domingo, maio 9, 2021

Taxa de reprodução da Covid-19 volta a subir em Campinas, mas segue indicando regressão da pandemia


Metrópole atingiu índice de 0,9 e resultados menores que 1 sugerem que casos estão em queda. Devisa afirma que alta não pode ser considerada, enquanto infectologista diz que serve de alerta. A taxa de reprodução do novo coronavírus em Campinas (SP) chegou a 0,92 nesta semana, segundo o Observatório Covid-19 BR, que monitora os números da pandemia em 73 cidades do país. O indicador aponta a média de pessoas contaminadas por um morador infectado e, quando está em 1 ou acima desse valor, sugere que o número de novos casos está aumentando.
A taxa é atualizada semanalmente e, em 4 de abril, estava em 0,76, o menor valor desde o início da pandemia na metrópole do interior de São Paulo. A nova atualização, que elevou o índice para 0,92, é de domingo (11), mas foi divulgada agora.
Para a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas (Devisa), Andrea Von Zuben, a variação de 0,7 para 0,9 não pode ser considerada porque há um intervalo de confiança que o próprio observatório traça. Ao considerar esse dado, Campinas fica entre 0,71 e 1,18.
“Essa variação não pode ser levada em conta porque existe um intervalo de confiança grande. (…) O que deve ser levado em conta é que está abaixo de 1, significando que a pandemia está em regressão”, afirma Von Zuben.
“Como que deve ser interpretado esse dado? Se for acima de 1, a epidemia de está em ascensão, se for 1, a epidemia está estável e se for abaixo de 1, está em regressão”, completa a diretora.
Diretora do Devisa de Campinas, Andrea Von Zuben
Manoel de Brito
Para a infectologista da Unicamp Raquel Stucchi, que também é consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, o crescimento serve de alerta, principalmente com a evolução de todo o estado para a fase de transição do Plano São Paulo, que permite a reabertura do comércio e das atividades religiosas.
“É um dado muito preocupante porque nós iniciamos na fala hoje do governador [João Doria], que vai possibilitar um maior contato entre as pessoas na hora que abre o comércio (…) em um momento que a curva [da taxa de reprodução] mostra ascensão”.
“Será que a decisão de hoje não foi precipitada? Que não deveríamos esperar uma semana a mais para a gente poder saber, ou ter uma certeza maior, de como seria esse período?”, questiona a infectologista.
Análise deve ser em conjunto, defende professor
O infectologista André Bueno, da PUC-Campinas, acrescenta que este é um dos indicadores usados para acompanhar o andamento da pandemia e que, para ser melhor analisado, deve estar aliado a outros números, como o de novas internações e de procura por atendimento de saúde por pacientes com sintomas respiratórios.
“É sempre um conjunto de indicadores. Então nunca vai ser só por conta desse valor, e você vê que o intervalo de confiança pode estar acima de 1 ou abaixo de 1, então não é um marcador que dá para a gente utilizar de forma isolada”.
“Na maioria das vezes, para a gente ter uma noção mais próxima da realidade, é melhor usar outros indicadores, como procura do serviço de saúde por sintomáticos respiratórios (…) porque é um dado mais em tempo real”, completa o infectologista.
Durante a coletiva de imprensa desta sexta-feira (16), o prefeito Dário Saadi (Republicanos) afirmou que houve queda de novos casos e atendimentos de sintomas respiratórios nas unidades básicas de saúde e gripários.
“Temos 50% de atendimentos do que foi no auge e o número de pacientes com quadros graves também caiu”, afirmou.
Mortes e oferta de leitos
Campinas registrou mais 14 óbitos pela Covid-19 nesta sexta-feira, o que elevou o total para 2.778 desde o início da pandemia. Já o número de casos subiu para 87.527, com mais 474 em 24 horas.
A cidade tem ocupação de 87,19% nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para Covid-19. São 398 estruturas nas unidades municipais e particulares, sendo que 347 estão ocupadas e 51 livres.
Vinte e oito pacientes aguardam por vagas em leitos nesta quinta, 14 deles com indicação para internação em UTI. Veja os dados e gráficos aqui.
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