segunda-feira, maio 17, 2021

Hospital humaniza acolhimento de pacientes com breve biografia nos leitos: 'Forças para continuar'


Iniciativa de hospital privado de Campinas coleta informações sobre características pessoais e ajuda no tratamento de doentes, interação com as famílias e na integração da equipe médica. Biografia pregada na porta do quarto de Eudes Pereira, internado com Covid-19 no Hospital Puc Campinas desde março.
Igor Dias
O time do coração, número de filhos, netos, comida preferida, hobbies. Uma breve biografia de cada paciente internado com Covid-19 em um hospital privado de Campinas – que também possui convênio com o SUS – tem ajudado a equipe médica a proporcionar um tratamento mais acolhedor e humanizado. O projeto se concretiza em um papel com informações sobre eles fixado na porta dos quartos.
A ideia surgiu ao ver a solidão dos pacientes, que ficam isolados. Fátima Brasileiro, coordenadora do serviço de terapia ocupacional do Hospital PUC-Campinas e uma das idealizadoras da iniciativa “Biografia dos Pacientes com Covid-19” conta que se emociona toda vez que entra na ala de internação.
“Isso me dá forças para continuar. A gente chega esgotada, descabelada, toda paramentada. Mas, aí, o paciente dá aquele sorriso em nos ver, e vale a pena”.
Um dos hospitalizados é Eudes Pereira, de 56 anos. Aposentado, está internado com coronavírus desde 9 de março. O filho Hector Pereira, engenheiro, conta que a iniciativa tem ajudado não apenas o pai, mas toda a família também.
“Meus pais são casados há 35 anos, e nunca passaram um dia separados. Agora, ele está há 40 dias inacessível. Minha mãe acompanhou o luto de uma tia, que também perdeu o marido para a doença, e agora tem medo de acontecer o mesmo com ela. Saber que meu pai, além de estar sendo bem cuidado, está sendo cuidado com carinho, é um conforto nessa situação tão angustiante”, conta o filho.
O filho Hector descreve o pai como tranquilo, torcedor da Ponte Preta e fã de música sertaneja.
Acervo pessoal
Seu Eudes, torcedor da Ponte Preta
Seu Eudes ficou intubado por 35 dias, entre 18 de março e a última sexta-feira (23). Tirou a traqueostomia nesta segunda-feira (26) e segue no quarto em recuperação.
As informações sobre ele ajudaram a equipe médica a conhecê-lo, mesmo que não pudessem se comunicar. Ele é torcedor da Ponte Preta, gosta de música sertaneja e de jogar sinuca em churrascos de família.
“Os pacientes na UTI ficam diferentes, quase irreconhecíveis. Os que estão acordados, gostam de falar com alguém sobre qualquer coisa, de contar histórias”, relata a terapeuta Fátima.
As famílias, nos casos de pacientes intubados, também gostam de fornecer as informações. “Os médicos já entram falando com ele sobre o jogo da Ponte Preta para mostrar que ele não está sozinho”, conta o filho Hector.
Recado enviado por Héctor ao pai Eudes, que está internado na UTI.
Acervo pessoal
Toda a equipe na torcida
Segundo a coordenadora do projeto, a iniciativa também tem retorno positivo para a equipe. As informações ajudam os profissionais a interagirem com os pacientes, ainda que o contato seja restrito por conta do risco de contágio pela doença.
Geralmente, um técnico de enfermagem ou enfermeiro fica responsável por um paciente. Com as biografias, eles passaram a se identificar e a trocar histórias sobre os internados.
“A pessoa sabe que não está cuidando de ‘mais um’ paciente. E, aí, ficamos todos na torcida, falando: ‘acorda logo, você precisa voltar para sua casa, para sua família, para sua esposa, para os seus filhos, seu cachorro está te esperando’”, conta Fátima.
A torcida para o seu Eudes, por exemplo, é também para ele poder retornar para ver o neto Theo, de 3 anos. “Vovô, te amo. Sai logo do hospital pra gente brincar”, disse o neto em um dos vídeos que a família troca com o aposentado.
Theo, de 3 anos, pede pela recuperação do avô, internado com Covid-19 em Campinas
Hector Pereira/Aquivo pessoal
*Sob a supervisão de Patrícia Teixeira
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

Ultimas Notícias

Cidades da região de Campinas retomam vacinação contra Covid para grávidas e puérperas

Americana e Sumaré retomaram a imunização nesta segunda (17). Já Indaiatuba e Paulínia...

Filha de vítima de feminicídio em Piracicaba relata trauma do crime: 'saber que sou filha do assassino é difícil'

Crime ocorreu em 2019. Psicanalista diz que filhos de mulheres que foram mortas de forma violenta devem ter...

Santo Antônio de Posse aciona polícia após perder R$ 30 mil com furto de cabos que parou serviço de água; vídeo mostra crime

Câmera registrou momento em que furto é praticado por dois suspeitos, que ainda não foram localizados. Sem chuvas significativas há 71 dias,...

Trabalhar mais de 55 horas por semana aumenta risco de morte, diz estudo

O trabalho dignifica o homem, diz o ditado. Trabalhar demais, no entanto, pode levá-lo a uma morte prematura por doenças do coração ou um...

Trabalhar demais pode matar do coração ou de AVC, diz estudo

O trabalho dignifica o Homem, diz o ditado. Trabalhar demais, no entanto, pode levá-lo a uma morte prematura por doenças do coração ou um...
- Advertisement -