quarta-feira, abril 14, 2021

Sumaré registra 81 mortes de pacientes com Covid-19 à espera de leitos de UTI em março


Cidade tem maior número de óbitos entre municípios da área de cobertura do G1 Campinas que responderam levantamento. Em Santo Antônio de Posse, dois perderam vidas em fila de espera. Sumaré registra maior nº do estado de SP de vítimas à espera de leitos de UTI Covid-19
Pelo menos 81 pacientes perderam a luta contra a Covid-19, no mês de março, enquanto aguardavam a liberação de vagas em UTIs pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) em Sumaré (SP). Segundo levantamento realizado nos 31 municípios da área de cobertura do G1 Campinas, a cidade tem o maior número de óbitos em fila de espera na região.
O número de vidas perdidas contabilizado pelo município corresponde ao intervalo de 1º a 30 de março, data em que a informação foi divulgada pela assessoria da prefeitura. As mortes na fila de espera correspondem a 43,7% dos 185 óbitos registrados pela cidade no mesmo período.
O que diz o governo municipal?
Em nota, a prefeitura alega que desde o início da pandemia reorganizou toda a rede municipal de saúde para enfrentar a pandemia, incluindo ampliação de leitos para internação e assistência ambulatorial para pacientes com sintomas gripais. Ela destaca medidas para seguir as diretrizes do Plano SP, além de ações de conscientização com barreiras sanitárias e para evitar aglomerações.
“Mesmo com o exposto, é imperioso destacar que nenhum paciente do município teve seu atendimento prejudicado por falta de leitos na rede municipal, sejam leitos com suporte ventilatório ou de enfermaria, com o apoio de equipe multidisciplinar no devido acompanhamento destes pacientes, mesmo aqueles que aguardam transferência devido o grau de complexidade do caso”, diz trecho.
A administração destaca trabalhos para garantir atendimento ambulatorial, testagem e rastreio de novos casos, e pontua que a assistência vai além da esfera municipal.
“Os municípios têm atuado além das suas competências para prover assistência necessária à população neste momento de extrema sobrecarga tanto da rede pública quanto suplementar de saúde, atendendo pacientes de alta complexidade que não tem suas solicitações de transferência pelo sistema Cross devidamente contempladas com vagas em hospitais de referência”, destaca.
Estado destaca alta em demanda
A Secretaria Estadual da Saúde destaca alta na demanda de transferências para casos de Covid-19 registrados na Cross e indica que “são cerca de 1,5 mil pedidos por dia, contra 690 em junho de 2020, quando foi o auge da primeira onda”. A assessoria diz ainda que mais de 190 mil regulações foram feitas desde março do ano passado, e 35% das solicitações diárias referem-se a leitos de UTI.
Quase 500 morreram à espera de UTI em março no estado de SP
“O Governo de SP tem investido na ampliação de leitos e somente neste mês anunciou a abertura de mais de 1 mil leitos e 12 hospitais de campanha. Até abril, o estado terá mais de 9,2 mil leitos de UTI, contra 3,5 mil antes da pandemia. Ainda assim, é importante que a população respeite a Fase Emergencial do Plano São Paulo, use máscaras, respeite o distanciamento social e fique em casa.”
Ainda de acordo com secretaria, a regulação feita pela Cross depende da disponibilidade de leitos e da condição clínica para que o paciente seja deslocado com segurança até o hospital de destino.
Estatísticas
Sumaré registrou até a noite de quinta-feira (31) 14.448 casos positivos da doença, além de 440 mortes. A taxa de letalidade no município, que consiste no número de mortos em relação ao total de infectados, é de 3,05%, porcentagem superior à média nacional, de 2,20%.
Foto de arquivo mostra paciente intubado em UTI montada para atender pacientes com Covid-19 em hospital de campanha
Miguel Schincariol/AFP
Demais municípios
Em nota, a prefeitura de Santo Antônio de Posse (SP) informou ter registrado dois óbitos de pacientes em leitos montados com recursos de UTI no pronto-socorro do município. Ambos aguardavam transferência para um hospital terciário, ou seja, com atendimento especializado.
Procurados pela reportagem, 18 municípios, incluindo Campinas (SP), negaram ter registrado mortes de moradores na fila de espera por leitos de UTI para Covid-19 durante o mês. São eles:
Americana
Amparo
Campinas
Espírito Santo do Pinhal
Holambra
Hortolândia
Indaiatuba
Mogi Guaçu
Mogi Mirim
Monte Alegre do Sul
Monte Mor
Morungaba
Paulínia
Pedreira
Serra Negra
Socorro
Tuiuti
Vinhedo
O G1 também entrou em contato com os seguintes municípios, mas não obteve resposta até esta publicação: Águas de Lindoia (SP), Artur Nogueira (SP), Estiva Gerbi (SP), Itapira (SP), Jaguariúna (SP), Lindoia (SP), Louveira (SP), Pedra Bela (SP), Pedreira (SP), Pinhalzinho (SP), Santo Antônio do Jardim e Valinhos (SP).
Dor e luto
As histórias das vítimas do coronavírus que morreram à espera de uma vaga em UTI são permeadas por dor, luto e indignação das famílias. No dia 7 de março, Antônio Carlos Colin, de 52 anos, morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Macarenko, onde passou nove dias internado, sem conseguir a vaga que precisava.
“Tá entrando em colapso. As pessoas não vão conseguir nem atendimento daqui a pouco. Não é só um leito de UTI. É um atendimento básico. É um pesadelo, e as pessoas precisam entender que isso é sério”, afirmou à época a filha de Antônio, Jéssica Colin.
A família chegou a pedir a intervenção do Ministério Público, mas Antônio não resistiu. No dia 4 de março, Jéssica já havia informado a gravidade do caso do pai. “Ela está sedado, entubado e a médica falou que é decisivo no caso dele um leito de UTI, e na UPA não tem”, explicou na ocasião.
Filha de homem que morreu a espera de UTI Covid em Sumaré relata colapso na saúde
Sem vagas
Assim como Antonio, Reinaldo Azevedo dos Santos, de 59 anos, morreu na UPA Macarenko em 12 de março enquanto aguardava na fila. A família chegou a obter uma liminar para que ele fosse encaminhado a uma estrutura adequada, o que não ocorreu.
No dia 10 de março, também na UPA Macarenko, Cícero Rodrigues de Meneses, de 71 anos, perdeu a batalha contra o vírus enquanto aguardava em estado grave por um leito em UTI. O homem era paciente crônico renal há cinco anos e o estado de saúde se complicou com a Covid-19.
A família esperava a transferência dele para um leito hospitalar com aparelho para realizar a filtragem do sangue, mas não teve sucesso devido à falta de vagas em hospitais das redes estadual e municipal na região de Campinas.
“Aqui na região, realmente não está tendo vaga e eles não tomam providência para levar esses pacientes para outra região, ou até para outro estado”, disse a filha de Cícero, Camila Meneses, na ocasião.
Cícero Rodrigues Meneses em seu último aniversário, de 71 anos, em fevereiro. Ele morreu com Covid-19 à espera de leito de UTI.
Arquivo pessoal/Camila Meneses
VÍDEO: autoridades e médicos comentam pior momento da pandemia
Profissionais de Saúde na linha de frente e autoridades avaliam pior momento da pandemia
Initial plugin text
Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

Ultimas Notícias

O amor pela cozinha e a superação de desafios

Conheça a história da cozinheira Claudete Machado, de Campinas, que acredita que para...

Governo federal recebe estudo de viabilidade para nova licitação de Viracopos

Etapa é mais um passo para o avanço do processo de relicitação; único consórcio a enviar o documento...

Complementos para sopas e caldos mais saborosos

Veja o que o chef Ricardo Barreiro, de Campinas, indica para dar um toque especial ao preparos que...

Campinas tem mais 34 mortes por Covid-19 e total aumenta para 2.735; casos chegam a 86,5 mil

Balanço divulgado pela prefeitura na tarde quarta-feira (14) mostra mais 660 moradores infectados. Vítimas são 17 homens e...

Caçador de auroras boreais: o jovem brasileiro que vive em busca das ‘luzes coloridas’

De Sorocaba (SP), hoje Filippo Dias vive na Finlândia e divulga imagens do céu nas redes sociais. ...
- Advertisement -