segunda-feira, abril 12, 2021

Sobreviventes da Covid na região de Campinas relatam sequelas e como superaram internação: 'Dias terríveis'


Após um ano desde o início da pandemia na região de Campinas, pessoas que foram infectadas pelo coronavírus relatam como foram os momentos de tratamento e recuperação da doença. Sidneia Oliveira dos Santos Silva, de 62 anos, deu entrada no hospital no dia 21 de fevereiro, enquanto sua filha Liliane Augusta Santos de Oliveira, de 40 anos, foi internada no dia anterior
Liliane Augusta Santos de Oliveira/Arquivo Pessoal
Um ano de pandemia do coronavírus e 190 mil casos positivos na região de Campinas (SP) até este sábado (13). As mortes somam 4,6 mil, sendo 1.997 só na metrópole. Em meio à quarentena, muitas famílias tiveram que lidar com diagnósticos de infecção, internações e o medo de perder a luta para a Covid-19.
Pessoas que enfrentaram dias difíceis e ainda lidam com as sequelas contaram ao G1 suas experiências e a mudança que a doença provocou em suas vidas. Veja as histórias abaixo.
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Mãe e filha internadas
Liliane Oliveira, de 40 anos, é diabética e apresentou os primeiros sintomas da Covid-19 no dia 14 de fevereiro deste ano; achava que era uma reação alérgica a produtos de limpeza. Sem saber que havia sido infectada, Liliane acabou transmitindo o vírus para sua mãe, Sidneia Silva, aposentada de 62 anos.
A cabeleireira e manicure acredita ter contraído o vírus e uma reunião familiar. Ela mora em Campinas e precisou ser internada. Foram dez dias em estado grave.
“Foram dias terríveis, muita falta de ar, muito cansaço, febre e muita dor de cabeça. […] Eu sentia dores muito fortes no peito e nas costas. Eu estava com 89% dos meus pulmões comprometidos quando eu fui internada, tive embolia pulmonar e pneumonia.”, conta.
Ao todo, a aposentada ficou nove dias internada no Hospital Samaritano, em Campinas (SP)
Sidneia Oliveira dos Santos Silva/Arquivo Pessoal
No dia seguinte à internação de Liliane, a mãe também foi hospitalizada. A aposentada – que trata um câncer de mama descoberto em 2019 e já teve episódios de trombose – conta que os sintomas começaram com uma tosse seca e depois evoluíram para a falta de ar.
“Eu dei entrada no hospital no dia 21 de fevereiro com 70% do pulmão comprometido, e minha filha no dia 20. Fiquei no hospital até o dia 1º de março. Me senti impotente, angustiada e com um sentimento de despedida. Não sabia o que iria acontecer comigo e não entendia a evolução silenciosa do vírus. Estava muito assustada”, conta.
Durante o período em leitos de hospital, a única forma de contato que a aposentada tinha com a filha era através de chamadas feitas pelo telefone, “uma angústia dupla”, segundo ela. Já recuperadas da doença, mas ainda com algumas sequelas, elas temem contrair a nova variante da Covid-19.
Pulmão ‘parou”
Muita coriza e tosse, mas sem febre e falta de ar. Esses foram os primeiros sintomas que Rafael Barizon, de 40 anos, morador de Indaiatuba (SP) sentiu quando contraiu a Covid-19.
Na época, a cidade ainda não tinha nenhum caso confirmado da doença – o que ocorreu em 30 de março. O administrador de empresas, conta que foi ao médico três vezes em busca de um diagnóstico e apenas no terceiro hospital realizou o teste de Covid.
Segundo o Rafael, no dia 26 de março seu pulmão “parou” e logo em seguida ele foi internado no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc).
“[A equipe médica] me recebeu e já me intubaram, eu estava com a saturação em 50%”, explica.
Rafael Barizon, ao meio da foto, junto com a equipe médica que ajudou em seu tratamento
Rafael Barizon/ Arquivo Pessoal
Ao todo, foram 50 dias internado, 21 em coma induzido, dez entubado na UTI e mais 19 na enfermaria. Foram momentos difíceis e de superação.
“Nunca tive medo da morte, mas a angústia de tentar respirar e não poder faz com que você diminua suas forças para combater [a doença]. A recuperação foi dolorosa e difícil, não conseguia respirar e nem ter movimentos motores, tive que aprender a comer, andar, tomar banho e fazer as necessidades”, relata.
Mesmo após quase um ano depois de ter contraído o vírus, Rafael conta que precisou aprender a se adaptar às sequelas deixadas pela doença.
“A sequela que levarei para vida é a neuropatia fibular walleriana na perna esquerda e a retirada de quatro centímetros da traqueia.”.
* Sob a supervisão de Patrícia Teixeira
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