segunda-feira, junho 14, 2021

Número de médicos no SUS de Campinas aumenta 3% em um ano de pandemia, e sindicato critica: 'Não supre a necessidade'


Em abril de 2020, metrópole do interior contava com 1.252 profissionais, número que subiu para 1.290 um ano depois. Secretaria de Saúde afirma que número de equipes de saúde da família é maior da história. Hospital Municipal Ouro Verde, em Campinas
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
O número de médicos que atuam em Campinas (SP) por meio do SUS Municipal aumentou 3% em um ano de pandemia, segundo dados obtidos pelo G1 via Lei de Acesso à Informação (LAI). O percentual é alvo de críticas do sindicato dos servidores municipais (STMC), que considera a quantidade como apenas reposição e ainda relata temor com reflexos de uma possível terceira onda da Covid-19.
A metrópole contava, em abril de 2020 com 1.252, profissionais distribuídos entre a Secretaria da Saúde e a autarquia Rede Mário Gatti, criada para administrar os hospitais Mário Gatti, Ouro Verde, as unidades de pronto atendimento (UPA) e o Samu. Um ano depois, o total chega a 1.290.
Em campanha, o prefeito, Dário Saadi (Republicanos), se comprometeu a convocar 200 médicos. À época em que a gestão completou 100 dias, na primeira quinzena de abril, ele fez uma apresentação que tratava sobre 205 profissionais. Até então, de acordo com a prefeitura, 53 já trabalhavam, 63 estavam em processo de admissão, e 89 estavam convocados.
Dário Saadi (Republicanos) responde qual a prioridade para saúde em Campinas
Campinas contava com 1.212 médicos em abril de 2019, 78 a menos do que o verificado neste ano.
“A gente não pode falar como aumento, é uma reposição do que já estava esgotado. Não supre a necessidade. Há uma sobrecarga de quem está atuando principalmente na UTI há mais de um ano e há um medo de que isso reflita no atendimento à população por causa da exaustão”, destaca o diretor da área de saúde do STMC, Luciano Santos.
Já a Secretaria Municipal de Saúde afirma que, com as novas contratações, são 209 equipes de Saúde da Família com médicos, maior número já registrado na cidade e que garante 100% de cobertura para pessoas que não têm de plano de saúde privado.
A pasta também defende que a cidade vive bom momento em termos de recursos humanos na saúde e que mantém os processos de convocação de novos profissionais. Leia a nota ao fim da reportagem.
Sobrecarga e falta de férias
Em maio, a prefeitura decidiu estender até 31 de julho a suspensão das férias para servidores da Saúde, com a justificativa de ter “força máxima” para enfrentamento à pandemia e vacinação contra a Covid-19. Com isso, os funcionários só podem requerer 15 dias de descanso em caráter excepcional, desde que não haja comprometimento da assistência nem resulte em pagamento de horas extras.
A medida começou em fevereiro e, segundo o governo, não vale para a Rede Mário Gatti.
Santos avalia que a prefeitura deveria realizar contratações emergenciais diante da limitação imposta por um decreto federal sobre gastos, e oferecer plano de carreira mais atrativo e diminua a rotatividade.
“São médicos que se aposentam, adoecem ou ficam afastados porque tiveram contato com alguém [infectado]. O salário em Campinas não é ruim e o profissional, quando entra no serviço público, tem uma ideia do que vai encontrar […] Fazer chamamentos é uma coisa, outra coisa é o médico aceitar”.
A hipótese de uma terceira onda da Covid-19 é vista com temor pela entidade. Segundo os dados mais recentes, divulgados na quarta-feira (2), Campinas tem 102.539 ]infectados, incluindo 3.358 mortes. Os leitos estão praticamente lotados, e a administração também não consegue ampliar o número de estruturas com a rede privada.
“Os profissionais deram conta do recado, continuam, mas o gestor precisa olhar porque há limite’, ressalta Santos.
Sobre as férias, a Secretaria de Saúde defende que elas não estão suspensas, pois “todos os profissionais podem requisitar 15 dias e 30 dias, em casos excepcionais e autorizados pela chefia”.
A pasta afirma também que, com as contratações feitas nesta gestão, conseguiu repor profissionais que se aposentaram, que pediram exoneração e ainda ampliar as equipes. Além disso, que está com processo de contratação aberto, em fase de admissão de mais médicos e de outros profissionais de saúde.
O que diz a prefeitura?
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que tem 209 equipes de Saúde da Família com médicos, que as contratações permitiram a reposição de profissionais que deixaram a rede e que segue realizando convocações na Rede Mário Gatti. Leia a nota completa abaixo.
“A Secretaria de Saúde de Campinas informa que atualmente conta com 209 equipes de Saúde da Família com médicos.
É o maior número com quadro completo – que, além do médico, conta com enfermeiro, auxiliar/técnico de enfermagem e agentes de saúde – já registrado na cidade, permitindo uma cobertura de mais de 70% da população, atingindo 100% de cobertura para as pessoas que não têm de plano de saúde privado.
“É um momento muito bom em relação aos recursos humanos no atendimento básico, que é a assistência prestada nos Centros de Saúde. Esta melhora acentuada está relacionada à medida tomada já início desta administração, que permitiu a contratação de 200 médicos”, diz a diretora de saúde de Campinas, Deise Hadich.
Com esse aumento no contingente, a pasta conseguiu repor profissionais que se aposentaram, que pediram exoneração e ainda ampliar as equipes.
Além disso, também está com processo de contratação aberto, em fase de admissão de mais médicos e de outros profissionais de saúde.
As férias não estão suspensas. Neste momento, todos os profissionais podem requisitar 15 dias e 30 dias, em casos excepcionais e autorizados pela chefia.
Em relação à Rede Mário Gatti, as contratações continuam abertas e convocação de profissionais aprovados continua normalmente. Além disso, a secretaria de Saúde faz contratos para atender demandas pontuais.”
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