terça-feira, abril 13, 2021

Portal reúne lista de espécies que compõem a fauna do Ceará


Inventário inclui mais de 1.300 espécies e poderá ser atualizado com frequência por moderadores. Tartaruga-verde está entre os animais citados no inventário que se torna a primeira lista dessa forma de todo o Nordeste
Danilo Rada/Acervo Pessoal
Uma parceria entre o Governo do Estado do Ceará e a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) inaugurou na última sexta-feira o Inventário de Fauna Cearense, um portal que reúne uma lista de mamíferos, répteis, peixes, aves e anfíbios que vivem no estado. Com mais de 1.300 espécies citadas, o material se destaca por ser um dos únicos do gênero no âmbito estadual e ainda pela possibilidade de atualização constante das informações fornecidas.
A ideia de desenvolver a página começou através do processo de compilação de dados para a elaboração da lista de fauna ameaçada do Ceará, também conhecida como lista vermelha, onde o status de conservação das espécies é atualizado. Com o trabalho de busca por informação de cada um dos animais em livros e artigos científicos feitos nas últimas décadas, os pesquisadores envolvidos perceberam que não havia um inventário geral de toda a biodiversidade do local e que era algo necessário de se levantar para identificar os ameaçados.
Grupo de pesquisadores do Ceará começou a discussão sobre a lista de animais ameaçados em 2016, mas equipe foi formada oficialmente em 2019
Hugo Fernandes/Acervo Pessoal
“Como a gente vai saber o que precisa conservar, se não sabe nem quais espécies temos no estado? Pode parecer uma pergunta boba, mas a maioria dos estados brasileiros não sabe a diversidade que tem dentro do próprio território”, conta o professor do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) Marcelo de Oliveira Soares, que esteve à frente do projeto.
O professor atua na Secretaria do Meio Ambiente do estado do Ceará como Cientista Chefe, um cargo que resulta de um programa garantido através de uma política de Estado que não existe em nenhum outro local do Brasil. Baseado em experiências internacionais de países como Israel e Estados Unidos, um grupo de cientistas foi indicado a auxiliar as secretarias de governo do Ceará ligadas à sua formação acadêmica. No caso de Soares, a pasta de Meio Ambiente.
Periquito-cara-suja é uma ave exclusivamente nordestina que tem sido abraçada por projetos cearenses que visa reverter a ameaça de extinção do animal
Fabio Nunes/Acervo Pessoal
Unindo o poder público ao esforço de pesquisadores, ONGS e empresas, o Inventário torna-se um potencial para a elaboração de futuras pesquisas. É o que destaca o biólogo Hugo Fernandes que atuou como coordenador científico do projeto: “hoje essa lista tem 1.300 espécies, mas se amanhã surgir um artigo mostrando a presença de um novo mamífero, por exemplo, eu a atualizo. Na academia, as listas são datadas e quando um artigo é publicado ele corre até mesmo o risco de já estar desatualizado”, afirma.
Para além das universidades, a lista com as espécies existentes no Ceará pretende ajudar profissionais que realizam o estudo de impacto ambiental para a construção de hotéis, indústrias, projetos arquitetônicos e até usinas solares, eólicas e barragens. “Toda vez que esse grupo fazia um estudo, precisava pegar referências em documentos para saber o que tinha na área antes de pisar em campo. Isso acabava gerando uma série de identificações erradas, porque a ‘bússola’ que orientava as pesquisas estava dispersa”, afirma Hugo Fernandes.
Lista já inclui mamíferos, répteis, peixes, aves e anfíbios e, em breve, apresentará também espécies de invertebrados e da flora cearense
Hugo Fernandes/Acervo Pessoal
A ferramenta de dados ainda poderá servir como uma política de conservação das espécies e um mecanismo de conhecimento da fauna pela população geral. Marcelo Soares destaca também outra função: “a gente sabe que nas últimas décadas tem havido problemas de pandemias através de zoonoses, vírus que estão em outros animais e passam para a nossa espécie. Dessa forma, a origem das pandemias está relacionada ao desmatamento e mau uso dos recursos naturais. Assim, até para monitorar essas espécies, a lista pode servir como base para estudos de saúde pública”.
O portal pode ser acessado no próprio site da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará e, embora tenha sido inaugurado há alguns dias, já promete conquistar ainda mais recursos. Ainda em 2021, é possível que espécies da flora do estado sejam incluídas à lista e, futuramente, invertebrados como insetos e aracnídeos também estarão na listagem. Em breve, serão divulgados ainda os estudos relativos às espécies ameaçadas de extinção e vulneráveis.
A articulação entre Secretaria do Meio Ambiente e universidade deve ser contínua a partir da publicação do inventário que resultou na primeira lista dessa forma para o Nordeste
Hugo Fernandes/Acervo Pessoal

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