terça-feira, abril 13, 2021

Mordida de tubarão-charuto deixa cicatriz em formato de 'cookie' no corpo de golfinhos e peixes


Pequeno, o tubarão morde as presas e se alimenta dos pedaços arrancados; golfinho-rotador é uma das ‘vítimas’ dessa estratégia de caça Tubarão-charuto não ultrapassa os 85 centímetros de comprimento
Reprodução/Artigo científico De Figueiredo Petean F, R. de Carvalho M (2018)
Pequeno, com até 85 centímetros de comprimento, de corpo longo, cilíndrico e com coloração acastanhada, o tubarão-charuto (Isistius brasiliensis) faz jus ao nome popular. No entanto, essas características não são as únicas que batizam a espécie: conhecido também por “cookiecutter” (tubarão cortador de biscoitos) o peixe deixa cicatrizes específicas nas presas, justificando o apelido curioso.
“A espécie se alimenta de pedaços arredondados cortados – como se por um cortador de biscoitos, nos flancos de animais maiores, como atuns, agulhões, espadartes, raias, tubarões, baleias e golfinhos”, explica a gestora e educadora ambiental Cynthia Gerling, coordenadora de Educomunicação Ambiental do Projeto Golfinho Rotador.
Ferida deixada pela mordida do tubarão-charuto tem até seis centímetros de diâmetro
Divulgação/Projeto Golfinho Rotador
Na lista de presas estão os golfinhos-rotadores, uma das espécies estudadas pelos pesquisadores do Projeto. “No trabalho científico publicado pela equipe em 2007 foram observadas 998 feridas e cicatrizes na metade posterior dos corpos dos golfinhos, e 429 feridas na metade anterior, todas provocadas pelas mordidas do tubarão-charuto. O diâmetro dos pedaços de pele e tecido arrancados varia de dois a seis centímetros e pesa até 20 gramas”, conta.
“Considerando que um golfinho-rotador adulto pesa de 45 a 75 quilos, a perda da massa corporal em cada ataque bem-sucedido é desprezível, além do pedaço arrancado ser substituído por pele, tecido conjuntivo e muscular. No entanto, observamos que alguns golfinhos desenvolvem úlceras que podem ser 30 vezes maiores do que a ferida original. Nesse caso, ao provocar uma infecção, a ferida tem efeitos mais preocupantes do que simplesmente a perda de tecido”, detalha a especialista.
O tubarão-charuto imita lulas luminescentes para atrair as presas. Quando é abordado por alguma delas, realiza o ataque. Por pegar um pedaço de tecido sem matar a presa, o tubarão pode ser considerado parasita
No mundo, duas espécies do mesmo gênero são conhecidas como tubarão-charuto
NOAA Observer Project/Domínio Público
Grandes predadores
Apesar de pequeno, o tubarão-charuto ‘amedronta’ as presas: as feridas deixadas depois do ataque são resultado do tamanho dos dentes, que são os maiores em proporção ao corpo.
No mundo, duas espécies do mesmo gênero são conhecidas como charuto. “Isistius brasiliensis e Isistius plutodus ocorrem em locais distintos, mas com pontos em comum, como o Brasil. As espécies vivem em regiões de águas quentes e profundas de todos os oceanos, especialmente perto de ilhas, e migram verticalmente até três mil metros por dia, aproximando-se da superfície ao anoitecer e descendo com o amanhecer”, diz Cynthia.
A gestora ambiental destaca ainda que, como levantado durante as pesquisas em Fernando de Noronha, a maioria das feridas identificadas nos golfinhos-rotadores eram do Isistius brasiliensis, uma vez que o Isistius plutodus é mais raro na região e possui mordidas maiores, ovais e alongadas.
Fora da lista de espécies ameaçadas de extinção, os charutos são raramente observados por surfistas ou mergulhadores, pois vivem em grandes profundidades, raramente chegando a menos de 50 metros.
As duas espécies de tubarão-charuto podem ser encontradas no Brasil
Reprodução/Internet
Os menores do oceano
Mesmo que pequeno, o tubarão-charuto não é a menor espécie: no mundo, quem leva o título de menor tubarão é o Dwarf Lantern Shark (Etmopterus perryi). Com apenas 20 centímetros de comprimento, a espécie vive em águas muito profundas na Colômbia e Venezuela. Já no Brasil, quem se destaca é o tubarão-pigmeu (Euprotomicrus bispinatus) que, com até 25 centímetros, é o segundo menor tubarão do mundo. O comprimento da fêmea pode chegar a 25 cm, enquanto os machos não ultrapassam 22 centímetros.
As feridas podem ser ‘portas’ para infecções que prejudicam a saúde dos golfinhos
Divulgação/Projeto Golfinho Rotador
Presa chamativa
Vítimas frequentes dos tubarões-charutos, os golfinhos-rotadores são a terceira espécie de golfinho mais abundante do mundo. Com até dois metros de comprimento, os adultos chegam a pesar 75 quilos e vivem em média 30 anos.
Encontrados em águas oceânicas tropicais no Atlântico, Pacífico e Índico, nunca entram em rios e raramente são observados perto da costa continental.
A espécie é famosa por saltar fora d`água e realizar ‘acrobacias’ no ar
Divulgação/Projeto Golfinho Rotador
Conhecida cientificamente como “Stenella”, por ter o corpo alongado, e “longirostris”, por ter o focinho longo, a espécie é famosa pelo comportamento de saltar fora d`água e realizar até sete rotações em torno do próprio eixo.
Os golfinhos-rotadores deslocam-se por uma área de até 700 km, podendo atingir 150 km de distância em 24 horas. A velocidade média de cruzeiro dos grupos de rotadores é de cerca de 10 km/h e a velocidade máxima registrada é de 40 km/h
O golfinho-rotador é a principal espécie estudada pelo Projeto Golfinho Rotador, tido como o maior projeto de conservação de golfinhos do Brasil e um dos maiores Programas de Pesquisa Ecológica de Longa Duração de golfinhos do mundo.
Entre as atividades do Projeto estão iniciativas de educação ambiental
Divulgação/Projeto Golfinho Rotador
Com patrocínio da Petrobras, são realizados estudos com outros 11 animais marinhos. “Além da baleia-jubarte, conduzimos pesquisas com 10 espécies ameaçadas de extinção que são alvos do turismo de observação de fauna em Fernando de Noronha”, explica Cynthia.
Além dos trabalhos técnicos, os pesquisadores atuam com programas de educomunicação ambiental, com crianças e adolescentes de três a 17 anos. “Utilizamos estratégias educacionais inovadoras para transformação cultural e desenvolvimento pessoal a partir da educação ambiental, da prática de esportes e atividades socioculturais e ambientais, sendo o oceano a temática principal”, completa.

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