpentes, com aproximadamente 140 espécies, representando 34% das espécies que atualmente ocorrem no Brasil
Nacho Villar/Arquivo Pessoal
É uma espécie diurna e de hábito terrestre que, segundo Eletra, é possivelmente uma especialista na dieta de anfíbios, como rãs e pererecas-de-folhiço. “Estudos de cativeiro indicam que essas serpentes utilizam a cauda para percorrer o folhiço, estimulando o deslocamento de anfíbios para facilitar a captura”.
De acordo com a especialista, que agora está desenvolvendo um artigo científico sobre esse flagrante, qualquer registro de serpentes na natureza representa um conjunto de dados extremamente importantes para o conhecimento da história de vida desses animais.
“Através dessa simples foto é possível relatar uma grande quantidade de dados, a maioria deles impossível de se obter a partir de animais preservados em museus. Como por exemplo saber qual a espécie de presa que está sendo ingerida, o momento do dia em que a predação ocorreu, o local (no chão, ou na árvore), o comportamento que a cobra fez para manipular o alimento, quais eram as condições ambientais no momento da predação, etc”, finaliza.

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