terça-feira, abril 13, 2021

Sobe para 38 o número de pessoas com Covid que morreram na fila por vagas de UTI no estado de SP


Levantamento foi feito pelo G1 e a TV Globo em cidades da Grande SP e no interior do estado. Secretário Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que a criação de leitos exige uma complexa estrutura hospitalar e admitiu que o estado não tem condições de suprir a atual demanda, principalmente para casos mais graves. Parentes de vítima da Covid se desesperam durante enterro no cemitério Vila Formosa, em São Paulo
Reuters/Carla Carniel
Subiu para 38 o número de pacientes com Covid-19 que morreram na fila de espera por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado de São Paulo nestes primeiros dez dias de março, de acordo com levantamento feito pelo G1 e a TV Globo nesta quarta-feira (10). As mortes de pacientes que aguardavam liberação de leitos intensivos ocorreram em cidades localizadas na Grande São Paulo e no interior do estado.
Nesta quarta-feira (10), foram computadas uma morte em Sumaré, na região de Campinas, uma em Francisco Morato, uma em Taboão da Serra, uma em Ribeirão Pires, e uma em Diadema, na Grande São Paulo.
Veja abaixo as cidades que tiveram mortes de pacientes na fila por vagas na UTI:
Taboão da Serra: 12 mortes
Bauru: 4 mortes
Buri: 3 mortes
Nova Granada: 3 mortes
Dracena: 3 mortes
Ribeirão Pires: 2 mortes
Tabapuã: 1 morte
Irapuã: 1 morte
Sumaré: 2 mortes
Ribeirão Bonito: 1 morte
Rio Grande da Serra: 1 morte
Franco da Rocha: 4 mortes
Diadema: 1 morte
Em praticamente todos os casos de mortes na fila de espera, as prefeituras ou os hospitais responsáveis pelos pacientes disseram que vagas de UTI haviam sido solicitadas por meio do sistema estadual de regulação de leitos, o Cross, mas que os pedidos não foram atendidos – seja por indisponibilidade de vagas, seja por impossibilidade de fazer a transferência de pacientes em estado grave.
A Secretaria da Saúde disse na terça-feira que não negou leitos e que as transferências não ocorreram porque os pacientes não puderem ser removidos com segurança devido ao quadro de saúde instável (leia a nota completa do governo estadual abaixo).
Durante a coletiva, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que a criação de leitos exige uma complexa estrutura hospitalar e admitiu que o estado não tem condições de suprir a atual demanda, principalmente para casos mais graves.
“Estamos aumentando da forma que conseguimos. Quando eu falo aumentar número de leitos não é simplesmente um colchão, uma cama e um respirador. É além disso: a equipe que vai dar assistência a esse paciente. Estamos internando 130 pessoas a mais por dia nas UTIs. Nós não temos fôlego para abrir na mesma velocidade o número de leitos.”
O governo de São Paulo anunciou a abertura de mais 338 leitos para pacientes de Covid-19 até o final de março. O número, entretanto, representa um valor abaixo do que o sistema de saúde, nas redes públicas e privadas, recebeu de novas demandas nos últimos dias.
O estado registrou altos números de óbitos pela doença: nesta quarta, a média diária de mortes por Covid-19 no estado foi de 313 óbitos, recorde pelo terceiro dia seguido. A taxa média de ocupação de UTIs em todo o estado, com 83%, também foi a maior de toda a pandemia, e o número de pacientes internados chegou a 20,8 mil, outro recorde (veja abaixo).
Além disso, seis cidades da Grande São Paulo já têm 100% dos leitos de UTI ocupados com pacientes que estão com coronavírus. A situação mais grave é a de Taboão da Serra, onde 12 pessoas morreram desde sexta-feira (5) à espera de vagas.
Painel de gerenciamento de leitos de UTI no Hospital de Campanha de Heliópolis, na Zona Sul de SP, mostra diversos leitos ocupados por pacientes com Covid-19
MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Recordes
São Paulo teve nesta quarta a maior média móvel de mortes de toda a pandemia. O índice superou o recorde de agosto de 2020, quando o índice chegou a 289 mortes diárias, pelo terceiro dia seguido.
A média móvel, que leva em consideração os registros dos últimos sete dias e minimiza as diferenças das notificações, foi de 312 óbitos por dia nesta quarta. É a primeira vez que o índice supera 300 mortes. O número representa um aumento de 34% em relação ao verificado há 14 dias, o que, segundo os especialistas, indica tendência de alta.
O estado registrou também 517 novas mortes por Covid-19 nas últimas 24h, além de 16.058 novos casos confirmados da doença.
A média móvel de casos foi de 11.564 casos por dia nesta quarta-feira. O número é 24% maior do que o verificado 14 dias atrás, o representa uma tendência de alta.
Além disso, a taxa de ocupação de UTIs do estado de São Paulo também alcançou seu maior índice histórico, com 82% dos leitos ocupados. Na Grande São Paulo, a taxa média é de 83,6%.
O número de pacientes internados bateu recordes todos os dias desde 27 de fevereiro: naquela data, o estado tinha 15,5 mil pacientes em leitos de internação, valor que já constituía um recorde.
Nesta quarta-feira, o total chegou a 20.876 pacientes internados, sendo 11.692 em enfermaria e 9.184 em unidades de terapia intensiva (UTI).
Secretaria admite ‘rede impactada’
Profissionais da saúde atendem pacientes com Covid-19 em leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Campanha Ame Barradas, montado em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, nesta segunda- feira, 08 de março de 2021
MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
A Secretaria da Saúde do governo de São Paulo disse que o sistema de regulação de leitos não negou vagas para os pacientes com Covid-19 que morreram na fila por UTIs, mas admitiu que “com o recrudescimento da pandemia, a rede de saúde está impactada”.
Questionada sobre casos específicos, a pasta atribuiu a impossibilidade de transferência às condições clínicas dos pacientes.
“O paciente tinha histórico de comorbidades e estava em estado grave, instável quando foi cadastrado no sistema Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross), com condições clínicas que inviabilizaram a transferência e transporte”, disse sobre o caso de Ribeirão Pires.
A secretaria também informou que é atribuição do hospital local providenciar a estabilização clínica do paciente previamente à transferência, bem como providenciar transporte adequado para deslocamento seguro.
Veja a nota completa da Secretaria de Saúde:
Com o recrudescimento da pandemia, a rede de saúde está impactada. Diariamente, ao menos 15 hospitais estaduais têm registrado ocupação de 100% em suas UTIs. Nesta terça-feira (9), foram identificadas 25 unidades com ocupação superior a 95%, sendo que 19 deles atingiram 100% (confira lista abaixo). Este cenário impacta inclusive na realização de transferências. É fundamental que a população respeite a fase vermelha do Plano São Paulo e as medidas de proteção.
A Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) durante toda a pandemia já auxiliou na viabilização de vagas para mais de 170,3 mil pacientes com quadros respiratórios agudos e graves para serviços de referência em todo o estado. A demanda por leitos COVID saltou de 690 casos por dia, em junho de 2020, para cerca de mil nesta primeira semana de março.
A Central funciona 24 horas por dia como mediadora entre os serviços de origem e de referência. Seu papel não é criar leitos, mas auxiliar na identificação de uma vaga no hospital mais próximo e apto a cuidar do caso. Nenhuma negativa parte deste serviço, que é apenas intermediário. Cada solicitação é avaliada por médicos reguladores, sendo crucial a atualização do quadro clínico. As transferências dependem ainda que o paciente apresente condições para deslocamento seguro, cabendo ao serviço de origem a estabilização clínica e o transporte.
O SUS de São Paulo continua sofrendo pela omissão do governo federal no financiamento de leitos de UTI. No estado, o Ministério financia apenas 678 leitos de UTI dos 5,1 mil ativados na pandemia. Com isso, o número de leitos de UTI saltou de 3,5 mil para quase 9 mil na rede pública de saúde. Ainda assim, mesmo com decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), a União ainda não repassa integralmente os recursos ao Estado.
O Governo do Estado tem feito sua parte ao lado dos municípios. Tanto é que anunciou 780 novos leitos desde o começo do mês com instalação prevista para os próximos 20 dias, incluindo 479 de UTI em diferentes regiões. Mais 11 hospitais de campanha serão implantados em março, somando-se a outros quatro já existentes.
Mesmo com estas medidas, é preciso apoio de toda a população para reduzir a sobrecarga no SUS e o número de mortes. Por isso, toda a população respeite os protocolos sanitários, com uso de máscaras, higienização das mãos, distanciamento social e respeito a fase vermelha do Plano São Paulo.
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