quarta-feira, abril 14, 2021

Peixe²: pesquisadores divulgam curiosidades sobre os peixes de forma bem humorada


Página nas redes sociais foi fundada durante a pandemia e cativou público; conteúdo conta com o gerenciamento de representantes dos maiores museus da América Latina e do mundo. Página começou a pouco mais de cinco meses e conta com esforço de pesquisadores para divulgar curiosidade sobre os peixes
Reprodução/peixe.aoquadrado
Cinco pesquisadores de grandes museus + a vontade de apresentar conteúdos curiosos sobre peixes + uma pitada humor = Peixe²
A equação acima pode parecer estranha, mas resultou em uma fórmula de sucesso para realizar divulgação de ciência e cativar pessoas em prol de um olhar mais atento para os peixes durante a pandemia. A partir de uma ideia que surgiu ao acaso, um grupo pesquisadores que trabalha com esses animais decidiu criar uma página nas redes sociais para unir as curiosidades que detinham com os estudos, ao bom humor e uma maneira criativa de expor os conteúdos.
A estratégia deu certo e atualmente a página Peixe² já acumula mais de dois mil seguidores. Mas o princípio da proposta ocorreu de uma forma surpreendente. “Sempre existiu uma vontade de trabalhar com divulgação científica e realizar um contato com as pessoas, então um dia eu estava assistindo um vídeo de psicologia que era ilustrado com pixels e eu pensei ‘ficou legal, ficou diferente’”, conta o biólogo Paulo Presti que atua também com ilustração científica e é o responsável pela elaboração das artes gráficas da página.
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Não demorou para ele transmitir a ideia a dois amigos e definir que contariam curiosidades sobre peixes nesse formato inovador, já que é o grupo animal de atuação de todos eles. “A ideia inicial era falar dos grupos numa escala evolutiva, apresentando cladogramas e como a anatomia dos peixes mudou ao longo do tempo. Mas o conteúdo estava específico demais, restrito a quem gosta e trabalha com peixes” conta João Pedro Trevisan dos Santos, biólogo que, pela bagagem em licenciatura e o trabalho com divulgação científica, adapta a linguagem para deixá-la mais acessível e divertida.
Tem muita gente que mergulha, que gosta de pesca esportiva, muitos têm aquário. Ao mesmo tempo em que falar de peixes é um tema que afasta as pessoas por ser um animal que está distante de nós da evolução, existe esses nichos que estão escondidos. Então a gente decidiu apostar!
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Para encontrar a resposta sobre o conteúdo ideal, o biólogo pós-doutorando Murilo Pestana se tornou um elemento necessário. “Eu tinha algumas histórias que achava fascinantes e que lembro que quando descobri, duvidei. Tinha que verificar em algum artigo se o peixe fazia aquilo mesmo e ele fazia! Esse era o tipo de coisa que eu contava em ‘mesa de bar’”, explica.
Peixes capazes de voar, espécies que podem produzir eletricidade e outras que mudam de sexo no decorrer do desenvolvimento são algumas das curiosidades apresentadas pelo grupo. Após a primeira repercussão, o trio viu ainda a necessidade de ampliar a equipe e o biólogo Guilherme Dutra foi incorporado ao time. “Eu já trabalhei com diversos peixes de água doce e desde então eu tenho dados meus palpites para tentarmos ‘furar essa bolha’ e cativar novos públicos”, conta.
Em um dos conteúdos produzidos a equipe da página ficou por um mês em conversas e pesquisas para divulgar um vídeo inédito de um dos peixes mais raros do Brasil
Reprodução/peixe.aoquadrado
A bióloga Manuela Dopazo veio em seguida para compor a equipe. “Eu trabalhei a vida toda com peixes da Amazônia, então para as publicações busco falar de espécies que tenham um pretexto interessante ou algo diferente que seja chamativo para o público”, relata ela que, assim como os outros pesquisadores, divide o tempo entre os estudos nos laboratórios e as publicações de humor duvidoso, como gostam de dizer.
Equipe de pesquisadores que compõe a página “peixe ao quadrado” para divulgação de curiosidades sobre esses animais
Acervo Pessoal
Paulo Presti atualmente trabalha com o estudo de linguados no doutorado, João Pedro Trevisan é doutorando investigando as nadadeiras pélvicas de um grande grupo de peixes e Guilherme Dutra realiza o pós-doutorado no âmbito da diversidade de espécies, todos no Museu de Zoologia da USP. Já Manuela Dopazo estuda a diversidade de um grupo de cascudinhos no doutorado do Museu Nacional da UFRJ e Murilo Pastana realiza o pós-doutorado focado na evolução de atuns e marlins no Museu Nacional de História Natural Smithsonian, em Washington.
Unindo bom humor e informação, equipe de pesquisadores compartilha curiosidades sobre os peixes “em pixels” na página Peixe ao Quadrado
Reprodução/peixe.aoquadrado
Conciliando as demandas, os gestores da página Peixe² só esperam cativar ainda mais admiradores e criar conteúdos que ultrapassem as “paredes” do ambiente acadêmico. “É muito satisfatório ver divulgadores científicos nos ajudando, porque a gente não é do meio, não temos treinamento de divulgação científica e nem recursos. Nós somos representantes de diferentes museus, os maiores da América Latina e do mundo que, com o tempo, percebemos a importância de levar essa informação para fora do museu”, finaliza Murilo Pastana.
Temos mais de 50 mil espécies descritas de peixes, inúmeras outras para ainda serem descritas e mais as espécies fósseis. Temos muito ainda para se conhecer e muito ainda para divulgar
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