quinta-feira, março 4, 2021

Peçonhento e raro: conheça o besouro-escorpião


‘Mestre’ na camuflagem, inseto passa despercebido nas matas; nome popular faz referência à característica das antenas. Com dois centímetros de comprimento o besouro apresenta cores branca, cinza, marrom e preta
Bruno Uehara e Emanuel Siqueira
Na vasta lista de espécies da fauna Brasileira um pequeno inseto, de dois centímetros de comprimento, se destaca por uma característica particular: ser o único besouro peçonhento conhecido no Planeta.
O nome popular do besouro-escorpião (Onychocerus albitarsis) traz indícios sobre a estrutura do animal, que integra uma família popularmente conhecida como besouros-serra-pau. “Dentro dessa família há um grupo pertencente ao gênero Onychocerus, cuja principal característica é usar as antenas para se defender. O próprio nome do gênero, em grego, significa antenas com garras”, explica o naturalista Bruno Uehara. “Essa antena é tão grande quanto o corpo do besouro e se assemelha bastante à cauda de um escorpião, porque é capaz de injetar toxinas”, diz.
Bruno reforça, porém, que não há motivos para se preocupar com a espécie. “Primeiro porque ele é um besouro raro e dificilmente observado, graças à capacidade de se camuflar. Além disso, são poucos os casos de acidentes com o animal e, dos relatos registrados, constatou-se dor aguda, vermelhidão e inchaço. Fora isso, não há indícios de uma reação mais grave à ferroada desse besouro”, completa.
Existem várias outras espécies parecidas com o besouro-escorpião, algumas do mesmo gênero e outras dos gêneros Steirastoma e Aegomorphus, que se confundem pelas cores e manchas no corpo
Na ponta das antenas está o ferrão, capaz de inocular toxinas
Antonio L. Sforcin Amaral
Encontrada no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, a espécie também ocorre no Peru e no Paraguai. “É possível que se aproxime de ambientes urbanos, especialmente nas regiões rodeadas por áreas bem preservadas. Esses besouros podem ser atraídos pelas luzes artificiais, mas talvez tenham dificuldade de se adaptar aos grandes centros. A presença dessa espécie possivelmente dependa que existam na região as árvores onde as larvas se desenvolvem, mas não se sabe ainda quais árvores esses besouros procuram para colocar seus ovos”, detalha.
No ‘cardápio’ do besouro-escorpião a dieta é ‘light’. “As larvas dos besouros serra-pau, como ele, costumam se desenvolver dentro dos troncos das árvores, comendo a própria madeira. Já os besouros adultos podem se alimentar da seiva que escorre das árvores, de frutas e outras estruturas vegetais”, comenta Bruno, que explica a importância das ‘poderosas’ antenas para afastar predadores.
Já é sabido que algumas espécies de sapos podem predar escorpiões cuja toxina é muito mais potente que a deste besouro. Já outros predadores talvez não sejam tão tolerantes e desistam de comê-lo após serem ferroados, o que dá ao besouro vantagem na sobrevivência
“Ainda carecem estudos e observações sobre as relações ecológicas envolvendo esses insetos. Os besouros poderiam ser predados por animais como sapos, lagartos e aves, mas os efeitos da toxina da espécie em predadores ainda são desconhecidos. Pode ser, por exemplo, que a toxina seja mais efetiva num predador que em outro”, completa.

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