terça-feira, abril 13, 2021

No dia das mulheres, conheça a 'Rainha dos Insetos'


TG traz a história de Maria Sibylla Merian, mulher de destaque na ciência e nas artes que fez uma expedição à América do Sul mais de um século antes de Charles Darwin passar por aqui. Maria Sibylla Merian é mulher alemã de destaque na ciência e nas artes.
Jakob Marell
Entre os séculos XVI e XIX, diversos naturalistas viajantes europeus realizaram expedições científicas ao “Novo Mundo” e ajudaram a construir as bases do conhecimento que temos sobre a fauna e flora do Brasil e de outros países da América do Sul. Nomes como Alexander von Humboldt e Charles Darwin geralmente são os mais lembrados quando falamos sobre estes importantes personagens da história e da ciência. No entanto, mais de um século antes deles, uma mulher independente e muito à frente do seu tempo desembarcou na América do Sul e influenciou para sempre a ciência e as artes.
Nascida em 1647, em Frankfurt, Alemanha, Maria Sibylla Merian desde muito cedo conviveu com a arte e a história natural. Seu pai, Matthaus Merian, foi um importante editor de livros e ilustrador. Embora ele tenha falecido quando ela tinha apenas três anos, sua mãe, Johanna Sybilla, se casou novamente com Jacob Marrel, um talentoso pintor de natureza morta. Dessa forma, Maria continuou a crescer em um meio artístico e cercada de livros.
Ainda muito jovem, Maria Sibylla começou a demonstrar grande interesse por animais, especialmente insetos. Conforme ela mesmo relatou em um de seus livros: “Eu passava meu tempo investigando insetos. Comecei prestando atenção em bichos-da-seda na minha cidade natal, Frankfurt. Me dei conta que as lagartas produziam belas borboletas e mariposas e que a mesma coisa acontecia com o bicho-da-seda. Isso me fez começar a coletar todas as lagartas que eu conseguia encontrar para que eu pudesse descobrir como elas se transformavam”.
Maria Sibylla Merian aprendeu a desenhar desde nova incentivada pelo padrasto.
Biodiversity Heritage Library.
Desde nova seu padrasto a incentivava a desenhar e a pintar, chegando inclusive a colocar um de seus aprendizes para treiná-la. Além disso, Maria Sibylla cresceu vendo o padrasto pintar flores, especialmente tulipas, e com frequência ele incluía algum inseto isolado em suas ilustrações. Este pequeno detalhe parece ter influenciado não apenas o interesse de Maria por insetos, mas também seu estilo único como artista. Assim, não é de se espantar que aos treze anos ela já pintasse sua primeira ilustração juntando insetos e plantas a partir de espécimes que ela mesmo capturou.
Mais tarde, aos 18 anos, se casou com um pintor e se mudou para a cidade de Nuremberg. Começou a dar a aulas de pintura para filhas de famílias abastadas, tendo assim acesso a belos jardins, onde ela continuou a capturar e a observar insetos. Em 1675 publicou seu primeiro livro, formado por um conjunto de ilustrações de flores, algumas delas decoradas com imagens de insetos, que continuavam sendo seu grande interesse.
Em 1679, mesmo tendo que cuidar de duas filhas e dar aulas de pintura, Maria Sibylla publica seu primeiro livro focado nos insetos e imediatamente chama a atenção de diversos naturalistas e colecionadores de objetos de história natural. Além de uma primorosa qualidade artística, Merian ilustrou em seu livro dezenas de insetos europeus em tamanho real, baseando suas observações em espécimes vivos. Isso era algo muito incomum naquela época, em que a maioria dos registros eram feitos a partir de exemplares mortos presente em coleções. Pela primeira vez na história alguém se dedicava a registrar com afinco as diferentes fases da vida dos insetos, especialmente das borboletas e mariposas.
Logo após publicar seu primeiro livro voltado aos insetos em 1679, Maria Sibylla chamou a atenção de diversos naturalistas.
Biodiversity Heritage Library
Além disso, Merian ilustrou os insetos pousados nas plantas das quais eles geralmente se alimentavam. Essa preocupação com os detalhes, a visão dos insetos e das plantas como parte de um conjunto, e as detalhadas observações escritas que acompanham sua obra, fizeram com que vários estudiosos considerem Maria Sibylla como a “primeira ecóloga”.
Em 1685, após se divorciar, Merian, as duas filhas e sua mãe se juntam aos labadistas, uma comunidade protestante que havia se instalado em um castelo na Holanda. O proprietário do castelo tinha uma grande coleção de objetos naturais, que incluía muitas borboletas e outros insetos vindos do Suriname (na época uma colônia holandesa). Os espécimes causaram tamanho impacto em Sibylla que ele começou a sonhar com uma viagem à América do Sul.
Em 1691, após uma epidemia local, ela se muda com as filhas para Amsterdam. Lá uma de suas filhas se casa com um influente empresário local e Maria Sibylla começa a ter acesso a diversas coleções de insetos feitas nas colônias holandesas, incluindo as do prefeito de Amsterdã, que era um grande colecionador de objetos naturais. Em 1699, através de seus contatos em Amsterdã, Sibylla consegue autorização para realizar seu sonho, pesquisar insetos e outros animais no Suriname.
A artista não estudava somente insetos, como também aracnídeos, anfíbios e répteis.
Biodiversity Heritage Library
Em setembro do mesmo ano, aos 52 anos e com a filha mais nova, Merian desembarca no Suriname, então Guiana Holandesa, após dois meses cruzando o Atlântico. Sua independência não residia apenas no fato de ter ido para a América do Sul acompanhada por homem nenhum – algo quase impensável na época – mas também em sua situação financeira. Merian custeou grande parte da expedição por conta própria, tendo para isso vendido 255 originais dos seus quadros.
No Suriname, ficou baseada em uma das muitas fazendas produtoras de açúcar que lá existiam e dedicou-se profundamente a estudar não apenas insetos, mas também aranhas, anfíbios, répteis e outros animais. Embora tenha planejado ficar cinco anos no Suriname decide retornar dois anos depois de sua chegada após ter contraído uma séria doença tropical, provavelmente malária.
Em 1701 retorna para Amsterdã levando na bagagem muitos espécimes e ilustrações. Quatro anos depois, em 1705, publica, mais uma vez com recurso próprios, o que viria a ser a principal obra pela qual seria lembrada até hoje “Metamorphosis insectorum Surinamensium”. Além de apresentar ilustrações fabulosas acompanhadas por informações detalhadas sobre a vida dos animais e suas plantas hospedeiras, na obra Maria Sibylla faz críticas ao sistema escravista, apresenta usos medicinais das plantas e registra os nomes populares locais de muitas delas.
As obras se destacavam pela riqueza de detalhes e pelo cuidado da autora em retratar a realidade dos animas.
Biodiversity Heritage Library
“Metamorphosis” fez um estrondoso sucesso e influencia tanto no meio científico quanto artístico do séc XVIII. Foi republicado diversas vezes e em diferentes línguas. As informações e ilustrações de Merian foram utilizadas pelo famoso cientista sueco Linnaeus como base para descrever diversas espécies. Do ponto de vista artístico, sua obra impressionou tanta gente que chegou ao conhecimento de personagens como o Czar da Rússia Pedro O Grande, que adquiriu grande parte das suas ilustrações originais.
Maria Sibylla faleceu em sua casa em Amsterdã em 1717, aos 69 anos, idade bastante avançada para a época. Além de seu legado como cientista e artista, sua vida é um exemplo de que as mulheres podem ser o que quiserem, até mesmo “Rainha dos Insetos”.
A principal obra pela qual Maria é lembrada até hoje é “Metamorphosis insectorum Surinamensium”.
Biodiversity Heritage Library

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