domingo, maio 9, 2021

Pessoas com menos de 60 anos são 1 em cada 4 vítimas da Covid-19 no ano em Campinas; taxa de mortes de mais velhos diminui


Em 2020, moradores com 59 anos ou menos representavam 17,91% dos mortos pelo coronavírus, índice que subiu para 25,66%. Infectologista atribui alta à exposição maior na 2ª onda e diz que redução em idosos se deve à vacinação. A segunda onda da pandemia em Campinas (SP) e o início da vacinação alteraram a proporção de mortes pela Covid-19 por faixa etária neste ano. Enquanto a “participação” de pessoas com menos de 60 anos no total de vítimas subiu de 17,91% em 2020 para 25,66% em 2021, o grupo com 70 anos ou mais, que inclui parte dos idosos que já completaram a imunização, saiu de 58,73% para 49,77%.
Em números absolutos, 332 das 1.255 pessoas que morreram com o novo coronavírus de janeiro até a quinta-feira (22) na cidade não eram idosos, o que representa um a cada quatro mortos.
Os dados foram extraídos do painel Covid-19, que é organizado pela Secretaria Municipal de Saúde com base no Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe).
Para a infectologista do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) Valéria Almeida, o aumento percentual de mortes entre os mais jovens se deve, entre outros fatores, ao crescimento da exposição dessa faixa etária. Ela afirma que, na primeira onda, o medo do vírus gerava mais cuidado, o que não ocorreu dessa vez.
“Esse pico que a gente tem em 2021 foi ocasionado porque muitas pessoas jovens se expuseram. Quando a gente estava no primeiro pico, de 2020, que tinha bastante circulação do vírus, as pessoas de 50, 40 anos estavam se expondo menos porque naquele momento era muito desconhecido e as pessoas não sabiam qual era a doença”.
Ao exemplificar, Valéria destaca duas faixas etárias, as das vítimas com 40 a 49 anos e de 30 a 39 anos. Em outubro de 2020, as mortes de pessoas na casa dos 40 anos representava apenas 1,2% do total, percentual que subiu até chegar a 8,1% em abril deste ano.
Já o grupo de 30 anos não teve representação nas mortes tanto em outubro quanto em novembro. Agora, são 5,2% das vítimas. (Veja a tabela abaixo).
Percentual de óbitos por Covid-19 por faixa etária e mês de ocorrência entre moradores de Campinas
Sivep-Grip/Devisa/Secretaria Municipal de Saúde de Campinas
Outra possibilidade, explica Valéria, é a chance da variante brasileira P.1 gerar casos mais graves. “Uma outra hipótese, talvez, é a gravidade da P.1, que é uma variante que a gente sabe que está circulando, já tivemos evidência da circulação dela no município. Então ela pode ter uma gravidade, levar casos mais graves em pessoas mais jovens”.
Percentual entre mais velhos
Em contrapartida, o percentual de idosos com 70 anos ou mais caiu de 58,73% do total das mortes em 2020 para 49,77% neste ano. Em 2020, 928 pessoas que estavam nessa faixa etária morreram de Covid-19. Já neste ano, até quinta, são 644.
A infectologista do Devisa afirma que a queda no percentual de óbitos nas faixas etárias maiores se deve à vacinação, que teve início em 18 de janeiro. Esse fator também ajuda a explicar o aumento proporcional entre os mais novos.
Segundo Valéria, o departamento faz um acompanhamento intenso entre os casos que evoluíram com gravidade e, até esta quinta, nenhuma pessoa que completou o ciclo de imunização, ou seja, tomou as duas doses e não teve contato com o vírus antes da vacina fazer efeito completo, precisou de UTI.
“Não tivemos nenhum caso de paciente que internou e tenha tomado duas doses da vacina com o tempo hábil para criar imunidade. A gente está monitorando isso sistematicamente”.
Idoso recebendo a vacina contra Covid-19 no Lar dos Velhinhos de Campinas
Adriano Rosa/Prefeitura de Campinas
Segunda onda em Campinas
Mais mortal, a segunda onda da Covid-19 já bateu recordes de mortes por 24 horas e por mês neste ano. O período com mais registros de óbitos em toda a pandemia é março de 2021, que superou em mais de 100 falecimentos o número de julho de 2020, até então com maior número absoluto.
Além disso, o rápido aumento demanda por atendimento gerou pressão e superlotou hospitais, o que fez com que pacientes tivessem que esperar por vagas em leitos de enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), este último para casos mais graves.
No momento mais desesperador, Campinas chegou a ter 122 moradores que precisavam de UTI, mas não havia espaço. Atualmente, são oito. Acompanhe a situação aqui.
Desde o fim de março, a prefeitura tem divulgado a redução no número de novas internações, que é o primeiro indício de queda na curva da pandemia. Durante a coletiva de imprensa de sexta-feira (16), o prefeito Dário Saadi (Republicanos) afirmou que houve diminuição também de novos casos e atendimentos de sintomas respiratórios nas unidades básicas de saúde e gripários.
“Temos 50% de atendimentos do que foi no auge e o número de pacientes com quadros graves também caiu”, afirmou o prefeito, na ocasião.
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