quarta-feira, maio 5, 2021

Setor automobilístico puxa 2ª alta seguida nas exportações da região de Campinas, aponta observatório


Economista aponta sinal de retomada no crescimento para alguns setores, ainda que a indústria na RMC continue sob efeito prejudicial da pandemia de Covid-19. O setor automobilístico, que reúne montadoras e fábricas de peças e acessórios, puxou um aumento geral nas vendas das indústrias da Região Metropolitana de Campinas (RMC) para o exterior em março deste ano, segundo análise do Observatório PUC-Campinas.
As indústrias da região exportaram o equivalente a 367,97 milhões de dólares em março, valor superior aos de fevereiro, de janeiro e também de dezembro de 2020. Juntas, as cidades fecharam o último mês do ano passado com exportação de 339,34 milhões de dólares.
O valor importado, ou seja, de produtos e equipamentos comprados do exterior, também aumentou no terceiro mês do ano. Foram 1278,38 milhões de dólares, o que gerou um desequilíbrio na balança comercial de 910,42 milhões de dólares em março.
Professor da PUC-Campinas e membro do observatório, Paulo Oliveira avalia que o movimento de alta tanto em importações quanto exportações significa um sinal de crescimento na atividade das indústrias da RMC que atendem o mercado externo.
No contexto da pandemia isso pode ser lido como positivo, ainda que a longo prazo o déficit na balança comercial seja preocupante.
Professor Paulo Oliveira, da PUC-Campinas, é responsável pela avaliação da balança comercial na RMC
DCOM/PUC-Campinas
“Conjunturalmente, o aumento das exportações significa o aumento da importação de insumos que vão ser utilizados na produção industrial. Claro que, estruturalmente, esse déficit, ou seja as importações muito maiores que as exportações, acaba limitando o espaço produtivo regional e isso não é bom a longo prazo. Acaba limitando o crescimento”.
Ainda que a alta nas importações e exportações seja sinal de maior movimento em alguns setores, o economista do observatório avalia que a RMC segue sentindo os efeitos da crise sanitária gerada pelo novo coronavírus.
“Em suma, para além dos problemas estruturais do déficit comercial regional causados pela dependência da importação de insumos externos industriais, a conjuntura evidencia que a RMC ainda sofre os efeitos da crise sanitária”, aponta, na análise.
O que explica o resultado da indústria automobilística?
Segundo setor com maior participação nas exportações na RMC, a indústria automobilística teve aumento de 109,26% na venda para o exterior em comparação com março de 2020. O segmento foi responsável por vender 53,45 milhões de dólares no mês.
Só o setor de medicamentos exporta mais na região, com total 55,72 milhões de dólares, ainda que tenha tido queda de 9,63% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Oliveira afirma que a renovação e manutenção das frotas de veículos, principalmente nos países do Mercosul, além do aumento do poder de consumo das famílias mais ricas podem explicar o resultado positivo na venda de automóveis.
“Parte dos setores que utilizam automóveis não pararam em sua totalidade. Então os países, sobretudo do Mercosul, que são bem dependentes da exportação de carros brasileiros neste momento – embora a gente tenha sinais de inversão desse cenário, com a indústria se instalando cada vez mais em outros países do Mercosul – essa dependência para frota faz com que esse setor sofra menos”.
“Um outro fator é que uma das características da pandemia que nós temos observado é um viés para consumo de bens duráveis, dado o aumento da poupança das famílias de renda mais alta. Dentre esses bens duráveis, e isso não é um fenômeno que ocorreu só no Brasil, tem os automóveis”.
Instabilidade no setor pode afetar a região?
Apesar do resultado positivo na região, a saída do pais da montadora Ford e a suspensão momentânea na produção de outras oito marcas gera reflexo negativo na economia brasileira, segundo o economista. Soma-se a isso a ausência do auxílio emergencial e do programa de manutenção de empregos que o governo federal criou para 2020.
“A perspectiva de crescimento [da economia nacional] para esse primeiro trimestre já é negativa diante da ausência de alguns auxílios e do programa de manutenção da renda e emprego, vigentes durante o ano passado, a partir do segundo trimestre. Nesse sentido, a gente já começa 2021 sem esses auxílios mesmo estando na pior fase da pandemia. Tudo isso afeta conjunturalmente a economia brasileira”.
Oliveira argumenta que, apesar da indústria da RMC voltada ao mercado externo sofrer menos diante da pandemia, em algum momento esses fatores mais amplos, como a ausência das políticas de renda e a saída de grandes empresas do país, pode impactar na produção regional.
“Esta pequena vantagem que está ligada a composição da estrutura produtiva não se sustenta ao longo prazo sem que haja uma inversão do movimento de queda da demanda agregada no Brasil, como a gente teve no ano passado”.
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