terça-feira, maio 18, 2021

Nova espécie de sapo é descoberta na Serra da Mantiqueira


“Brachycephalus rotenbergae” é um sapo-pingo-de-ouro de menos de dois centímetros; anfíbio antes era conhecido como ‘Brachycephalus ephippium’ Esse é o ‘Brachycephalus rotenbergae’, novo sapo-pingo-de-ouro recém descrito pela ciência.
Divulgação Projeto Dacnis
O que é um pontinho amarelo (com menos de dois centímetros) no meio da Serra da Mantiqueira? É um Brachycephalus rotenbergae, uma nova espécie de sapo-pingo-de-ouro recentemente descrita por pesquisadores do projeto Dacnis, em parceria com o herpetólogo Ivan Nunes, da Universidade Estadual Paulista (UNESP).
Pesquisas e análises no subdistrito de São Francisco Xavier, município de São José dos Campos (SP), durante dois anos, serviram de base para o artigo que descreve o trabalho desenvolvido por oito profissionais e publicado no dia 28 de abril desse ano na revista científica Plos One, uma das mais importantes no meio acadêmico.
A recém descoberta soma um total de 37 espécies de sapos-pingo-de-ouro para a lista de anuros brasileiros. Todos esses são animais endêmicos da Mata Atlântica que possuem maior atividade diurna. Também são aposemáticos, ou seja, possuem veneno.
“Em 2017 eu estava fazendo um trabalho de levantamento de fauna na região da Serra da Mantiqueira e encontrei esse sapinho. Notei algumas diferenças morfológicas no corpo dele e pensei que seria interessante estudar melhor a espécie. Perto dessa época, o Matheus Moroti e a pesquisadora Mariana Pedrozo estavam terminando o mestrado e iriam somar ao nosso time, foi a oportunidade perfeita para o início do estudo”, conta Edelcio Muscat, coordenador de pesquisa da ONG Projeto Dacnis, uma organização sem fins lucrativos que visa, através da educação, recuperar e proteger a natureza.
“A gente já tinha uma suspeita que poderia se tratar de uma espécie nova por conta da distribuição do bicho e de outras características”, contou o biólogo Matheus Moroti.
De fato, o trabalho provou que a nova espécie se diferencia de todas as outras do grupo de espécies de B. ephippium em relação à morfologia dos anuros, principalmente osteologia, formato da cabeça, canto de anúncio e até divergências no material genético.
O abraço nupcial dessa espécie pode durar até cinco horas.
Divulgação Projeto Dacnis
“O novo sapo-pingo-de-ouro se comparado com a espécie B. Ephippium (como era conhecido antes) é menor. Ele tem entre 1,4 e 1,7 centímetros enquanto os outros têm cerca de dois. Também possuem, entre outras diferenças, uma coloração acinzentada nas costas e uma placa óssea distinta. A distância genética entre elas é de 3%”, esclarece Muscat.
A partir de agora então a espécie B. Ephippium fica restrita ao estado do Rio de Janeiro, enquanto a B. Rotenbergae ocorre na Mata Atlântica paulista, principalmente na Serra da Mantiqueira.
A Serra da Mantiqueira é uma das mais diversas áreas de anuros no domínio da Mata Atlântica e é considerada um hotspot de endemismo de anuros.
O novo “sapo-de-ouro-da-mantiqueira”, como sugere o pesquisador Moroti, tem a cor geral do corpo laranja brilhante e olhos completamente negros. Uma curiosidade é que foi descoberto recentemente que alguns sapos-pingo-de-ouro são incapazes de escutar os próprios parceiros. Ou seja, a comunicação visual, segundo os pesquisadores, pode ser importante para a conservação do canto.
Importância da espécie nova
Entre todas as espécies de animais já conhecidas, qual é a importância do descobrimento científico de novas? Para o pesquisador Muscat: “A maior importância de descobrir espécies novas é poder utilizar esse dado para que ações de conservação sejam feitas nesse local. Para mim não é mais uma espécie, é mais um motivo que me leva buscar a conscientização e a conservação daquela área onde o animal foi encontrado”.
O biólogo ressalta também a importância emocional do reconhecimento para a população de pessoas que vivem no mesmo local do animal. O que fica comprovado na experiência do colega de trabalho Matheus Moroti.
O nome do sapinho foi em homenagem a jornalista Elsie Rotenberg, idealizadora do Projeto Dacnis.
Divulgação Projeto Dacnis
“Eu nasci em São José dos Campos e esse sapo foi o primeiro bicho que eu encontrei em uma área de proteção da cidade, já que ele é bem abundante. Só que na época eu ainda estava na faculdade e nem suspeitava que poderia ser uma espécie desconhecida pela ciência. Ter participado da descrição de um bicho para a minha cidade foi muito importante para mim e um processo científico muito prazeroso”, finaliza.

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