sábado, fevereiro 27, 2021

Luta pela vida: vídeo traz 'relato' de bicho-preguiça sobre processo de recuperação


Conteúdo produzido pelo “Projeto Selva Viva” emociona ao contar toda a história do resgate do animal depois de ter sido eletrocutado; em 16 anos de atuação mais de 500 animais foram reabilitados. Vídeo mostra passo a passo do tratamento realizado com preguiça-de-três-dedos acidentada
Práticas como desmatamento, altos índices de atropelamentos, caça ilegal e tráfico são grandes ameaças à fauna brasileira. Muitas vítimas não sobrevivem à tamanha pressão, incorporando a triste lista de mais de 12 mil espécies ameaçadas de extinção. Outras, resistem graças ao trabalho de especialistas dedicados ao resgate e à reabilitação dos animais silvestres.
Essa é a missão do engenheiro civil, economista e admirador de natureza Júnior Coli, que há 16 anos mantém o Projeto Selva Viva, com sede em Taubaté (SP): credenciado no IBAMA e licenciado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o projeto recebe animais silvestres feridos, acidentados e vítimas de maus tratos, resgatados na região do Vale do Paraíba e em outros estados brasileiros.
“É difícil contabilizar, mas nessa longa jornada já reabilitamos pelo menos 500 animais que chegaram aqui com algum problema mais sério. Passaram por aqui jaguatiricas, aves de rapina, primatas, lobo-guará, cachorro-do-mato, urubus, diversas espécies de corujas, tamanduá-mirim, frango-d’água, garças, teiús, psitacídeos, tucanos e serpentes”, conta.
Tráfico de animais é prática criminosa que prejudica biodiversidade e facilita a disseminação de doenças
O animal passa por exames frequentes e tratamentos para cicatrizar as feridas
Projeto Selva Viva
No fim de janeiro a lista de pacientes aumentou: a equipe recebeu uma preguiça-de-três-dedos resgatada em Ubatuba (SP) pelo Instituto Argonauta, depois de ter sido eletrocutada em um poste de energia. “Ela chegou aqui no dia 21 de janeiro em estado grave. O choque entrou por um dos braços, causou sérios problemas no abdômen e saiu pelo membro inferior. Além disso, estimamos que ela tenha sido resgatada de cinco a sete dias depois do acidente, então a situação era muito complicada”, lembra Coli.
“Ao recebê-la no Projeto os especialistas fizeram os procedimentos básicos para estabilizar o quadro e horas depois a encaminharam para a primeira cirurgia, quando foi realizada a amputação de um dos braços. Ela passou ainda por outra operação no estômago e agora segue em avaliação, tentando superar uma anemia crítica”, detalha.
A preguiça foi chamada de “Vitória” por lutar bravamente pela vida durante o tratamento
Projeto Selva Viva
Bicho-preguiça passa por cirurgias e faz tratamento após receber descarga elétrica no litoral de SP
Tanta luta para sobreviver inspirou o nome dado à preguiça: Vitória. “Quando soubemos do caso entramos em contato com uma instituição que atua especificamente com a espécie. Eles nos disseram que 100% das preguiças eletrocutadas atendidas morreram, por isso o cenário não era positivo. No entanto, nós não desistimos, afinal, acreditamos na vida né? Se a gente não lutar por ela, o Projeto perde todo o sentido”.
Faremos tudo o que tiver a nosso alcance para que ela sobreviva. Passaremos dias e noites cuidando, porque a vida vem em primeiro lugar
O grande desafio agora é tratar a anemia e permitir que o animal se alimente corretamente
Projeto Selva Viva
Além de tratar os ferimentos provocados pelo acidente, os veterinários e biólogos enfrentam o desafio de nutrir a preguiça-de-três-dedos, que se alimenta quase que exclusivamente das folhas e do fruto da embaúba. “É difícil, pois as folhas secam em menos de 30 minutos depois de colhidas. Então nós coletamos pelo menos quatro vezes ao dia folhas frescas para tentar alimentá-la. O desafio de modo geral é muito grande, pois não temos muitas informações sobre os cuidados veterinários com a espécie”, explica.
Territorialista e ‘dorminhoca’: veja detalhes da preguiça-comum
Projeto Selva Viva já reabilitou mais de 500 animais silvestres resgatados
De volta à natureza
Entre todas as etapas de reabilitação a mais esperada pelos 25 colaboradores que atuam no Projeto é a soltura. No entanto, nem sempre é possível realizá-la. “Temos autorização para receber, reabilitar e soltar o animal sempre que possível, mas esse processo deve ser consciente. São vários os fatores avaliados, como a possiblidade do animal reaprender a caçar e se defender, por exemplo. No caso da preguiça, por conta da amputação, não será possível devolvê-la à natureza, mas ela viverá protegida e saudável na sede do projeto”, reforça Júnior, que destaca outra reabilitação em andamento.
“Estamos cuidando de um falcão que levou um tiro de espingarda. A sobrevivência nesses casos é muito rara, mas ele está forte e, se Deus quiser, em até 10 dias será solto. É um verdadeiro milagre”, diz.
“Pra gente todas as reabilitações são marcantes. Pegar um animal que foi maltratado, machucado ou atropelado e ver que ele ficou bem é muito emocionante”
O Projeto conta com 25 colaboradores dedicados ao tratamento e à reabilitação das espécies
Projeto Selva Viva
O economista explica que o desafio da soltura é maior em casos de animais retirados da natureza ainda filhote ou nascidos em cativeiro, uma vez que as espécies ‘perdem’ o instinto selvagem. “Nesses casos nos dedicamos a um longo e custoso procedimento de ensinar o animal a caçar, a se proteger e a dominar o habitat. O processo exige parceria com áreas de soltura e bastante investimento. Já tivemos casos de corujas que chegaram filhotes e foram tratadas sem nenhum tipo de contato com humanos, justamente para desenvolver os hábitos de sobrevivência. É um trabalho que leva meses”, detalha Coli.
Sentimos uma certa gratidão por parte deles e é exatamente isso que nos motiva. O processo não é fácil, fazemos tudo pelo amor que temos pela natureza, pela vida e conservação das espécies
Répteis, anfíbios, mamíferos, aves e até insetos já passaram pelo Projeto
Projeto Selva Viva
“Já a soltura de animais apreendidos, machucados ou resgatados em áreas urbanas é mais possível, pois tratamos, avaliamos as condições físicas e biológicas e rapidamente devolvemos a natureza. É o caso de uma jaguatirica que se cortou ao entrar em um galinheiro, ou de um gavião que se enroscou em uma cerca elétrica: nós cuidamos dos ferimentos e realizamos a soltura”, diz, orgulhoso do trabalho que realiza junto à equipe de especialistas.
“É emocionante poder salvar os animais que chegam aqui. Uma vez recebemos uma apreensão de ovos de jabuti e ovos de bicho-pau armazenados em uma chocadeira artesanal. Nós acompanhamos o nascimento dos filhotes e o desenvolvimento dos animais, isso é incrível”, finaliza.

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