segunda-feira, abril 12, 2021

Nomes curiosos de aves intrigam observadores


Rapazinho-dos-velhos, rabo-branco-de-margarete e capitão-de-cinta são alguns exemplos; de onde viria a inspiração para esse “batismo”? Há duas semanas estamos falando sobre o nome de algumas aves em uma série especial. Diferentemente da primeira matéria, na qual analisamos nomes relacionados aos cantos das espécies, e da segunda onde tratamos dos nomes ligados ao comportamento desses animais, hoje vamos falar de algumas que foram batizadas por nomes incomuns e que instigam os observadores.
Embora a explicação para anguns deles seja um mistério até para os ornitólogos, vale sempre a pena conhecer novos bichos e se encantar pela diversidade da avifauna brasileira
Capacetinho-do-oco-do-pau tem baixa densidade populacional.
Álvaro Fraga/Vc no TG
Capacetinho-do-oco-do-pau (Microspingus cinereus)
Não há como saber a origem exata desse nome, no mínimo, diferente, mas capacetinho é possivelmente uma referência a parte superior da cabeça da ave que tem uma coloração mais escura, enquanto a garganta é branca, formando um “capacete”. Mas o que é certo é que esse animal, endêmico do Cerrado, possui uma baixa densidade populacional e está ameaçado de extinção. A espécie sofre com a destruição do bioma e é considerada globalmente vulnerável.
O capacetinho-do-oco-do-pau mede cerca de 13 centímetros de comprimento e possui leve dimorfismo sexual, ou seja, as fêmeas, apesar de serem bastante parecidas com os machos, contam com uma coloração mais atenuada na região da garganta e do peito.
Aves amazônicas e capacetinho-do-oco-do-pau compõem acervo de jornalista
Entre outros nomes, o rapazinho-dos-velhos (Nystalus maculatus) também é conhecido como fura-barreira, macuru, apara-bala, tricolor, joão-bobo, bico-latão.
Andrei Arrais/Arquivo Pessoal
Rapazinho-dos-velhos (Nystalus maculatus)
Com a cabeça toda escura, grande e larga, desproporcional aos 18 centímetros do corpo, e com o bico avermelhado, o rapazinho-dos-velhos exibe todo o seu charme vestindo um traje pintado de preto.
A referência no nome popular “dos-velhos” pode estar ligada ao fato da espécie ser considerada “calma” e “mansa”, já que é capaz de ficar imóvel no meio da vegetação apenas observando a paisagem ao redor.
Ocorre no Nordeste, na região Centro-Oeste, parte do Sudeste (Minas Gerais), em parte do Amazonas e no Pará.
Biólogo do Ceará registra fotos “3×4” das aves
Capitão-de-cinta-(Capito-dayi)
Arquivo TG
Capitão-de-cinta (Capito-dayi)
É mais fácil explicar a origem do nome científico dessa ave. Do latim capito significa cabeça grande, cabeçudo, enquanto dayi é uma homenagem ao Coronel americano Lee G. Day, responsável pela expedição à América tropical em 1915 e 1927. Ou seja, o nome completo ficaria cabeçudo de Day.
Já o capitão do nome popular é possivelmente uma referência ao gênero, já explicado acima, e a cinta deve-se a uma faixa preta que a espécie tem na região do ventre. A ave ocorre no Brasil e na Bolívia e chama atenção pelas cores vibrantes.
Rabo-branco-de-margarette é considerado um dos beija-flores mais raros do Brasil
Stephen John Jones Steve/VCnoTG
Rabo-branco-de-margarette (Phaethornis margarettae)
Assim como outros beija-flores do gênero phaetornis, não é difícil enxergar as penas brancas da cauda do rabo-branco-de-margarete. Mas por que Margarete?
É uma homenagem à Margaretta Lammot DuPont Greenewalt, esposa de Crawford Hallock Greenewalt, presidente da DuPont Corporation, conservationista e fotógrafo. O nome científico da ave significa pássaro do Sol de Margaretta.
A espécie brasileira é endêmica da Mata Atlântica. Uma curiosidade Uma curiosidade, é que a ave, como outros beija-flores, gosta de se banhar em águas límpidas.
Conheça mais detalhes do rabo-branco-de-margarete.
Considerada “ave fantasma”, maxalalagá atrai observadores de aves pra Pompéu (MG)
Ananda Porto/TG
Maxalalagá (Micropygia schomburgkii)
O nome curioso dessa pequena saracura intriga quanto a origem. De acordo com o pesquisador José Fernando Pacheco, o nome tupi desta ave, de apenas 13 centímetros, apareceu em um livro da “Commisão de linhas telegráphicas estratégicas de Matto-Grosso ao Amazonas” publicado em 1916, intitulado “Missão Rondon”, pela “Typographia do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro”.
Ele explica que na página 123 tem o trecho: “Todo o chapadão em derredor de nós se apresentava tomado pelo fogo voraz…. maxalalagás (saracuras do chapadão), mal consegui escapar a rapidez do terrível elemento….”. Segundo ele, através desta fonte é possível saber que o nome “Maxalalagá” foi emprestado aos índios Nhambiquaras.
Conhecida como ave fantasma pela dificuldade de ser encontrada, a maxalalagá ocorre em diversos estados brasileiras e é insetívora, consumindo grandes quantidades de formigas.
Gêmeos descobrem espécies raras em Pompéu (MG)
Cochicho é ave mais comum do Pampa.
Ananda Porto/Arquivo Pessoal
Cochicho (Anumbius annumbi)
Não há referências claras sobre a origem do nome da espécie, mas pode ter sido inspirado na sua voz que é chiada e com frequência emitida em duetos, como se as aves cochichassem entre si.
A espécie que varia entre 18 e 20 centímetros de comprimento, não passa dos 45 gramas. Ocorre do Brasil centro-oriental até o Paraguai, Argentina e Uruguai e é mais típica e comum no Pampa, onde costuma viver em pares ou em grupos.

Ultimas Notícias

Avião da Azul faz pouso de emergência no Galeão após piloto relatar fumaça a bordo

Dois passageiros que se sentiram mal durante a situação precisaram ser atendidos pelo...

DIG prende suspeito e apreende fios roubados que seriam trocados por drogas em Indaiatuba

Policiais civis também localizaram porções de entorpecentes, simulacro de revólver, faca e cerca de R$ 2,5 mil em...

Em 100 dias, rede municipal atende o equivalente a 11% da população de Campinas com suspeita de Covid-19

Percentual representa cerca de 133 mil pessoas que procuraram consulta médica em UBSs, UPAs ou nos hospitais mantidos...

Campinas abre agendamento da vacinação contra Covid-19 para maiores de 67 anos

Cadastro deve ser feito no site, onde será informado horário e local de aplicação. Cidade conta com cinco...

Banco de leite da Maternidade em Campinas atinge nível mais crítico da pandemia; veja como doar

Hospital tem estoque de 139 litros, volume 30,5% inferior aos 200 indicados como mínimo ideal, e reivindica doações....
- Advertisement -